Aprendizagem Contínua

Daniel Lima

Eu era um jovem professor, recém-chegado a um seminário com cerca de 20 outros professores, todos mais experientes e qualificados academicamente. Eu nunca havia ensinado profissionalmente, muito menos a nível superior. Minha filosofia de educação cristã era amplamente informada, mas ainda em busca de um formato mais maduro. Em meu ímpeto de fazer a diferença, eu estava sempre pronto a oferecer sugestões sobre assuntos que eu conhecia muito pouco. Um dia eu cruzei no corredor com “seu” Davi Cox, fundador e reitor do Seminário Bíblico Palavra da Vida. Este era o homem que havia começado esta instituição há mais de 20 anos. Neste período, com fidelidade e integridade, ele havia dado início a uma escola usando uma filosofia de formação de líderes que era inovadora e transformadora. Ele tinha mais de 50 anos de idade, havia enfrentado lutas financeiras, de recrutamento de alunos e professores, situação de saúde delicada de um de seus filhos, conflitos de equipe e ainda lutava com a constante pressão financeira de dirigir uma instituição assim.

Neste rápido encontro, de forma tão impetuosa quanto superficial, eu lhe apresentei uma série de sugestões que poderiam transformar de forma estrutural o programa de extensão. Ele me ouviu atentamente, fez uma ou duas perguntas e me agradeceu pelas sugestões. Eu saí satisfeito com minha contribuição, certo de que aquela era a última vez que iria lidar com isso. No dia seguinte, para minha completa surpresa, ele me comunicou que a diretoria do seminário iria se reunir dentro de dois dias para me ouvir apresentar minha ideia!

Deus abençoou minha ideia que acabou sendo desenvolvida e tornada muito útil. No entanto, a maior lição para mim foi a atitude de um diretor experiente e certamente ocupado que ouviu e aprendeu algo novo de um professor inexperiente que não compreendia todas as implicações de suas ideias. O resultado desta atitude foi um avanço no programa de extensão que chegou a multiplicar a influência do seminário.

A atitude deste diretor, “seu” Davi Cox, demonstra o quarto hábito apresentado por pessoas que terminam bem seus ministérios. Esta série começou com um artigo sobre o que significa terminar bem, seguido por artigos sobre intimidade com Cristo, sobre a perspectiva do chamado e sobre uma vida disciplinada. O quarto hábito é justamente uma atitude de constante aprendizado. Vários autores firmam que aquele que termina bem seu ministério, conduzindo sua vida de forma a ser útil no reino até o fim de seus dias, tem, entre outras, uma atitude de estar sempre aberto a aprender algo novo, sempre pronto a ouvir uma ideia ou conceito diferente e inovador. A atitude contrária é daquele que acha que já chegou à verdade final, que já esgotou o que tem a aprender.

A transformação em direção à imagem de Cristo é um processo que nos leva de estágio a estágio. Paulo expressa a ideia de um crescimento que só estará completo no momento de nossa partida.

O apóstolo Paulo comenta sobre seu constante aprendizado em 2Coríntios 3.18 ao afirmar que somos transformados de “glória em glória”. A transformação em direção à imagem de Cristo é um processo que nos leva de estágio a estágio. Nossa transformação só será completa quando atingirmos a estatura de Cristo. A ideia de um crescimento que só estará completo no momento de nossa partida é expressa também por Paulo na passagem de 2Timóteo 4.6-7: “Eu já estou sendo derramado como oferta de bebida. Está próximo o tempo da minha partida. Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé”. Paulo demonstra que sabe que seu tempo de partida está próximo, pois completou sua carreira.

Enquanto nossa carreira não estiver completa, nosso papel é de continuar buscando o crescimento, de glória em glória, em direção à semelhança de Cristo. Isso inclui uma atitude de contínua curiosidade, de contínuo aperfeiçoamento e de contínua busca por transformação. Muito embora existam múltiplas maneiras de crescer, deixe-me alistar as que tenho cultivado em minha vida:

  1. Leitura. Leia a Bíblia, leia teologia, leia livros cristãos e mesmo não cristãos. Procure estar sempre lendo pelo menos um livro e esforce-se por concluir cada livro começado;

  2. Perguntas. Ao encontrar alguém que conhece de algum assunto de seu interesse, pergunte; ouça com atenção, não para discutir ou avaliar, mas para expandir sua mente;

  3. Autoridades. Procure identificar quem é uma autoridade em sua área de interesse. Tanto quanto possível, busque contato direto ou indireto (livros, palestras, entrevistas) com esta pessoa;

  4. Escrita. O ato de escrever força você a organizar suas ideias. Escreva e submeta o que escreveu à avaliação de outros.

Minha sincera oração é que tanto você quanto eu possamos nos comprometer a continuar crescendo em Cristo enquanto ele se agradar de nos preservar nesta terra.

Daniel Lima foi pastor de igreja local por mais de 25 anos. Formado em psicologia, mestre em educação cristã e doutorando em formação de líderes no Fuller Theological Seminary, EUA. Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida por 5 anos, é autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem 4 filhos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995.

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