Abraão e o Alto Custo da Desobediência

Daniel Lima

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Um dos relatos tristes que li sobre a Guerra do Vietnã (que, como um todo, é muito triste) foi de duas patrulhas norte-americanas que avançaram por caminhos diferentes contra uma posição do inimigo. O ataque era noturno e eles tinham de manter silêncio de rádio, ou seja, não podiam se comunicar após terem saído. Uma das patrulhas era comandada por um capitão muito cuidadoso, que checava a cada dez minutos a bússola e a direção. A outra patrulha tinha um capitão mais prático e ousado. Ele conferiu sua bússola apenas uma vez a cada meia hora. Infelizmente, esse “descuido” fez com que ele se desviasse da rota e, após duas horas de caminhada, percebendo movimento à frente, eles entenderam que era uma tropa inimiga e atacaram a outra patrulha norte-americana. Por não ter sido tão atento às suas ordens e ao caminho, o resultado foram cerca de uma dezena de soldados americanos mortos por seus próprios companheiros.

Infelizmente, todos nós, mesmo tendo caminhado com Jesus por anos, volta e meia cometemos erros. Com a maturidade, esses erros não são mais catastróficos (embora para alguns isso ainda ocorra). Ainda assim, em nossa mente humana, parece que às vezes não percebemos como um pequeno erro pode ter consequências tão grandes. No último artigo, vimos como Abraão obedeceu saindo de Harã, mas sua obediência foi parcial, pois levou consigo seu sobrinho. Hoje quero refletir sobre um claro erro de Abraão, conforme relatado em Gênesis 12.10-20. No verso 10 lemos: “Houve fome naquela terra, e Abrão desceu ao Egito para ali viver algum tempo, pois a fome era rigorosa”. Deus ordenou que ele fosse para Canaã, não ordenou que ele descesse ao Egito. Deus certamente era capaz de sustentá-lo e aos seus, mesmo durante uma fome rigorosa. No entanto, a tentação de mudar-se para a nação mais rica e influente da época foi grande demais para Abraão. Talvez ele tenha pensado: “Deus me trouxe até aqui para que eu pudesse encontrar socorro no Egito!”. Ou então: “Quem sabe o Egito não é justamente o livramento de Deus para nós?”.

Deus pode sim nos colocar em situações em que ele provê o livramento de uma fonte inesperada. No entanto, precisamos ouvir a Deus com muito cuidado e avaliar nossa motivação.

Deus pode sim nos colocar em situações em que ele provê o livramento de uma fonte inesperada. No entanto, precisamos ouvir a Deus com muito cuidado e avaliar nossa motivação. A motivação de Abraão não era confiança em Deus, tanto que, nos versos 11 a 13 lemos: 

“Quando estava chegando ao Egito, disse a Sarai, sua mulher: ‘Bem sei que você é bonita. Quando os egípcios a virem, dirão: “Esta é a mulher dele”. E me matarão, mas deixarão você viva. Diga que é minha irmã, para que me tratem bem por amor a você e minha vida seja poupada por sua causa’.”

Ou seja, Deus proveu um livramento, mas eu vou mentir para me proteger, ainda que isso exponha minha mulher. Não é surpresa que um erro (“vou para o Egito”) traga outro erro (“vou mentir”). Na nossa vida cristã, não é incomum que, ao tomarmos uma decisão sem esperar pela direção de Deus, sigamos protegendo nossa vida por conta própria. Assim, o caminho para o Egito se torna, para nós, um caminho de afastar-se da dependência de Deus. Uma vez que começo a caminhar nessa direção, minhas próximas decisões serão, com frequência, igualmente distorcidas.

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O caminho para o Egito se torna um caminho de afastar-se da dependência de Deus. Uma vez que começo a caminhar nessa direção, minhas próximas decisões serão, com frequência, igualmente distorcidas.

No caso de Abraão, seu esquema de engano deu resultado no sentido de que o faraó o tratou bem. No verso 16 lemos: “Ele tratou bem a Abrão por causa dela, e Abrão recebeu ovelhas e bois, jumentos e jumentas, servos e servas, e camelos”. Não podemos ter certeza, mas é muito provável que nessa época uma serva foi acrescentada à tribo de Abraão, uma egípcia de nome Hagar. Sabemos bem qual foi a consequência da presença de Hagar entre as servas de Abraão. Como resultado de uma decisão errada (“vou para o Egito”) e mais outra (“vou mentir”), os descendentes de Abraão sofrem as consequências por meio dos descendentes de Ismael até hoje.

Minha oração é que, no momento em que alguma necessidade grande surja em sua ou minha vida, ao invés de correr na direção da solução mais fácil (fugir para o Egito ou mentir para me proteger) nós possamos exercer a fé, ouvir a Deus e caminhar em sua direção.

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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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