Normas da Casa: Parte 3 – O Trato com Aqueles que nos Lideram

Daniel Lima

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“A bênção pai...”

“Deus te abençoe meu filho.”

Quando criança (sim, já fui criança...) eu ouvia muito as frases acima, especialmente na casa do meu avô. Tios, tias, meus pais e mesmo primos saudavam meus avós dessa forma. Com certeza era uma tradição e é bem possível que o significado original tivesse sido esquecido. Conhecendo alguns dos conflitos em minha família de origem, imagino que alguns ali não se preocupavam com a bênção de meus avós... No entanto, como temos falado nessa série, normas ou costumes de uma família existem para preservar e promover princípios. O costume de pedir a bênção remonta à narrativa bíblica, em que filhos pediam e esperavam a bênção paterna.

Como temos visto nestes artigos sobre “Normas da Casa”, o importante são os princípios, e não as normas. No entanto, princípios que não se traduzem em normas são irrelevantes. E, uma vez combinada uma norma, esta deve ser promovida e praticada. Hoje eu gostaria de examinar o tema de como tratar aqueles que nos lideram, seja em casa, seja na igreja, como família de Deus.

É evidente, mesmo para o observador mais casual, que estamos vivendo uma crise em termos de liderança. Mesmo reconhecendo os exageros do passado, hoje há uma atitude de suspeita com relação a líderes. Sejam líderes governamentais, comunitários, religiosos e, certamente, no ambiente da família. Há um clamor por líderes, mas ao mesmo tempo desconfiamos deles. Exemplos de líderes abusivos, hipócritas, manipuladores e exploradores se acumulam. No final, assim que um líder surge, começam as investigações para provar que este não é tão confiável assim.

Em parte, essa desconfiança é justificável. Não existem líderes perfeitos, pois não existem homens ou mulheres perfeitos. Paulo, em sua carta aos Romanos, expressa essa dura realidade (Romanos 3.10-18). Assim, uma vez que um ser imperfeito recebe poder, (pois não há liderança sem poder delegado), é natural que este poder acentue a imperfeição desse ser humano. Essa realidade já foi atestada e comentada por frases como a famosa afirmação de Lorde Acton: “O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente, de modo que os grandes homens são quase sempre homens maus”.

O exercício da liderança deve sempre ser acompanhado por prestação de contas e por algum sistema de acompanhamento e verificação.

Desse modo, o exercício da liderança deve sempre ser acompanhado por prestação de contas e por algum sistema de acompanhamento e verificação. Isso não é menos verdade na família ou na igreja. O ideal de Deus na família não é que o marido seja um ditador inquestionável. Por isso, a liderança da família deve ser dividida entre o casal. O modelo cultural bíblico apresenta um modelo familiar tribal, onde vários anciãos dividiam a liderança ou ao menos acompanhavam o desempenho do líder instituído.

Em Hebreus 13.17, o autor deste livro exorta seus leitores:

“Obedeçam aos seus líderes e sejam submissos a eles, pois cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes para que eles cuidem de vocês com alegria, não com descontentamento; caso contrário, isso não será proveitoso para vocês.”

Muito pode ser aprendido desse versículo, mas eu gostaria de fazer alguns destaques:

  1. Deixem-se conduzir – Um dos maiores dramas e custos da liderança é ter de convencer ou “arrastar” seus liderados na direção que se acredita que se deve seguir. A primeira norma da casa deveria então ser seguir voluntariamente e de boa vontade o líder da família ou da igreja. Como já dissemos acima, isso não significa não acompanhar ou mesmo questionar esse líder. No entanto, com muita frequência, tenho observado líderes serem questionados e criticados a cada passo. Isso torna seu trabalho pesado e prejudica o grupo que ele ou ela lideram.
  2. Prestar contas – Algumas das maiores tragédias que já assisti, seja em famílias, seja em igrejas, são líderes que acreditam que não precisam, nem devem, prestar contas. Seja por crer em uma autoridade divina, seja por arrogância ou má intenção, esses homens e mulheres se sentem ofendidos quando são questionados ou chamados a prestar contas. O versículo indica que líderes vão prestar contas. Em última análise a Deus, mas creio que devemos estabelecer sistemas de prestação de contas enquanto exercemos nossa liderança.
  3. Liderar com alegria – O versículo conclui que liderar sem obediência é um peso. Tenho testemunhado isso inúmeras vezes. Líderes que são cobrados, vigiados, criticados, afrontados e que, no final, abandonam sua liderança. Mesmo os que permanecem carregam um fardo que torna seu ministério como líderes quase insuportável. Uma vez mais, seja na família, seja na igreja, temos que nos submeter voluntariamente a nossos líderes, acompanhando o exercício de sua liderança sem uma atitude de resistência, mas de boa vontade. Pois, quando o exercício da liderança é um peso, todos sofrem.

A primeira norma da casa deveria ser seguir voluntariamente e de boa vontade o líder da família ou da igreja.

Minha oração é que, neste tema de como tratar os que nos lideram, eu e você possamos dar o exemplo, seja buscando prestação de contas como líderes, seja apoiando, acompanhando e nos submetendo a nossos líderes. O modo como isso é feito na sua família e na sua igreja pode variar, mas eu o encorajo a estabelecer normas da casa também nessa área. O corpo de Cristo será abençoado onde houver normas nesse sentido!

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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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