Abraão e a Espera

Daniel Lima

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Um dos missionários que conheço e admiro me contou anos trás que estava ministrando entre uma pequena tribo da nação dos Ianomâmi. Esse grupo não alcançado resistiu ao seu ministério e, ao longo de muito tempo, eu ouvia relatos de pequenos avanços e marcantes retrocessos. No final, eu já estava constrangido de lhe perguntar sobre os frutos do seu trabalho. Finalmente, em nosso último encontro, ele, entusiasmado, contou-me que no último ano havia experimentado um avivamento naquela tribo. Famílias inteiras haviam se convertido e inclusive partido para outras tribos para compartilhar a alegria da conversão. Ele trabalhou mais de 25 anos até ver esses resultados.

Quantos anos você trabalharia sem resultados? Por quanto anos você continuaria servindo a Deus sem ver uma promessa ser cumprida? Em uma época em que um produto que demora mais que cinco dias para chegar é considerado demorado, ou uma mensagem que não é respondida em algumas horas gera frustração, esperar uma promessa que parece tardar é um desafio para a grande maioria de nós. Em meus últimos artigos, tenho estudado sobre a vida de Abraão (Abraão e o Custo de Seguir a Deus e Abraão e o Alto Custo da Desobediência). Hoje gostaria de convidá-lo a investigar como Abraão, o pai da fé, lidou com a espera.

Em uma época em que um produto que demora mais que cinco dias para chegar é considerado demorado, ou uma mensagem que não é respondida em algumas horas gera frustração, esperar uma promessa que parece tardar é um desafio para a grande maioria de nós.

A vida de Abraão até esse ponto foi uma sequência de altos e baixos. Ele obedeceu de forma parcial ao deixar sua família, mas ainda assim obedeceu. Ele foi para o Egito, sem uma ordem de Deus, e mentiu sobre sua esposa. No entanto, ao retornar a Canaã, construiu um altar e adorou ao Senhor. Antes de sermos severos demais com Abraão, devemos lembrar que ele cresceu em uma cultura pagã e a revelação de Deus estava ainda em seu período inicial. Não havia comunidades que serviam a Deus, não havia testemunho de homens e mulheres que haviam caminhado com Deus, não havia sequer o testemunho das Escrituras.

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No entanto, conforme vimos no último artigo, uma das consequências de sua desobediência e mentira foi que, nessa época, ele provavelmente ganhou uma serva egípcia chamada Hagar. Chegamos no capítulo 16 de Gênesis, e a aparente demora de Deus em cumprir sua promessa começa a gerar reações pecaminosas em Sara e Abraão. Nos versos 1 a 4 lemos:

“Ora, Sarai, mulher de Abrão, não lhe dera nenhum filho. Como tinha uma serva egípcia, chamada Hagar, disse a Abrão: “Já que o Senhor me impediu de ter filhos, possua a minha serva; talvez eu possa formar família por meio dela”. Abrão atendeu à proposta de Sarai. Quando isso aconteceu, já fazia dez anos que Abrão, seu marido, vivia em Canaã. Foi nessa ocasião que Sarai, sua mulher, lhe entregou sua serva egípcia Hagar. Ele possuiu Hagar, e ela engravidou.”

Temos, por um lado, a iniciativa desesperada de Sara de oferecer uma serva sua para gerar um filho com seu próprio marido. Essa era uma prática comum. Não significa que Hagar havia se tornado amante de Abraão, mas que tiveram ao menos uma relação sexual e, com isso, ele gerou nela um filho. O ponto mais importante aqui é que essa ação foi totalmente independente de Deus. Ele não falou para eles fazerem isso. Sabemos, por meio da revelação, que o plano de Deus é a monogamia. No entanto, Sara, desejando ardentemente ter um filho, pois isso significava sobrevivência para ela, toma em suas mãos a solução do problema. E Abraão aceita essa proposta, cometendo assim tanto o pecado de ter relações com outra mulher, como também o de omissão na liderança espiritual de seu lar.

Sara, desejando ardentemente ter um filho, pois isso significava sobrevivência para ela, toma em suas mãos a solução do problema.

O plano, no entanto, gera consequências inesperadas (não é sempre assim com o pecado?). Hagar, ao se ver grávida, ao invés de entregar o filho à sua senhora, como era esperado na época, passa a olhá-la com desprezo. A trama piora, pois Sara se revolta com seu marido, lançando sobre ele a injustiça que ela estava sofrendo. Mais uma vez, Abraão se omite e delega a Sara a responsabilidade de resolver o conflito. O resultado final desse erro é o surgimento da nação dos ismaelitas, que hoje conhecemos como árabes. Ou seja, uma decisão independente de Deus e uma sequência de omissões de Abraão geraram uma nação que até hoje vive em conflito com o povo de Israel.

Certamente poderíamos argumentar que, se Hagar não estivesse presente, Sara teria entregado outra serva, assim como fica claro que os ismaelitas não são amaldiçoados, mas abençoados por Deus. O que desejo destacar é que, diante de uma longa espera, esse casal toma em suas mãos a solução do dilema. Isso se soma à omissão do líder e temos um conflito secular. Em 2Pedro 3.9 lemos:

“O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Ao contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.”

Minha oração é que, diante de aparentes demoras de Deus, eu e você possamos aprender a esperar naquele que não tarda.

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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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