Por que sofremos humilhação em nome de Cristo?

Johannes Pflaum

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A atitude atual em relação à vida não possui espaço para termos como “humilhação” e “sofrimento”. Somos constantemente “alimentados” com informações para nos sentirmos bem, sermos reconhecidos, nos divertirmos e termos as experiências mais agradáveis possíveis. Soma-se a isso nossa considerável riqueza (em comparação com séculos passados) e as muitas oportunidades de aproveitar a vida que temos. Quer queiramos admitir ou não, somos influenciados por isso.

Aonde quer que vamos, somos levados a acreditar que vivemos uma vida indolor. Seja em artigos ou anúncios, parece haver um remédio para todas as doenças, o que nos permite passar a vida nos sentindo alegres e otimistas depois de tomá-lo. No entanto, isso nos deixa com um grande dilema: por quê? O que a Bíblia nos diz sobre seguir Jesus contrasta fortemente com o espírito da nossa época (Zeitgeist). A autonegação faz parte da mensagem de Cristo. O crescimento espiritual está associado a dores de crescimento. Jesus usa a imagem da videira, a qual o lavrador poda para purificar e dar mais frutos (João 15), para ilustrar a intervenção dolorosa na vida. Deus toma medidas para educar e repreender seus filhos a fim de que eles possam participar de sua santidade (Hebreus 12.4-11).

Ele não faz isso porque tem prazer em nos atormentar. A dor surge quando a ação parental de Deus atinge a nossa natureza pecaminosa na carne, que está polarizada contra ele. Deus faz isso para que possa alcançar seu grande objetivo conosco e glorificar-se através de nós e em nós.

A dor surge quando a ação parental de Deus atinge a nossa natureza pecaminosa na carne, que está polarizada contra ele.

Devido à nossa busca por conforto e ênfase na autorrealização, nós, cristãos, estamos cada vez mais inclinados a acreditar que podemos mudar a sociedade através da adaptação, mas que também devemos ser reconhecidos e valorizados como um componente valioso num ambiente pluralista. Muitos não querem mais aceitar que a mensagem da cruz e de Jesus seja vista como um escândalo e uma idiotice pela sociedade (1Coríntios 1.23). O que o apóstolo Pedro escreve acerca disso? “Se você realmente vive com o Senhor, todos ficarão maravilhados com você e reconhecerão o seu compromisso social e a sua humanidade, considerando-o um enriquecimento religioso e cultural.” Não, ele diz algo bem diferente:

“Por isso, falando mal de vocês, estranham [se surpreendem, são repelidos, ficam chocados, se irritam] que vocês não se juntam com eles no mesmo excesso de devassidão... Se são insultados por causa do nome de Cristo, vocês são bem-aventurados, porque o Espírito da glória, que é o Espírito de Deus, repousa sobre vocês.” (1Pedro 4.4,14)

Podemos agradecer do fundo do coração por todas as coisas boas que o Senhor nos dá, mas o Novo Testamento fala muito sobre o sofrimento por causa de Cristo. Na segunda carta a Timóteo, o seu legado espiritual, a última carta escrita antes da sua execução, o apóstolo Paulo exorta repetidamente o seu filho espiritual a estar disposto a sofrer. Um pré-requisito fundamental para o discipulado e o serviço, mas especialmente para o evangelho: a disponibilidade para sofrer – algo que hoje se tornou cada vez mais uma palavra estrangeira para nós devido às nossas condições de vida.

É chocante ver como interesses políticos e religiosos completamente opostos se uniram subitamente na rejeição do Filho de Deus.

Quer fosse na Grécia, quer fosse no mundo pluralista de Roma, era aparentemente possível acreditar e praticar qualquer coisa. Mas a reivindicação de Jesus ao caráter absoluto e à verdade do evangelho e da Bíblia tinha de ser rejeitada. É chocante ver como interesses políticos e religiosos completamente opostos se uniram subitamente na rejeição do Filho de Deus. Ao rejeitar Jesus, Herodes tornou-se amigo de seu inimigo pessoal, Pilatos. Quando se tratou da crucificação, as diferentes opiniões religiosas entre a liderança religiosa judaica e o governador romano de repente deixaram de desempenhar um papel.

Por que sofremos humilhação? É a singularidade e o caráter absoluto de Jesus Cristo que causam rejeição em uma sociedade anti-Deus; é a Escritura Sagrada – que varre toda a nossa sujeira e perdição à luz – que tanto irrita as pessoas perdidas; é a mensagem da cruz – que julga e destrói o nosso orgulho humano – que gera tanto ódio; for fim, é a diferença entre a nova vida em Cristo que faz com que outros insultem e escarneçam. Paulo não fez uso de argumentos cor-de-rosa no final de sua vida para continuar a encorajar Timóteo a servi-lo e segui-lo. Ele continuamente o encorajou a ver Cristo e as riquezas nele, pelas quais valia a pena sofrer. Ele não escreve: “Na verdade, todos os que vivem na Coreia do Norte ou no Iraque...”, mas: “Na verdade, todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2Timóteo 3.12). Não se trata de um sofrimento sem sentido. Além disso, quão incrível é a promessa a nós dada nas bem-aventuranças do Sermão da Montanha:

“Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados são vocês quando, por minha causa, os insultarem e os perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vocês. Alegrem-se e exultem, porque é grande a sua recompensa nos céus; pois assim perseguiram os profetas que viveram antes de vocês.” (Mateus 5.10-12)

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Johannes Pflaum nasceu na Alemanha, em 1964, é casado, pai de cinco filhos e reside na Suíça. Estudou teologia no seminário teológico da Missão Liebenzeller e serve como presbítero na Comunidade Cristã de Sennwald. Desde 2000 atua como conferencista e docente na área do ensino bíblico, tanto no país como no exterior.

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