Um apelo à mentalidade de Jesus: parte 1 (4.1-6)

Norbert Lieth

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Pedro escreveu anteriormente que “Cristo padeceu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir vocês a Deus” (1Pedro 3.18). Agora ele prossegue desafiando os cristãos: “Ora, tendo Cristo sofrido na carne, estejam também vocês armados do mesmo pensamento” (4.1a).

Somos convocados a fazer algo que naturalmente nos opomos com veemência: sofrer na carne. Oramos contra tal situação, banimos ela da nossa consciência, até mesmo se prega e dogmatiza contra ela, e nós nos rebelamos contra ela. Mas o apelo bíblico vai no sentido de que a disposição de sofrer também faz parte da atitude de Jesus.

Cristo sofreu por nós na carne. O ápice desse sofrimento foi sua morte. Os judeus, aos quais essa carta se dirige, eram perseguidos por causa de sua fé e passaram por vários sofrimentos, incluindo a morte. Do ponto de vista judeu, isso era difícil de entender, já que o Antigo Testamento prometia bênçãos terrenas e uma longa vida em troca da obediência espiritual. Pedro agora lhes explica que eles não sofriam por terem sido desobedientes, mas, pelo contrário, porque haviam rompido com o pecado.

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Vivendo segundo a vontade de Deus

“Pois aquele que sofreu na carne rompeu com o pecado, para que, no tempo que lhes resta na carne, vocês não vivam mais de acordo com as paixões humanas, mas segundo a vontade de Deus” (1Pedro 4.1b-2).

Ao assumirem o sofrimento da perseguição, aqueles judeus sinalizavam que haviam rompido com sua vida antiga e iniciado uma nova em Cristo. Eles abandonaram os antigos pecados e agora estavam dispostos a assumir sofrimentos por causa disso. Essa decisão contribuiria então para levarem sua vida subsequente de acordo com a vontade de Deus e não ditada pelo princípio do prazer.

Eles não sofriam por terem sido desobedientes, mas porque haviam rompido com o pecado.

Se hoje alguém confessa ser cristão e leva uma vida orientada pela Bíblia, sendo por isso prejudicado por seus semelhantes, isto será um sinal de que ele encerrou sua vida pecaminosa antiga e rompeu com o passado (verso 3), mas não significa que não pecará mais.

Pecados do passado

“Porque basta que, no passado, vocês tenham feito a vontade dos gentios, tendo andado em práticas libertinas, desejos carnais, bebedeiras, orgias, embriaguez e detestáveis idolatrias” (1Pedro 4.3).

Os judeus que viviam na Diáspora em meio aos gentios haviam se assimilado. Eles viviam segundo os costumes das nações e se adaptaram a eles também em suas festividades e cerimônias. Vemos que o pecado se infiltra por toda parte e impregna todas as camadas da sociedade.

Agora, aqueles que se dirigiam a Jesus como seu Salvador haviam rompido com essas libertinagens. É nessa prática que se revela o conceito da “conversão”. Ele significa “desviar-se” e “mudar de direção”, dando à vida uma orientação nova, buscando um novo alvo.

Pedro enumera seis comportamentos pecaminosos que cobrem todo o espectro da vida e dos quais os destinatários da carta se haviam afastado:

  1. Práticas libertinas. Trata-se da perda do controle sobre a própria vida e claramente transgressão dos limites, seja com comida e bebida, em festas ou nos aspectos morais. Falta autodomínio e disciplina.

  2. Desejos carnais. Estes Pedro também cita no capítulo 1.14 e em 2.11. Eles descrevem aspirações contrárias ao Espírito e pecaminosas. Trata-se de toda espécie de imoralidade, mas também da ambição por coisas que não nos pertencem. Isso nos lembra do mandamento: “Não cobice a casa do seu próximo. Não cobice a mulher do seu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao seu próximo” (Êx 20.17).

  3. Bebedeiras. Trata-se de verdadeiras festas e excessos alcoólicos.

  4. Orgias. Especialmente os divertimentos sociais muitas vezes acompanhados de expressões, piadas e zombarias impuras. Outras traduções aplicam ainda outros termos de sentido similar.

  5. Embriaguez. Significa a ingestão de bebidas alcoólicas além de uma medida normal.

  6. Idolatria. Pedro a chama de detestável ou blasfema. Refere-se aos atos idólatras que muitas vezes acompanhavam as festas mencionadas acima.

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Norbert Lieth nasceu em 1955 na Alemanha, sendo missionário na América do Sul entre 1978 e 1985. Casado, tem 4 filhas. Hoje faz parte da liderança da Chamada da Meia-Noite em sua sede, na Suíça. O ponto central de seu ministério é a palavra profética, sendo autor de diversos livros e conferencista internacional. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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