Homofobia e cancelamento

Daniel Lima

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Muitos brasileiros foram impactados pelo evento com o atleta de vôlei há duas semanas. Em resumo, ele demonstrou seu desacordo com relação a como um personagem foi apresentado em uma história em quadrinhos. O resultado foi sua demissão e uma série de ataques pessoais feitos em vários jornais de circulação nacional. Tecnicamente, seus comentários não se enquadram no crime de homofobia, mas isso parece ter pouca importância para aqueles que se esforçam para denegrir sua imagem. 

O evento traz à tona alguns sinais de que vivemos em tempos desafiadores para qualquer pessoa que deseje pensar de forma independente. Não está claro em que o atleta baseia suas convicções. Não encontrei nenhuma declaração dele afirmando uma fé cristã, muito embora muitos pastores tenham se posicionado em apoio ao atleta. No entanto, esse episódio pode nos alertar para os tempos que estamos vivendo e nos orientar sobre como agir e reagir.

Observando a Palavra, vemos que Paulo foi usado por Deus para implantar a igreja em Corinto. Essa cidade era conhecida por sua imoralidade e perversão. Sendo assim, quando gentios que viviam sem o rigor moral dos judeus se converteram, começaram sua caminhada com Cristo com inúmeras práticas abomináveis. Em 1Coríntios 6.9-10, Paulo apresenta uma lista dos pecados que eram característicos dos cristãos de Corinto antes de sua conversão. No versículo 11, ele deixa claro que esses irmãos não eram mais assim.

Contudo, um pouco antes desse trecho, Paulo escreve sobre julgar os de dentro e os de fora. Em 1Coríntios 5.9-11 lemos:

Na outra carta, já escrevi a vocês que não se associassem com os impuros. Refiro-me, com isto, não propriamente aos impuros deste mundo, aos avarentos, ladrões ou idólatras, pois, neste caso, vocês teriam de sair do mundo. Mas, agora, escrevo a vocês que não se associem com alguém que, dizendo-se irmão, for devasso, avarento, idólatra, maldizente, bêbado ou ladrão; nem mesmo comam com alguém assim.

Paulo, preocupado com essa comunidade, que era composta de muitos que vinham de uma vida devassa, alerta para que não se associem com imorais. Todavia, ele rapidamente explica que não se refere aos imorais deste mundo, mas aos que, dizendo-se cristãos, vivem na imoralidade. Realmente, se formos evitar pessoas imorais em geral, como vamos manifestar o plano redentor de Deus? Ao longo da história, alguns cristãos tentaram isso por meio de mosteiros e conventos. Os resultados ficaram muito aquém do cumprimento do chamado da igreja para estar no mundo e espalhar as boas novas do evangelho.

No entanto, a partir do versículo 12, Paulo apresenta um outro conceito. Seu raciocínio segue até o capítulo 6, versículo 2.

Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Mas será que vocês não devem julgar os de dentro? Os de fora, esses Deus julgará. Expulsem o malfeitor do meio de vocês. Quando algum de vocês tem uma questão contra outro, como se atreve a submeter isso a juízo diante dos injustos e não diante dos santos? Ou vocês não sabem que os santos hão de julgar o mundo? Ora, se o mundo deverá ser julgado por vocês, será que vocês não são competentes para julgar as coisas mínimas?

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Paulo afirma que haverá um tempo em que vamos julgar o mundo, mas ao mesmo tempo afirma que não devemos julgar os de fora! O tempo em que vamos julgar o mundo refere-se ao período do milênio. Contudo, na presente era, não nos cabe um papel de juízes dos de fora, mas sim dos de dentro, da igreja, ou seja: dos próprios cristãos. O sentido é claro: não somos chamados a atacar ou julgar aqueles que não seguem a Jesus. Em João 3.18, Jesus deixa claro que esses já foram condenados por não crer em Jesus. 

Na presente era, não nos cabe um papel de juízes dos de fora, mas sim dos de dentro, da igreja, ou seja: dos próprios cristãos.

Isso não significa que não devemos ter qualquer posicionamento quanto aos pecados cometidos e mesmo promovidos neste mundo. Jesus, falando aos judeus, afirma em João 7.24: “Não julguem segundo a aparência, mas julguem pela reta justiça”. Dessa forma, precisamos sim condenar os atos e comportamentos pecaminosos. Na verdade, é a tarefa da igreja denunciar esses pecados.

O que fazer então quanto ao evidente avanço da ideologia do gênero com suas perversões? Devemos ficar em silêncio? Certamente não! Mas não nos cabe acusar, rebaixar ou mesmo condenar aqueles que se envolvem e estão cativos dela. Nosso papel é denunciar o pecado, deixando claro que nosso inimigo não é o pecador, mas a própria ideologia. Paulo fala disso em Efésios 6.12: “Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, mas contra os principados e as potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestiais”.

Nosso papel é denunciar o pecado, deixando claro que nosso inimigo não é o pecador, mas a própria ideologia.

Estamos entrando em tempos em que o mero posicionamento será razão de sermos condenados e “cancelados” pelo mundo. Paulo nos alertou que viver piedosamente seria motivo de perseguição (2Timóteo 3.12). No entanto, é em 1Pedro 3.15-16 que encontro uma última instrução sobre como devemos nos posicionar em público:

Pelo contrário, santifiquem a Cristo, como Senhor, no seu coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que pedir razão da esperança que vocês têm. Mas façam isso com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam mal de vocês, fiquem envergonhados esses que difamam a boa conduta que vocês têm em Cristo.

Oro para que, em primeiro lugar, santifiquemos a Cristo em nossos corações, e em segundo lugar, estejamos preparados a explicar nossa fé. E por fim, oro para que nossas palavras sejam ungidas com mansidão e respeito para que o poder de Cristo seja evidenciado muito acima de nossa habilidade em debater.

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Daniel Lima foi pastor de igreja local por mais de 25 anos. Formado em psicologia, mestre em educação cristã e doutor em formação de líderes no Fuller Theological Seminary, EUA. Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida por 5 anos, é autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem 4 filhos, uma neta e vive no Rio Grande do Sul desde 1995.

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