Venha o teu Reino

Daniel Lima

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Há alguns dias, um familiar que trabalha na corregedoria de polícia me falou em conversa que os relatórios de 2023 indicam que houve um significativo aumento em homicídios no Brasil. No dia seguinte, o ministro da justiça veio a público afirmar que o número de crimes violentos diminuiu no primeiro ano do governo Lula. Um professor de estatística que tive na faculdade dizia que a estatística era a arte de torturar os números até que eles confessassem aquilo que você quer. Mesmo deixando de lado o cinismo desse professor, fica difícil negar que, para o leitor ou ouvinte comum, é muito difícil entender o que é verdade e o que é narrativa determinada por uma ideologia.

Eu facilmente me identifico com um lado e passo a confiar em suas declarações, enquanto me oponho ao outro lado e não creio em nada daquilo que afirmam. Percebo em mim uma revolta ao ver afirmativas que se opõem ao que creio, mesmo que não tenha provas, de forma que minha reação é, em grande parte, emocional. No entanto, esse é justamente o jogo dessa guerra de narrativas. Envolvidos com um lado, ou uma ideologia, nos tornamos apoiadores quase acríticos de um lado e críticos cegos do outro. Entendo que há sim diferenças significativas nas diferentes ideologias e que há um descompromisso real de um lado com valores e princípios que considero fundamentais. Ainda assim, quando paro para pensar, sinto-me massa de manobra.

Nesses dias, em meu estudo do evangelho de Lucas, cheguei ao relato desse evangelista sobre a oração de Jesus. Parei para refletir na segunda frase: “Venha o teu Reino” (Lucas 11.2). Sei bem do sentido escatológico dessa frase, e sei também que essa oração só será cumprida plenamente após o arrebatamento, durante o reino milenar de Cristo (Apocalipse 20). No entanto, creio também que essa frase não é apenas um anseio para o futuro, mas um compromisso para o presente. Jesus repetidas vezes pregava que o Reino de Deus estava próximo. Esse é um uso não escatológico, mas existencial da expressão. Ao orar “venha o teu Reino”, estou afirmando que anseio por esse Reino, que posso experimentar aspectos dele, muito embora este não esteja estabelecido em sua plenitude.

Ao orar “venha o teu Reino”, estou afirmando que anseio por esse Reino, que posso experimentar aspectos dele, muito embora este não esteja estabelecido em sua plenitude.

Aqueles que leram e gostam da conhecida série de livros de C. S. Lewis As Crônicas de Nárnia, vão se lembrar como a expressão “Aslam está chegando” gerava nos personagens (e nos leitores) uma emoção, uma sensação de iminência. Ao afirmar “venha o teu Reino”, eu estou afirmando que não estou satisfeito com o reino do mal (qualquer que seja a ideologia). Estou declarando que os reinos deste mundo fracassaram em trazer paz e verdadeiro bem-estar. 

De uma forma prática, vejo esse anseio aplicado de várias formas:

  1. Venha o teu Reino em minha vida. Há vários aspectos de minha vida que ainda não estão completamente alinhados com o Rei. Eu oro para que eu e você tenhamos um coração mais rendido, uma fé mais inabalável, um desprendimento mais amplo e um amor mais sincero. Em resumo, preciso do Reino sendo implantado dentro de mim.
  2. Venha o teu Reino em meus relacionamentos. Meus relacionamentos nem sempre refletem o Rei que afirmo seguir. Às vezes guardo rancor, às vezes sou impaciente, às vezes sou interesseiro. Minha oração é que o Reino se manifeste no modo como trato outras pessoas. Uma vez mais, que meu amor seja mais sincero e motivado pelo Espírito. Que eu seja mais gentil, mais interessado nos outros, melhor ouvinte, mais gracioso que julgador.
  3. Venha o teu Reino em minha igreja. Sou muito feliz em frequentar a igreja que pastoreei por cerca de dez anos. Muito embora não esteja na equipe pastoral, tenho grande alegria em servir e contribuir da forma que posso. No entanto, sei em primeira mão que nem tudo está bem em minha igreja. Como poderia, se estamos cheios de seres humanos pecadores? Oro para que minha igreja seja mais ousada em fé, mais dedicada à oração e ao estudo da Palavra. Oro para que nos amemos de fato e de verdade, sem acepção de pessoas. Oro para que façamos gestos sinceros e amorosos para alcançar aqueles com quem entramos em contato e que não conhecem o Senhor. Oro enfim para que aqueles que vierem a nos conhecer tenham um vislumbre do Reino.
  4. Venha o teu Reino no mundo. Não tenho ilusões quanto a um mundo melhor. Manifesto-me e proclamo os valores do Reino. Naquilo que posso, defendo os interesses do Reino em todas as esferas em que estou envolvido. No entanto, anseio pelo Reino que há de vir. Eu oro pelo dia em que nosso Senhor virá para nos buscar, desencadeando os eventos da tribulação e de seu retorno triunfante, assim como a instauração do reino milenar. Oro pelo dia em que o leão vai se deitar ao lado do cordeiro (penso tanto em animais como em seres humanos que se encaixam nessa descrição). 

Naquilo que posso, defendo os interesses do Reino em todas as esferas em que estou envolvido. No entanto, anseio pelo Reino que há de vir.

Oro enfim pelo retorno de meu amado Senhor Jesus! Venha o teu Reino!

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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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