Servir Genuinamente Cristão: Parte 1

Daniel Lima

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Aqui na frente um engenheiro empilha caixas, ali do lado uma médica organiza kits de limpeza, lá no fundo uma contadora separa roupas usadas por tamanho e no canto uma senhora aposentada faz café e sanduíches e mantém uma mesa organizada para os voluntários. Sim, são todos voluntários que estão servindo os desabrigados das enchentes no Rio Grande do Sul. Cenas como essa se multiplicam com quase todas as variações possíveis. Estes acima são cristãos, mas há outros de outras convicções religiosas. Todos são bem-vindos para ajudar.

No entanto, servir definitivamente deveria ser uma marca dos seguidores de Jesus. O Senhor afirmou com toda a clareza que “nem mesmo o Filho do homem veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos” (Marcos 10.45). Nesta crise, muita gente está servindo, alguns de modo humilde e anônimo, outros para angariar fama e prestígio. Se somos chamados a servir como cristãos, importa como servimos.

Talvez a passagem mais clássica sobre serviço é João 13.1-17. Ali o apóstolo relata o evento que marca o início do ministério de Jesus exclusivamente aos discípulos. Até ali Jesus pregava publicamente; a partir dali, todos os registros descrevem Jesus ensinando seus discípulos. Não é mera coincidência que ele tenha iniciado com um ensino sobre servir. Nestes dias de resgates, ajuda emergenciais e sacrifícios, fui levado a estudar essa passagem. Quero convidá-lo neste e em meus próximos artigos a buscar entender o que caracteriza um serviço que é genuinamente cristão!

No versículo 1 de João 13 lemos: “Um pouco antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que havia chegado o tempo em que deixaria este mundo e iria para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. Duas lições saltam aos olhos de imediato: 

1. Discernimento. Jesus sabia que havia chegado seu tempo. Em João o texto afirma que seu tempo ainda não havia chegado pelo menos quatro vezes antes (2.4; 7.6-8; 7.30 e 8.20). No entanto, agora seu tempo havia chegado e ele discerniu isso. Saber quando devemos ou não agir é fundamental. Podemos esperar demais e perder a oportunidade de servir ou podemos nos apressar e nos envolver com coisas que Deus nunca quis que fizéssemos. Para termos esse discernimento precisamos estar em comunhão com Deus e ter uma clara consciência de qual é nosso chamado. Fazer aquilo que não é nosso chamado é um erro tão grande quanto deixar de fazer o que Deus nos chama a fazer.

O que caracteriza o serviço cristão como genuinamente cristão é sua motivação, mais do que cumprir um dever.

2. Amor sacrificial. Jesus não apenas amou, mas amou até o fim. Como mencionei, há muitas motivações para servir, e nem todas são nobres. Paulo faz menção disso em Filipenses 1.15-18. O que caracteriza o serviço cristão como genuinamente cristão é sua motivação, mais do que cumprir um dever. O serviço cristão nasce de um coração que ama e ama até o fim. Amar até o fim significa dedicar-se inteiramente: força, tempo, foco, até mesmo a vida. Um amor assim só pode vir de uma caminhada íntima e sincera com nosso Senhor.

Os versículos 2 e 3 acrescentam:

“Estava sendo servido o jantar, e o Diabo já havia induzido Judas Iscariotes, filho de Simão, a trair Jesus. Jesus, sabendo que o Pai havia posto todas as coisas debaixo do seu poder, que viera de Deus e voltava para Deus.”

3. Indistintamente. Repare que entre aqueles a quem Jesus vai servir está seu traidor. Jesus serviu a todos, mesmo sabendo que entre eles estava Judas, que já havia se comprometido a entregá-lo para ser morto. Ao servir podemos ser tentados a selecionar quem é digno ou não de nosso serviço. O serviço cristão é indistinto. Servimos a quem necessita, mesmo aqueles que se opõe a nós e à nossa fé.

4. Identidade. Jesus sabia que tinha autoridade dada pelo Pai e que viera dele e voltava para ele. Ou seja, Jesus não serviu para ser reconhecido ou para encontrar significado. Jesus serviu baseado em sua identidade. Servir, prover algo de valor para quem precisa, pode ser altamente viciante. Mesmo que de forma sutil, nos sentimos bem em dar algo a alguém. O ato em si parece nos encher de poder. O serviço cristão é fruto de nossa relação com Deus e dos recursos que ele nos confiou. Não somos especiais ou mais nobres porque servimos, servimos a partir de nossa relação com o Pai.

O serviço cristão é fruto de nossa relação com Deus e dos recursos que ele nos confiou.

Eu espero que, assim como eu, você também tenha muitas oportunidades de servir. O que temos visto aqui no Rio Grande do Sul é que, diante de uma tragédia, o que há de melhor no ser humano (ainda que vestígios da imagem de Deus) vem à tona. Infelizmente, o que há de pior no ser humano também tem sido revelado. Acompanhe-me em minhas próximas reflexões para podermos crescer em um serviço verdadeiramente cristão.
 

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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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