A Grande Verdade

Daniel Lima

Compartilhe: 

A toda luz corresponde uma escuridão, já que escuridão é ausência de luz. Da mesma forma, cada mentira é a negação de uma verdade. Na semana passada falei sobre a Grande Mentira, que é essencialmente a distorção de quem é Deus e a sua substituição por qualquer coisa criada (Romanos 1.18-23). As consequências para quem acredita na Grande Mentira são a distorção do seu raciocínio e o escurecer de seus corações. Seguindo o argumento acima, a Grande Mentira nega a Grande Verdade.

A Grande Verdade não se resume apenas a uma declaração ou mesmo a várias afirmações. A Grande Verdade é uma pessoa: Jesus Cristo.

Respondeu Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.” (João 14.6)

No entanto, simplesmente afirmar que Jesus é a verdade não descreve a nós a riqueza de informações e implicações por trás dessa declaração. Por isso eu te convido a me acompanhar enquanto analiso alguns dos conceitos fundamentais da passagem de Colossenses 1.15-23, para compreendermos melhor do que se trata a Grande Verdade.

No verso 15 Paulo declara que Jesus é a revelação, a imagem de Deus. Por isso, como Deus é a base de toda realidade, podemos dizer que ele é a própria verdade. Em uma conversa há alguns anos com um jovem que atravessava um momento delicado de decisão sobre sua vida, ele, após alguns momentos, reclamou: “Não dá pra conversar contigo Daniel... Você sempre volta pra Bíblia!”. Sei que isso era frustrante para ele e sua reclamação tinha um tom de acusação, mas eu me senti elogiado. “Realmente”, eu respondi, “já descobri há muito tempo que não posso confiar em mim mesmo para determinar o que é verdade e o que não é. Preciso de algo muito maior e mais seguro. Eu depositei minha fé em Jesus, conforme revelado na Bíblia.”

Nos versos 16-17 Paulo descreve características de Jesus como Criador. No verso 17 uma frase se destaca para mim: “... nele tudo subsiste”. O sentido dessa declaração é que nossa própria existência está baseada em Jesus. Ele segura os átomos da existência por sua vontade. Assim como um sonho ou imaginação nossa, caso Deus decidisse deixar de “pensar em nós”, deixaríamos de existir. É em sua atenção e em seu poder que reside nossa própria existência.

Nos versos 21-23a temos um explicação desta Grande Verdade. Vamos ler com cuidado para acompanharmos o argumento do apóstolo Paulo:

Antes vocês estavam separados de Deus e, na mente de vocês, eram inimigos por causa do mau procedimento de vocês. Mas agora ele os reconciliou pelo corpo físico de Cristo, mediante a morte, para apresentá-los diante dele santos, inculpáveis e livres de qualquer acusação, desde que continuem alicerçados e firmes na fé...

Primeiramente, lemos que éramos inimigos de Deus. Nós não éramos, nem somos, intrinsecamente bons. Essa verdade tem sido combatida pelo ser humano desde os primórdios. Diferentes ideologias e religiões têm declarado que somos bons, que o ser humano é puro, não tem pecado. De fato, a própria expressão pecado tem sido combatida e denunciada pela sociedade atual como opressiva, retrógrada e radical, até mesmo por pregadores ditos cristãos. No entanto, um aspecto fundamental da grande verdade é este: somos culpados! Se negarmos nossa culpa, se nos recusarmos a encarar nossos erros, a Grande Verdade não tem sentido. A própria morte de Cristo se torna inútil.

Se negarmos nossa culpa, se nos recusarmos a encarar nossos erros, a Grande Verdade não tem sentido.

O verso 22 indica que fomos reconciliados pelo corpo e morte de Cristo para então sermos apresentados santos e irrepreensíveis. Mais uma vez, a Grande Mentira procura negar que precisamos de reconciliação. Assim, afirmações de que Deus não está irado, de que ele não tem nada contra nós e de que na verdade todos seremos aceitos por ele devido ao seu amor abundam. Procura-se apresentar um Deus que ama e não tem princípios morais; tudo pode, basta “amar”, mesmo que a definição de “amar” seja em geral muito parecida com “o que me faz sentir bem”.

Calendarios 2021

A Grande Verdade é que existe um Deus, que ele é todo poderoso e que nossa própria existência depende dele. Ao mesmo tempo, nós somos inimigos pelo nosso “mau procedimento” e precisamos desesperadamente de reconciliação com ele. Essa reconciliação não é como um indulto sem custo, pois exigiu a própria vida de Cristo. O ser humano só se torna inculpável, livre de qualquer acusação, a partir do momento em que reconhece este Deus Todo Poderoso, reconhece sua necessidade radical e se entrega em fé.

Em um mundo que se esforça tanto para promover a Grande Mentira e para sufocar a Grande Verdade, eu te convido a buscar mais e mais aquele que é a própria verdade. Oro para que a verdade tome mais e mais raiz na sua e na minha vida, e, como resultado, possamos refletir em nosso viver a imagem do Pai.

Compartilhe: 

Daniel Lima foi pastor de igreja local por mais de 25 anos. Formado em psicologia, mestre em educação cristã e doutorando em formação de líderes no Fuller Theological Seminary, EUA. Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida por 5 anos, é autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem 4 filhos, uma neta e vive no Rio Grande do Sul desde 1995.

Veja artigos do autor

Fale ConoscoQuem SomosTermos de usoPrivacidade e Segurança