Vamos dar importância ao que é importante?

Daniel Lima

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Fake news, conspirações, manobras, revisionismo, declarações, desconfiança... Estas palavras bem podem descrever o momento que vivemos em nosso país. A pandemia evidenciou ainda mais a disputa pelos holofotes da mídia. Mentiras são lançadas e reproduzidas, aceitas e repetidas sem que seus colaboradores demonstrem qualquer preocupação com uma verdade factual.

Cristãos se envolvem com discussões intermináveis sobre assuntos que não conhecem tanto, mas que ouviram de uma “fonte confiável”, ainda que a fonte confiável seja apenas uma postagem em alguma mídia social. E a resposta a qualquer questionamento são menções a conspirações – igualmente mal documentadas (afinal, qual conspiração ainda em andamento é bem documentada?).

Em sua carta a uma igreja também fragmentada por tendências conflitantes, o apóstolo Paulo apresenta aquilo que deveria ser o foco de todo cristão: Jesus Cristo. Colossenses foi escrita quando o apóstolo estava em prisão domiciliar em Roma. Fundada por um de seus discípulos, essa igreja estava dividida por pensamentos legalistas, místicos e filosóficos. Paulo escreve a ela: A esta igreja no capítulo 2, versos 1 a 4 Paulo escreve:

Quero que vocês saibam quanto estou lutando por vocês, pelos que estão em Laodiceia e por todos os que ainda não me conhecem pessoalmente. Esforço-me para que eles sejam fortalecidos em seu coração, estejam unidos em amor e alcancem toda a riqueza do pleno entendimento, a fim de conhecerem plenamente o mistério de Deus, a saber, Cristo. Nele estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento. Eu digo isso para que ninguém os engane com argumentos que só parecem convincentes. (Colossenses 2.1-4)

Em meio a tantas discussões relevantes, repare que Paulo inicia lançando o fundamento: Cristo. No verso 3 ele destaca que em Cristo “estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento”. E conclui no versículo seguinte que sua afirmação visa evitar que aqueles cristãos sejam enganados por “argumentos que só parecem convincentes”, mas não o são.

A expressão “escondido” destaca que precisamos cavar, procurar, buscar para obter esse conhecimento.

Creio que este é um período em que a igreja está enfrentando uma apatia, um esfriamento espiritual, não porque falte informações, mas porque falta discernimento. Ouço cristãos discutindo filosofias e ideologias como se Cristo não fosse o centro de suas vidas (talvez não seja). Percebo cristãos cujo discurso em quase nada se distingue do discurso de descrentes, em seus argumentos repetidos, em seus heróis incrédulos, suas paixões humanistas. O que Paulo tem a dizer a esta igreja? Qual seu foco, seu esforço?

Conviccoes Cristas - Seu Ritmo

No verso 2, Paulo alista quatro elementos pelos quais ele se esforça: corações fortalecidos, unidade em amor, pleno entendimento e conhecer o mistério de Deus. Deixe-me discorrer sobre esses elementos que também podem ser fundamentais para nós.

  1. Corações fortalecidos. Parece que nossa fé é meramente fruto de argumentos. Muito embora nossa fé seja factual (Jesus realmente nasceu, viveu, morreu e ressuscitou), nossos corações não são fortalecidos por fatos, mas em um relacionamento com uma pessoa: Jesus Cristo. Você pode crer em todos os fatos sobre Jesus, mas se seu coração não estiver rendido a ele, estará rendido a algum outro interesse. “Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração” (Mateus 6.21).

  2. Unidos em amor. Parece que temos sido menos e menos tolerantes com irmãos e irmãs que pensam de modo diferente em termos políticos, ideológicos, doutrinários... É verdade que algumas posições tornam o convívio bastante desafiador, mas a Palavra é clara em dizer que o poder de nosso testemunho não está em eventos deslumbrantes, em argumentos bem montados nem em declarações impactantes. Nosso testemunho está em nosso amor uns pelos outros! “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” (João 13.35).

  3. Pleno entendimento. Este é um elemento em falta: discernimento espiritual. Nossos argumentos são intelectuais, passionais, partidários e radicais, mas muito pouco espirituais. Sem entendimento somos como folhas levadas ao vento pela astúcia daqueles que querem nos manipular. Discernimento é mais que intelectual – exige um constante ouvir ao Senhor, uma profunda conexão com sua Palavra e o exercício constante de discernir o certo do errado. “Quem se alimenta de leite ainda é criança e não tem experiência no ensino da justiça. Mas o alimento sólido é para os adultos, os quais, pelo exercício constante, tornaram-se aptos para discernir tanto o bem quanto o mal” (Hebreus 5.13-14).

  4. Conhecer o mistério de Deus: Cristo. Paulo aqui parece indicar que aquilo que precisamos conhecer, que é nosso firme alicerce, é a pessoa de Cristo. Precisamos conhecê-lo, precisamos cultivar nossa relação com ele, precisamos consagrá-lo como Senhor em nossos corações. A passagem continua e afirma que “nele [em Cristo] estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento” (Colossenses 2.3). Isso é evidente, pois Cristo é a revelação perfeita do próprio Deus.

A expressão “escondido” destaca que precisamos cavar, procurar, buscar para obter esse conhecimento. Minha oração por você – meu irmão, minha irmã – e por mim mesmo é que concentremos nossos esforços naquele onde estão escondidos toda a sabedoria e conhecimento: Cristo Jesus, o autor e consumador da nossa fé!

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Daniel Lima foi pastor de igreja local por mais de 25 anos. Formado em psicologia, mestre em educação cristã e doutorando em formação de líderes no Fuller Theological Seminary, EUA. Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida por 5 anos, é autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem 4 filhos, uma neta e vive no Rio Grande do Sul desde 1995.

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