Piedade em um mundo fora de controle

Daniel Lima

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Professor de português utiliza termos sexuais pervertidos para ensinar a diferença entre o idioma culto e o vulgar. Professor de jornalismo anseia ardentemente que manifestantes passem a matar evangélicos. “Pastor” brasileiro afirma que a igreja evangélica está doente e sua doença atingiu o Brasil. Pastor com declarada opção pela ideologia marxista lança movimento contra evangélicos que apoiam o presente governo e, portanto, não são cristãos verdadeiros. Pastora anglicana declaradamente lésbica assume direção de organização nacional pró-aborto. Jornalista afirma que países democráticos deveriam decretar o banimento dos evangélicos, pois eles estão sempre do lado do mal.

Cada uma das notícias acima foi retirada de meios de comunicação sem qualquer censura ou filtro. São apenas exemplos de inúmeros outros eventos e opiniões que atacam diretamente a fé cristã e suas propostas. Por um lado, ditos cristãos lutando por um poder terreno e por posição e prosperidade; por outro, ditos cristãos combatendo os preceitos mais básicos da fé cristã. Há ainda aqueles que – dizendo falar em nome dos cristãos – identificam-se de tal forma com uma postura político-partidária que a única diferença de seus discursos é o fato de acrescentarem o nome de Jesus em velhos chavões políticos.

Coisas assim causam espanto e desassossego na maioria dos seguidores de Cristo. Surgem confusões, disputas, falta de unidade, agressões verbais e rupturas. Com frequência, em nome de Cristo. Em primeiro lugar, não deveríamos estranhar isso, pois há uma evidente diferença entre os ideais cristãos (cristianismo) e as práticas daqueles que se dizem cristãos (cristandade). Segundo, os cristãos que entendem a Bíblia como revelação de Deus não deveriam se espantar, pois a própria Palavra nos fala com bastante clareza de tempos assim. Veja, por exemplo, o texto de 2Timóteo 3.1-5:

1Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. 2Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, 3sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, 4traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, 5tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se também destes.

A lista desta passagem engloba cada um dos exemplos acima além de acrescentar alguns. O que surpreende é que dentre aqueles que estão na lista acima, há aqueles que têm “aparência de piedade, mas [negam] o seu poder”, ou seja, buscam aparentar uma vida alinhada com Deus ou pelo menos com aquilo que é bom e puro, mas no entanto negam o poder da verdadeira piedade. Talvez tenham um discurso cristão ou pelo menos parecem defender uma causa nobre e pura. Afinal, à primeira vista, como não defender os direitos humanos? Como não se solidarizar com mulheres pobres que sofrem absurdos em clínicas de aborto clandestinas. No entanto, não há poder naquilo que dizem, pois suas palavras são vazias, têm apenas aparência de uma vida verdadeiramente piedosa.

O que leva pessoas, especialmente aquelas que professam a fé cristã, a tais posturas? Não creio que todos sejam intencionalmente perversos. Certamente há alguns que sim, mas não a maioria. Creio que há alguns que assumem tal compromisso com mitos e ideologias e que se recusam a ouvir a verdade. Paulo continua em seu texto a alertar Timóteo quanto a pessoas assim em 2Timóteo 4.3-4:

3Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos. 4Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos.

Conversando há alguns anos com uma mulher declaradamente marxista, inteligente e com excelente formação, comentei sobre minha fala com vários cubanos e de como estes apresentavam relatos das condições terríveis a que são submetidos. Ela me ouviu por um tempo até que disse: “Isso é mentira!”. Como eu mesmo nunca estive na ilha, prontamente lhe perguntei se ela já havia visitado Cuba. Ela prontamente respondeu que não, mas que sabia que era tudo mentira. A conversa não evoluiu muito a partir daí, mas fiquei com a forte impressão de que esta mulher tinha uma visão de mundo que a impedia de ao menos considerar fatos que não se encaixavam com sua perspectiva.

Essa impressão parece estar muito alinhada com a exortação de Paulo a Timóteo ainda na sua 2ª carta. No mesmo contexto ele afirma que Timóteo deveria se manter afastado de pessoas assim (verso 5), e a partir do verso 10 ele passa a explicar com mais cuidado sobre como reagir a estas posturas:

  1. Exemplos positivos – Timóteo deveria examinar e imitar a vida daqueles que verdadeiramente seguem ao Senhor Jesus. Suas vidas mostrarão o impacto de caminhar com Cristo.

  2. Perseguição – Timóteo é alertado que uma vida de piedade trará perseguições. Na verdade, tentar se alinhar com o mundo (com suas prioridades, seus partidos políticos, suas ideologias) é contrário a seguir a Jesus de modo integral.

  3. Escritura – Timóteo é exortado a permanecer na Palavra, pois esta é o firme fundamento para qualquer questão em nossas vidas. Todo cristão que deixa a Palavra fatalmente será absorvido pelo mundo.

No verso 7, Paulo conclui sobre sua própria vida: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé”. Este deveria ser nosso sonho de futuro. Não importa quais as condições que Deus nos chama a suportar, esse é o retrato da piedade. Não necessariamente uma aposentadoria confortável e próspera, com fama e reconhecimento, como o mundo parece mostrar. O apóstolo Paulo passou suas últimas semanas de vida em um calabouço tenebroso e foi decapitado injustamente por ordem de um imperador enlouquecido e pervertido. Minha oração por você e por mim é que sejamos fiéis até a morte diante de um mundo cada vez mais fora de controle.

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Daniel Lima foi pastor de igreja local por mais de 25 anos. Formado em psicologia, mestre em educação cristã e doutorando em formação de líderes no Fuller Theological Seminary, EUA. Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida por 5 anos, é autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem 4 filhos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995.

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