Seca e Contaminação Espiritual

Daniel Lima

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Talvez você já tenha passado por isso: tudo parece estar em ordem com sua vida espiritual, você vem mantendo um plano de oração e leitura. Mensagens e aulas têm alimentado sua mente e a comunhão com seus amigos cristãos tem sido satisfatória. No entanto, de repente, você se dá conta de que sua vida espiritual está secando. Não é que você parou de crer, ou que você deixou a fé, mas parece que tudo ficou meio mecânico, sem graça, sem vida... 

Esse é um momento crítico em sua caminhada com Jesus. O que você vai fazer, se é que vai fazer alguma coisa? Talvez você continue a fazer exatamente a mesma coisa, só perseverar e esperar que algo diferente aconteça. Talvez você simplesmente ignore a sensação e diga para si mesmo: “A vida cristã é assim, altos e baixos...”. O que é pior, e muitas vezes quase imperceptível, é quando pouco a pouco você vai se acostumando com esse estado de coisas, afinal, parece que tantos ao seu redor estão vivendo do mesmo modo. Em pouco tempo, no entanto, dúvidas que você já havia resolvido começam a mostrar sua cara feia novamente: “Será que Deus realmente se importa?”, ou mesmo: “Será que tudo isso é real?”. Com o tempo você começa a perceber que está naufragando na fé.

Em 1Timóteo 1.18-19, Paulo usa a expressão de naufrágio na fé para descrever o que alguns de seus conhecidos haviam passado. Esses homens rejeitaram a boa consciência (estímulos dados pelo Espírito Santo) e pouco a pouco começaram a afundar na fé. Não acredito que alguém possa perder sua salvação, mas creio que alguém pode ficar estagnado em sua vida espiritual. A expressão naufragar na fé, no meu ponto de vista, indica alguém que ainda mantém sua identidade, mas perdeu sua utilidade. Um navio que afundou não deixa de ser um navio ou de ter um dono, mas obviamente não está cumprindo sua função.

A expressão naufragar na fé, no meu ponto de vista, indica alguém que ainda mantém sua identidade, mas perdeu sua utilidade.

Em minha vida, mais vezes do que eu gostaria, me dou conta de que estou sentindo falta de algo, sinto falta de satisfação, de alegria. Nada ao meu redor mudou, os desafios do dia a dia continuam e, com frequência, existem muitas bençãos que tenho recebido, mas meu coração está insatisfeito, está com sede. O perigo nesse momento é que eu procure distrações. Pode ser um bom livro, pode ser um programa de TV saudável, pode ser um jogo inocente, ou uma atividade de lazer qualquer. O problema não está na atividade, mas no fato de que estou tentando saciar minha sede com coisas fúteis, com coisas que não vão satisfazer minha alma. 

Essa situação me faz lembrar das palavras de advertência de Deus contra seu povo por meio da profecia de Jeremias 2.13:

“Porque o meu povo cometeu dois males: abandonaram a mim, a fonte de água viva, e cavaram cisternas, cisternas rachadas, que não retêm as águas.”

Nesse momento, me dou conta de que ao invés de continuar buscando a Deus para minha satisfação estou usando coisas criadas para tentar satisfazer minha alma. Fomos criados para nos relacionarmos com Deus, e só isso pode nos satisfazer. Por melhor que seja a cisterna, nesse sentido, esta não pode satisfazer minha sede. Eu preciso de Deus, a fonte de água viva!

Fomos criados para nos relacionarmos com Deus, e só isso pode nos satisfazer.

Hoje de manhã, fui dirigido por Deus para Salmos 42.1-2a: 

“Assim como a corça suspira pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo.”

Fiz uma breve pesquisa e descobri que veados em geral obtêm muita água daquilo que comem, no entanto, precisam complementar isso com água, especialmente em períodos de calor e seca. Eles têm uma forte preferência por água corrente, não uma água ruidosa, pois isso diminui sua capacidade de manter-se alerta contra predadores. No entanto, na falta desta, eles vão beber qualquer água, até mesmo água contaminada. Nos EUA, em certa região durante uma seca severa, veados nativos beberam água contaminada e muitos morreram. Curiosamente, enquanto a seca durou, esses animais continuaram bebendo água parada e contaminada e continuaram morrendo. Aparentemente, a sede era mais poderosa do que o cuidado com o que estavam bebendo.

Como está sua sede espiritual? Como está sua sede de Deus? Sua alma tem sido alimentada por sua Palavra e por sua presença? Você pode mencionar encontros que teve com o autor e consumador de nossa fé nestes últimos dias? Você tem bebido água fresca e corrente que vem do próprio Pai, ou tem se satisfeito com água parada que pode ser até inocente, mas que não satisfaz sua alma? Eu sei que há períodos em minha vida em que me descuido da água espiritual que estou usando para satisfazer minha sede e o resultado é uma apatia espiritual, uma anemia com respeito aos propósitos e desafios que o Senhor tem para mim. Minha oração é que em minha vida (assim como na sua) eu continue ansiando pela verdadeira água espiritual que vem da presença daquele que nos criou e nos amou.

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Daniel Lima foi pastor de igreja local por mais de 25 anos. Formado em psicologia, mestre em educação cristã e doutor em formação de líderes no Fuller Theological Seminary, EUA. Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida por 5 anos, é autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem 4 filhos, uma neta e vive no Rio Grande do Sul desde 1995.

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