Atitudes positivas diante da expectativa do fim: parte 1 (4.7-11)

Norbert Lieth

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Em 1Pedro 4.7-11, o “fim de todas as coisas” referia-se à iminente destruição do templo e à dispersão dos judeus (verso 17). Segundo o profeta Daniel, porém, em termos de história sagrada e do judaísmo, ele se refere à ainda futura grande tribulação: “Quanto a você, Daniel, encerre as palavras e sele o livro, até o tempo do fim. Muitos correrão de um lado para outro, e o saber se multiplicará” (Daniel 12.4).

Daniel descreve com isso o período de tribulação e salvação de Israel, bem como da ressurreição para a vida e o juízo (versos 1-3).

Quanto ao “fim de todas as coisas” (consumação), Pedro aborda importantes prioridades que devem dominar a nossa vida. Vemos, portanto, que a expectativa iminente tem efeitos espirituais e altamente positivos. Se antes Pedro mencionou seis comportamentos negativos que estavam no passado dos crentes (verso 3), agora ele cita seis aspectos positivos aos quais eles devem se dedicar.

O primeiro deles é a vida de oração.

Vida de oração

“O fim de todas as coisas está próximo; portanto, sejam criteriosos e sóbrios para poderem orar” (1Pedro 4.7). A oração deve ter prioridade, tanto mais quando reconhecermos que o Dia do Senhor se aproxima.

Infelizmente, porém, observa-se uma tendência oposta. Em muitos lugares a participação em reuniões de oração vem diminuindo em vez de aumentar. Além disso, infelizmente os cristãos, em seu relacionamento individual, também estão se tornando mornos em vez de mais ardentes.

A oração está em primeiro lugar porque tudo é sustentado pela oração, também os seguintes aspectos que Pedro menciona: o amor, a hospitalidade, a prática dos dons espirituais, a proclamação e o serviço.

Amor

“Acima de tudo, porém, tenham muito amor uns para com os outros, porque o amor cobre a multidão de pecados” (1Pedro 4.8).

“Muito” (ou arraigado) amor significa dedicação total a algo. Todos os esforços dirigem-se a algo determinado, havendo plena dedicação e motivação àquilo, revelando solidariedade.

Deus mesmo tem esse amor dedicado e comovente quando diz: “Por isso, o meu coração se comove por ele [Efraim], e dele certamente me compadecerei” (Jeremias 31.20; cf. Oseias 11.8). Amor dedicado tem a ver com perdão. Amor dedicado não desiste, amor dedicado persevera.

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Em 1Pedro 1.22, lemos: “Tendo purificado a alma pela obediência à verdade, e com vistas ao amor fraternal não fingido, amem intensamente uns aos outros de coração puro”.

“Porque o amor encobrirá a multidão de pecados.” Essa é uma citação do Antigo Testamento: “O ódio provoca conflitos, mas o amor cobre todas as transgressões” (Provérbios 10.12). Sobre isso, eis um exemplo bíblico bem prático:

A primeira carta aos Coríntios soa bastante dura porque muita coisa andava mal em Corinto. Havia partidarismo e cisões, pecados eram tolerados, orgulho e arrogância se faziam presentes, Paulo precisou defender seu ministério apostólico diante dos coríntios, a liberdade cristã sofria abusos com procedimentos errados e os dons espirituais predominavam sobre o amor ao próximo. É por isso que Paulo apela no último capítulo: “Façam todas as coisas com amor” (16.14). Assim, a carta não encerra com alguma dura advertência, mas com a amorosa afirmativa de que “o meu amor esteja com todos vocês, em Cristo Jesus” (16.24).

Embora Paulo não tenha tolerado o procedimento antiespiritual errado dos coríntios e o tenha abordado decididamente, ele não lhes subtraiu seu amor. “Acima de tudo, porem, tenham muito amor uns para com os outros, porque o amor cobre a multidão de pecados.”

Alguém já disse que “o fraco não consegue perdoar. O perdão é uma qualidade dos fortes”. O amor sempre visa ao perdão e à restauração. Deus é amor e por isso ele sempre está pronto a perdoar e o amor o move a perdoar o ser humano. “Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores” (Romanos 5.8). O amor se confirma ao fazer o oposto do mal que lhe é feito.

O amor se confirma ao fazer o oposto do mal que lhe é feito.

Hospitalidade

“Sejam mutuamente hospitaleiros, sem murmuração” (1Pedro 4.9). O amor também se expressa de forma bem prática na hospitalidade. Alguém disse que, “onde o coração estiver aberto, a casa também estará”.

É preciso levar em conta que naquela época a hospitalidade desempenhava um papel bem maior e sustentador. Tratava-se do necessário apoio a viajantes, às vezes perseguidos. Tratava-se de fornecer concretamente alimento, abrigo e proteção. As viagens eram demoradas e os viajantes dependiam desse apoio. Por isso também é possível estender a noção de hospitalidade: por um lado, oferecendo hospitalidade concreta, e mantendo a casa aberta para todos. Por outro, contudo, também oferecendo ajuda.

Isto deveria ser feito sem reclamações, e o que importa aqui é a postura interna. Para conceder hospitalidade há necessidade de uma mentalidade altruísta. Para apoiar outros, é preciso dedicar-se com alegria e generosidade – “Deus ama quem dá com alegria” (2Coríntios 9.7). Ao exercer a hospitalidade, não convém lamentar intimamente ou fazê-lo apenas por obrigação.

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Norbert Lieth nasceu em 1955 na Alemanha, sendo missionário na América do Sul entre 1978 e 1985. Casado, tem 4 filhas. Hoje faz parte da liderança da Chamada da Meia-Noite em sua sede, na Suíça. O ponto central de seu ministério é a palavra profética, sendo autor de diversos livros e conferencista internacional. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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