Chegará o Império da Europa?

J. C. Van de Haar

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Especula-se muito sobre o papel da Europa na profecia bíblica. Ainda que muitas coisas permaneçam obscuras, existem algumas indicações dignas de nota em Daniel e no Apocalipse. Eis aqui um breve resumo.

Babilônia há 2.600 anos: o rei Nabucodonosor tem um sonho. Ele vê “uma estátua enorme”, que é esmagada por uma grande pedra. A cabeça da estátua era “de ouro puro, seu peito e os braços, de prata, o ventre e os quadris eram de bronze, as pernas eram de ferro, e os pés eram em parte de ferro e em parte de barro” (Dn 2.31-34). Mais adiante, Daniel explica que essa imagem representa quatro impérios em sequência: o babilônico, o medo-persa, o greco-macedônico e o romano. De fato esses impérios se sucederam na história mundial e desapareceram um após o outro – exatamente como declara a profecia bíblica. Ou não? O Império Romano não foi esmagado de um golpe, mas esfacelou-se aos poucos.

A explicação é simples: o Império Romano voltará e só então sucumbirá de fato. Após a descrição do “quarto reino” (Dn 2.40), Daniel fala claramente de um “reino dividido” (Dn 2.41). Mesmo assim, ali não está falando de um quinto império. Note o que Nabucodonosor viu: o Império Babilônico, de ouro, é substituído pelo Império Medo-Persa, de prata. O Império Medo-Persa é substituído pelo Império Greco-Macedônico, de bronze, e o Império Greco-Macedônio é substituído pelo Império Romano, de ferro.

Portanto, o império de ferro se levantará novamente. Apenas se acrescentará barro ao ferro. No mais, o “império dividido” é o mesmo que o das “pernas de ferro”.

Daniel 7, onde esses impérios são representados por animais, confirma isso: fala-se de apenas quatro animais. O domínio romano do quarto animal parece apresentar-se aqui como um período contínuo, sem interrupção. Apesar dos dois diferentes estágios, trata-se do mesmo Império Romano.

Patmos, 700 anos depois: a maior parte do sonho de Nabucodonosor já se realizou. O quarto império, o Romano, de ferro, domina o mundo conhecido da época. João, exilado em Patmos “por causa do testemunho de Jesus Cristo”, recebe uma revelação do Senhor a respeito do que “em breve há de acontecer” (Ap 1.1). Entre outras coisas, ele vê “uma besta que saía do mar. Tinha dez chifres e sete cabeças, com dez coroas, uma sobre cada chifre, e em cada cabeça um nome de blasfêmia (Ap 13.1). Comparando-se Daniel 7 com Apocalipse 13, fica claro que João vê o surgimento de um império futuro. Ou melhor: o ressurgimento de um império. Afinal, consta ali que “uma das cabeças da besta parecia ter sofrido um ferimento mortal, mas o ferimento mortal foi curado” (Ap 13.3a; cf. 17.8a). No futuro, um Império Romano revivido ocupará o palco do mundo. Os ímpios “ficarão admirados quando virem a besta, porque ela era, agora não é, e entretanto virá” (Ap 17.8b; 13.3b).

O “dragão”, ou seja, o diabo, dará ao Império Romano revivido “o seu poder, o seu trono e grande autoridade” (Ap 13.2; cf. v. 4). Segundo Apocalipse 17.8, a besta „está para subir do abismo“. O Império Romano revivido terá origem diabólica, o que significa que esse império se insurgirá sem restrições contra Deus (Ap 13.1). Seu caráter diabólico ficará evidente pelo fato de os crentes serem perseguidos da forma mais atroz durante esse período (Ap 13.7). Em Daniel 7.21, o soberano humano desse império é chamado de “chifre” que guerreia “contra os santos” e os derrota. Como ocorre frequentemente, o rosto do império é determinado por aquele que o domina. Em outras palavras: o império reflete seu soberano.

No entanto, esse soberano e seu império “caminha[m] para a perdição” (Ap 17.8). Seu tempo está delimitado com precisão: quarenta e dois meses ou três anos e meio (Ap 13.5). Com a batalha final do Armagedom, o domínio romano será encerrado para sempre (Ap 16.14; 19.19). Daniel 7.11 descreve esse dramático acontecimento de forma incisiva: “Fiquei olhando até que o animal foi morto, e o seu corpo foi destruído e atirado no fogo”. Depois disso, o Império Romano nunca mais se levantará, mas dará lugar a um “reino eterno”, a saber: o Reino de Deus (Dn 7.27). — J. C. Van de Haar

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