Pior que Cego

Daniel Lima

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Creio que uma das deficiências mais limitantes é a cegueira. Não poder ver o rosto das pessoas ao seu redor, não poder definir os obstáculos físicos, não poder apreciar um pôr do sol, ou uma ave em voo, ou um sorriso é algo realmente trágico. No entanto, existe uma condição pior que a cegueira. É quando nossos olhos distorcem o que vemos. É pior, pois o cego, reconhecendo sua limitação, precisa confiar em outros para “ver” o que não vê. Aquele que tem a visão distorcida crê que está vendo a realidade. Com isso, qualquer ajuda é rejeitada, pois a pessoa acredita em sua visão, sem se dar conta de que esta está distorcida.

Jesus nos fala disso conforme o registro em Lucas 11.33-36:

“Ninguém acende uma lâmpada e a coloca em um lugar onde fique escondida ou debaixo de uma vasilha. Ao contrário, coloca-a no lugar apropriado, para que os que entram possam ver a luz. Os seus olhos são a lâmpada do corpo. Quando os seus olhos forem bons, igualmente todo o seu corpo estará cheio de luz, mas, quando forem maus, igualmente o seu corpo estará cheio de trevas. Portanto, cuidado para que a luz que está no seu interior não sejam trevas. Logo, se todo o seu corpo estiver cheio de luz, e nenhuma parte dele estiver em trevas, estará completamente iluminado, como quando a luz de uma lâmpada brilha sobre você.”

A passagem é bem conhecida. A lâmpada não é a luz, apenas propaga a luz. A luz é Jesus, como ele mesmo afirmou em João 8.12: “Eu sou a luz do mundo”. Assim, o raciocínio de Jesus é que sua crença ou perspectiva de vida (olhos) determina sua vida (corpo). Se suas crenças forem alinhadas com Jesus, toda a sua vida será iluminada pelo próprio Jesus. No entanto, se suas crenças forem distorcidas, toda a sua vida será cheia de trevas. 

Por isso o terrível alerta de Jesus no versículo 35: “Cuidado para que a luz que está no seu interior não sejam trevas”. Conheço muita gente a quem amo que tem crenças distorcidas e envolvidas em mentiras. Com isso, aquilo que chamam de luz é, na verdade, trevas, e sua vida evidencia isso. Pessoas que chamam escravidão, comportamentos destrutivos e caminhos tenebrosos de liberdade e “luz”.

Se suas crenças forem alinhadas com Jesus, toda a sua vida será iluminada pelo próprio Jesus.

Com certeza Jesus, ao fazer esse alerta de verificar se o que você chama de luz é realmente de Deus, lembrava a passagem de Isaías 5.20-21:

“Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem das trevas luz e da luz, trevas; do amargo, doce e do doce, amargo! Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos e inteligentes em sua própria opinião!”

O profeta lamenta, ou seja, sente pena, daqueles que distorcem a verdade. Não importa se propositalmente ou por estarem enganados. O fato é que trocam o bem pelo mal, luz por trevas e doce pelo amargo. Escolhem um caminho de destruição, ainda que momentaneamente tenham uma sensação de segurança e de realização. E não aceitam opiniões que confrontem seu estilo de vida, afinal, “são sábios aos seus próprios olhos”.

Lembro-me do testemunho de um homem que viveu em pecado e devassidão toda a sua vida. Não havia pecado que não tivesse experimentado. Já mais velho, uma noite em um bar, ele finalmente compreendeu que sua vida toda havia sido uma constante busca por um prazer passageiro, defendendo posições e “verdades” que deveriam lhe dar liberdade. No entanto, ali estava ele, só, doente e abandonado por seus companheiros. Ali ele caiu em si e, como o filho pródigo de Lucas 15, ele percebeu que a “luz” que usava em sua vida era, na verdade, trevas. Pela graça de Deus, houve tempo para ele buscar a Deus e fazer o caminho de volta.

Para ele e para tantos que usam trevas como “luz” interior, o versículo 36 de Lucas 11 traz esperança e um caminho a seguir: “Logo, se todo o seu corpo estiver cheio de luz, e nenhuma parte dele estiver em trevas, estará completamente iluminado”. Repare que a condição é que toda a sua vida (corpo, nesta ilustração) deve estar submetida à Jesus (luz). Não posso permitir que Jesus ilumine algumas partes de minha vida e outras não. Jesus não é um paliativo para alguns aspectos de nossa vida. Ou ele é nossa luz, nossa perspectiva, nosso entendimento e nosso Senhor, sobre todos os aspectos, ou não vamos experimentar seu poder em nossas vidas.

Não posso permitir que Jesus ilumine algumas partes de minha vida e outras não. Jesus não é um paliativo para alguns aspectos de nossa vida.

Não quero apresentar uma perspectiva ufanista, em que uma vez convertido, toda minha vida está alinhada com Jesus e não há mais pecado em mim. Tanto Paulo (Romanos 7) como João (1João 1) deixam claro que vamos lutar com pecados toda a nossa vida, até sermos libertos do corpo desta morte na glorificação. As palavras de Jesus é que devemos continuar examinando nossas crenças, aquilo que valorizamos e pelo que traçamos nosso norte. Se for Jesus, o processo de transformação, ainda que lento e por vezes desafiador, seguirá até o dia final (Filipenses 1.6). Esta é minha oração por você, leitor, e por mim também. Que cada dia seja vivido nesse exame de nossas crenças e valores, para que Jesus ilumine toda a nossa vida e para que o mundo possa vê-lo em nosso viver!

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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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