Interação e Fidelidade

Daniel Lima

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Este é o quarto artigo que escrevo buscando explorar como um cristão pode manter-se fiel ao longo de sua vida e ministério (“Identidade e Fidelidade”, “Intimidade e Fidelidade” e “Integridade e Fidelidade”). Entendo que há pelo menos quatro áreas interrelacionadas a se cultivar para se preservar a fidelidade ao longo do tempo: Identidade, Intimidade, Integridade e Interação. Neste último artigo da série quero falar sobre interação, ou seja, nossos relacionamentos, e fidelidade.

A fé cristã é relacional. Não é possível, exceto em circunstâncias extremas, imaginar uma vida cristã em isolamento ou à parte de nossos relacionamentos. Jesus definiu com clareza esse princípio conforme registrado em Marcos 12.28-31:

Chegando um dos escribas, que ouviu a discussão entre eles e viu que Jesus tinha dado uma boa resposta, perguntou-lhe: “Qual é o principal de todos os mandamentos?”. Jesus respondeu: “O principal é: ‘Escute, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor! Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, de todo o seu entendimento e com toda a sua força’. O segundo é: ‘Ame o seu próximo como você ama a si mesmo’. Não há outro mandamento maior do que estes”.

O cerne da mensagem cristã é justamente o conceito de que Deus busca reestabelecer um relacionamento rompido pelo ser humano. O próprio conceito bíblico da Trindade aponta para a natureza relacional de nosso Deus. Como consequência direta, somos chamados a mantermos relacionamentos saudáveis por onde formos. Não só com outros cristãos, mas com todos que entrarmos em contato. É óbvio que nem todos os relacionamentos serão profundos. Na verdade, uma fração pequena dos nossos relacionamentos nos permitirá profundidade devido a circunstâncias, tempo e disposição, entre outros fatores. No entanto, sejam profundos ou superficiais, somos chamados a exalar o doce perfume de Cristo em todos os relacionamentos (2Coríntios 2.14-15).

O próprio conceito bíblico da Trindade aponta para a natureza relacional de nosso Deus.

É exatamente por isso que seguir a Jesus inclui necessariamente a participação em uma comunidade de fé. Repetidamente, somos exortados a nos submetermos à comunhão dos irmãos, à instrução de líderes e às pressões de uma igreja. Tendo participado de igrejas por mais de cinquenta anos e pastoreado por quase trinta, conheço de perto os problemas, decepções, políticas e mesmo traições que ocorrem nesse contexto. Ao mesmo tempo, conheço o amor, o sacrifício, o investimento pessoal, o ensino e a ministração mútua que tanto abençoaram minha vida. Basta olharmos o texto de Hebreus 10.25 para ganharmos um pequeno vislumbre da instrução bíblica:

Não deixemos de nos congregar, como é costume de alguns. Pelo contrário, façamos admoestações, ainda mais agora que vocês veem que o Dia se aproxima.

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Dois alertas, no entanto, são necessários com respeito a interações. A instrução bíblica não é que tenhamos qualquer tipo de relacionamento. Na verdade, existem relacionamentos que devem ser corrigidos ou mesmo evitados. Infelizmente, seguindo um evangelho distorcido, vários cristãos afirmam que “todo amor é válido”, justificando assim uma série de relacionamentos que ofendem a Deus. Alguns princípios que devem guiar nossas interações:

  1. Evitar más companhias em geral (1Coríntios 15.33), pois estas vão afetar hábitos e costumes saudáveis que desenvolvemos mediante muita disciplina.

  2. Afastar-se de pessoas que, afirmando serem cristãs, mantêm comportamento imoral sem arrependimento. Essas pessoas negam por meio do seu procedimento o poder de Deus em quem afirmam crer (1Coríntios 5.9-11).

  3. Qualquer pessoa que seja mais importante para nós do que nosso relacionamento com Deus. É muito comum que relacionamentos legítimos cresçam em importância em nossas vidas. Como cristãos, somos chamados a tomar cuidado com essa relação, pois não só é uma forma de idolatria, como também impede nosso crescimento em Cristo (Lucas 14.26).

A instrução bíblica não é que tenhamos qualquer tipo de relacionamento. Na verdade, existem relacionamentos que devem ser corrigidos ou mesmo evitados.

Antes de concluir, deixe-me propor que você estude em sua Bíblia a frase “uns aos outros”. Essa frase é usada mais de trinta vezes no Novo Testamento e nos dá uma lista de excelentes princípios sobre o tipo de relacionamento que nos ajuda em nossa caminhada de fidelidade. Por fim, eu gosto muito da passagem de Hebreus 12.1-2: 

Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, livremo-nos de todo peso e do pecado que tão firmemente se apega a nós e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus...

O argumento do autor é que a “grande nuvem de testemunhas” nos estimule a nos mantermos fiéis. Minha oração é que a nuvem de homens e mulheres fiéis ao nosso redor nos estimulem a prosseguirmos rumo a Jesus. Além disso, convido você a, junto comigo, fazermos parte dessa nuvem para aqueles ao nosso redor.

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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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