Perguntas Impossíveis de Responder

Daniel Lima

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É curioso como às vezes ouvimos perguntas que são impossíveis de responder. Essas perguntas fazem com que, qualquer que seja nossa resposta, tenhamos de quebrar nossos princípios. É verdade que às vezes situações de vida nos colocam em um conflito ético, quando aparentemente dois princípios ficam em oposição. No entanto, é fundamental verificar se a pergunta realmente representa um conflito assim ou se estamos sendo encurralados por uma armadilha.

Uma das armadilhas que tenho ouvido com alguma frequência é dirigida a pais cujos filhos se identificam como homossexuais. Em geral é feita por um terapeuta ou outra pessoa que tenha uma abertura favorável ao movimento LGBTQ+. A pergunta é: “Você prefere um filho morto ou um filho gay vivo?”. A premissa é que um filho que se identifica como gay e não recebe a aprovação dos pais vai se suicidar. Dessa forma, na mente de quem faz a pergunta, só existem duas opções: ou seu filho tira a própria vida, ou você aprova sua escolha de estilo de vida.

É fundamental verificar se a pergunta realmente representa um conflito assim ou se estamos sendo encurralados por uma armadilha.

Para um cristão que mantém suas convicções bíblicas, essa é uma pergunta sem resposta. Nenhum pai deseja a morte de seu filho ou filha. Ao mesmo tempo, tampouco pode aprovar um estilo de vida homossexual. Na conhecida passagem de João 8.1-11, Jesus se depara com uma pergunta assim ao ser confrontado com a situação da mulher pega em adultério. Repare nos versículos 3 a 6:

Os mestres da lei e os fariseus trouxeram-lhe uma mulher supreendida em adultério. Fizeram-na ficar em pé diante de todos e disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi surpreendida no ato de adultério. Na lei, Moisés, nos ordena apedrejar tais mulheres. E, você, o que tem a dizer? Eles estavam usando essa pergunta para testá-lo, a fim de terem fundamento para acusá-lo.

A pergunta apresenta apenas duas opções: apedrejamento ou desobediência à lei de Moisés. O próprio texto indica que a pergunta era uma armadilha. Seguir a lei de Moisés incorreria em desafiar o poder romano, que proibia os judeus de condenar alguém à morte. Liberar a mulher contrariava a lei de Moisés. Jesus, no entanto, não se deixa encurralar pela pergunta mal-intencionada. Ele se aprofunda na questão e desafia os acusadores a uma autoavaliação, gerando uma debandada de todos eles.

Jesus não se deixa encurralar pela pergunta mal-intencionada. Ele se aprofunda na questão e desafia os acusadores a uma autoavaliação.

Na pergunta acima sobre o filho que se identifica como gay, um pai fica encurralado com apenas duas opções – no entanto, precisamos nos perguntar se realmente não há outras alternativas que nos permitam permanecer fiéis a nossas crenças cristãs. Em 1Coríntios 6.9-10 Paulo denuncia a perversidade, exposta em comportamentos pecaminosos (inclusive a homossexualidade). Se a passagem terminasse nesse versículo, ficaríamos apenas com a condenação. A graça e o amor de Deus se manifestam com o versículo 11: "Alguns de vocês foram assim. Contudo, foram lavados, foram santificados, foram justificados no nome do Senhor Jesus Cristo e pelo Espírito do nosso Deus".

Esse versículo indica que mesmo aqueles com uma luta com a homossexualidade tiveram suas vidas mudadas pelo poder de Jesus. De forma que não há apenas duas opções: suicídio ou aprovação de pecado. Há uma terceira e melhor alternativa: uma vida de arrependimento e transformação pelo poder de Jesus.

É minha oração que, mesmo em situações nas quais ficamos encurralados por perguntas, busquemos a alternativa de Deus e não cheguemos a negar os princípios cristãos.

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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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