Galileia (Terça-feira, 13 de junho)

Daniel Lima

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Hoje foi nosso último dia na Galileia e último dia inteiro em Israel. Fizemos uma visita às ruínas da antiga cidade de Megido, à igreja da Anunciação e à vila de Nazaré. Este local é uma réplica de uma aldeia judaica da época de Cristo. Localiza-se na cidade de Nazaré, mas não necessariamente no local histórico onde a vila começou. O propósito é demonstrar como era a vida na vila onde Jesus cresceu. Vimos criação de ovelhas, colheita de uvas, romãs, como eram construídas as casas, como era feito o vinho, visitamos a olaria e a prensa de azeitonas. Por fim, foi nos servida uma refeição com comida típica. Que experiência especial! Para mim, este foi o ponto alto do dia. Na madrugada seguinte, saímos para nossa viagem de volta ao Brasil.

Enquanto visitávamos a sinagoga, o guia nos relembrou da pregação de Jesus em Nazaré, quando foi rejeitado por sua própria gente (Lucas 4.14-30). O ministério de Jesus já era famoso e seu poder havia sido testemunhado em muitos lugares. Chegando em sua cidade natal, ele foi à sinagoga, como era seu costume. Ali lhe foi dado o rolo para ler no livro do profeta Isaías. De acordo com a tradição rabínica, havia uma sequência de passagens a serem lidas a cada sábado. A passagem que ele deveria ler era bem mais longa do que ele leu. Na verdade, ele deveria ter lido vários capítulos de Isaías. No entanto, ao chegar na profecia do Messias, ele interrompeu a leitura e devolveu o rolo. 

Uma vez mais, na tradição rabínica, após a leitura era costume comentar a passagem lida. Tendo interrompido a leitura muito antes do que era esperado, era natural, como diz o texto (v. 20), que todos tivessem os olhos fitos nele. Ali ele faz a declaração de que nele a profecia estava cumprida. Essa declaração gerou não só espanto, mas também a ira dos ouvintes. Afinal, eles conheciam Jesus desde pequeno. Como poderia ele ser o Messias? Há duas lições importantes nessa rejeição, às quais devemos estar alertas em nossas próprias vidas: banalização e arrogância.

Creio que, às vezes, em nossa vida, perdemos uma benção ou não ouvimos aquilo que o Senhor quer nos dizer pois tornamos seu mover entre nós algo banal.

Banalização trata-se de um hábito muito comum de nos “acostumarmos” com as coisas de Deus. Ouvimos a Palavra, ouvimos do mover de Deus, Deus fala ao nosso coração e, com o tempo, passamos a achar tudo isso normal. O povo de Nazaré conviveu com Jesus por anos. Para mim, é impossível que não tenham reparado que este era um menino e, mais tarde, um jovem excepcional. O filho de José e Maria já havia surpreendido os mestres do templo com seu entendimento (Lucas 2.42). Inclusive Lucas registra que “Jesus ia crescendo em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e dos homens” (Lucas 2.52). Ainda assim, quando o tão esperado Messias chegou, eles não o reconheceram. Creio que, às vezes, em nossa vida, perdemos uma benção ou não ouvimos aquilo que o Senhor quer nos dizer pois tornamos seu mover entre nós algo banal.

A arrogância do povo judeu estava baseada no fato de que as promessas haviam sido feitas para eles. No entanto, não se deram conta de que essas promessas não eram somente para eles, mas, por meio deles, para todos os povos (Gênesis 12.3). O que enfureceu ainda mais o povo de Nazaré foi quando Jesus os alertou que outros viriam e ouviriam antes deles, pois tinham seus corações sedentos. A arrogância pode surgir em nossas vidas quando procuramos determinar como Deus vai falar ao nosso coração. Certamente toda a palavra que vier de Deus estará em total sintonia com sua Palavra revelada na Bíblia. No entanto, tenho experimentado Deus chamando minha atenção por textos, canções, opiniões de irmãos ou mesmo eventos.

Minha oração por você e por mim é que estejamos com os ouvidos espirituais atentos e com os olhos bem abertos para ouvirmos o que Deus tem a nos dizer. Por um lado, com disposição de aprender, por outro, com cuidado para não ser levado de cá pra lá por todo vento de doutrina (Efésios 4.14). E para aqueles que Deus assim permitir, até a nossa próxima viagem a Israel!

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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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