Jesus, a Porta

Daniel Lima

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Comunicação é uma das tarefas mais complexas que o ser humano desempenha. Por isso, talvez, temos tantos conflitos e mal-entendidos entre nós. O que é óbvio para um chega a ser estranho e até inaceitável para outro. Por isso, um dos fundamentos da comunicação é relacionar fatos novos e estranhos ao que já é conhecido e familiar. Jesus ensinava verdades profundas e revolucionárias estabelecendo conexões com fatos e costumes cotidianos.

O capítulo 9 do evangelho de João registra Jesus curando um cego de nascença, o que gera um tumulto na comunidade religiosa judaica. O conflito é baseado no fato de Jesus ter inegavelmente restaurado a visão daquele homem e ao fato de que o próprio homem reconhece que só alguém “de Deus” poderia fazer isso (João 9.33). No verso seguinte a esta conclusão, este homem é expulso da sinagoga. Isso equivale a ser excluído do “povo de Deus”. É importante salientar que ele não foi excluído por pecado ou qualquer transgressão, mas por afirmar que aquele que o havia curado era de Deus!

Jesus ensinava verdades profundas e revolucionárias estabelecendo conexões com fatos e costumes cotidianos.

Jesus o acolhe e este homem chega a uma fé salvadora. Na sequência, Jesus começa a ensinar sobre pastores e ovelhas. Essa realidade pastoril era extremamente comum naqueles dias. Mesmo quem nunca trabalhava com ovelhas conhecia, em termos gerais, a cultura do cuidado desses animais. No capítulo 10 Jesus faz duas afirmações sobre si mesmo: eu sou a Porta e eu sou o Bom Pastor. Neste artigo quero falar sobre o que Jesus quis dizer com “ser a porta”. Em muitos locais em Israel da época, aldeias tinham um cercado comunitário onde pastores podiam, por um preço, deixar suas ovelhas. Era uma área murada guardada por um porteiro (João 10.3). O pastor podia deixar ali suas ovelhas e as chamar com seu sinal característico quando voltasse para buscá-las. Suas ovelhas reconheciam sua voz e o seguiam. As demais ovelhas – não reconhecendo a voz do seu pastor – se afastavam dele. O curral aqui mencionado era diferente do cercado frágil em que o pastor deixava suas ovelhas e se deitava na porta para que elas não se perdessem. Este curral tinha uma porta sólida que protegia as ovelhas tanto de ladrões quanto de predadores.

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O ensino central desta passagem pode ser encontrado em João 10.9-10:

Eu sou a porta; quem entra por mim será salvo. Entrará e sairá, e encontrará pastagem. O ladrão vem apenas para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham plenamente.

Há promessas e lições preciosas para nós nestes versos. Eu identifico pelo menos quatro: 1) Jesus como único salvador; 2) entrar e sair; 3) encontrar pastagem; e 4) cuidado com o ladrão.

  1. Jesus como único salvador. Esta lição é óbvia e extremamente clara para todo aquele que conhece a Bíblia. No entanto, é importante afirmar que estes abrigos tinham uma só porta e não várias. Jesus torna isso muito claro em outras passagens (João 1.12; 3.16-18; 14.6). Na verdade, existem outras ofertas de portas, mas só uma conduz à salvação. Num mundo crescentemente pluralista, esta afirmação soa como politicamente incorreta, mas é nosso “Shemah” (Deuteronômio 6.4), nossa mais clara declaração de fé.

  2. Entrar e sair. A expressão usada por Jesus é que “quem entra por mim será salvo. Entrará e sairá...”. O curral era um local seguro, mas não o destino das ovelhas. Elas não viviam no curral. Elas viviam fora deste. Ali elas eram protegidas, alimentadas e por vezes curadas, mas seu destino, seu local de moradia, era fora. Penso muito nisso ao observar nossas igrejas. É seguro afirmar que a grande maioria dos esforços de nossas igrejas se limita a cuidar dos salvos e suas famílias.

    O professor e implantador de igrejas Dr. Scott Horrell afirmou em seu livro A Essência da Igreja: “Na maioria das igrejas ocidentais hoje, os dons e recursos dos membros são canalizados primariamente para construir e equipar centros institucionais. O propósito é estabelecer uma base de adoração, com eventuais incursões para ajudar os pobres ou alcançar aqueles sem Cristo”.

    Como salvos, somos chamados a entrar e ser cuidados, mas igualmente a sair e manifestar nosso Salvador (Mateus 28.19-20).

  3. Encontrar pastagem. A expressão, curiosamente, se refere a encontrar alimento fora do curral. Assim, Jesus promete nos sustentar tanto dentro quanto fora do curral. Nossa identidade não é definida pelo curral, mas por sermos suas ovelhas. Uma vez suas ovelhas, entramos, saímos e somos por ele alimentados. Nossa única participação é continuarmos nele.

  4. Cuidado com o ladrão. Jesus nos alerta para cuidar com aquele cujo propósito é “roubar, matar e destruir”. Muito embora exista uma referência aos falsos pastores de Israel (Ezequiel 34), Jesus se refere aqui ao próprio Diabo. O alerta de Jesus é para que fiquemos atentos, pois qualquer outro “salvador” é na verdade um agente do Diabo para roubar, matar e destruir.

Nossa fé se baseia na pessoa de Cristo. Somos chamados a conhecê-lo e a segui-lo. Minha oração é que ele seja não só nossa porta de acesso ao Pai como também aquele que nos protege e nos alimenta.

Série Quem é Jesus?

  1. Jesus, o Pão da Vida
  2. Jesus, a Luz do Mundo
  3. Jesus, a Porta
  4. Jesus, o Bom Pastor
  5. Jesus, a Ressurreição e a Vida
  6. Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida
  7. Jesus, a Videira Verdadeira

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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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