Éfeso, Turquia (Quarta-feira, 31 de maio)

Daniel Lima

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No dia seguinte chegamos em Kusadasi, antiga Éfeso. Esse foi para mim um dos dias mais emocionantes. Éfeso está intimamente ligada ao apóstolo Paulo, ainda que tenha sido pastoreada pelo apóstolo João. Há anos tenho estudado sobre a vida, as cartas e os ensinos de Paulo. Tenho admirado esse homem intenso, radical e com uma vida tão completamente dedicada ao Senhor. Tenho buscado imaginar como foi difícil para ele abandonar todo seu antigo entendimento sobre Deus e reestruturar tudo o que conhecia sobre o Senhor. No entanto, tudo que foi necessário foi um encontro com o Senhor e sua vida foi transformada. Anseio por um coração tão intenso e maleável como o de Paulo.

Em Éfeso visitamos a Basílica de São João, local onde, por alguns anos, esteve enterrado o apóstolo. Mais uma vez uma estrutura imponente, mas hoje vazia. Sua história está ligada a guerras e saques, tanto de muçulmanos como de cristãos. O ponto de maior impacto, no entanto, foi o sítio arqueológico de Éfeso. Tanto pela sua extensão como pelo seu excelente estado de conservação, Éfeso é uma visita marcante. Ali andamos pela via que conduzia ao porto de Éfeso, hoje assoreado. Entramos no teatro da cidade, local impressionante não só pelo seu tamanho, como também por uma acústica ainda funcional. Em um anfiteatro aberto com capacidade para 25 mil espectadores, eu pude falar no palco (ou arena) e era ouvido por amigos nas arquibancadas mais distantes. Nesse local ocorria não apenas apresentações teatrais, mas execuções de inimigos do estado, inclusive cristãos. Talvez o evento mais conhecido que ocorreu ali foi a assembleia de cidadãos indignados com Paulo e seu ministério, que por cerca de duas horas gritaram: “Grande é a Ártemis dos efésios!” (Atos 19.34). Ali perto fica a biblioteca de Celso. À sua frente há uma praça, da qual saem pelo menos três avenidas com pórticos. Em uma dessas avenidas ficava a famosa escola de Tirano (Atos 19.9), que Paulo usou em seu ministério de ensino que atingiu praticamente toda a região.

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Parei alguns minutos olhando e tentando imaginar como Paulo tinha visto essa cidade; o movimento, a riqueza, a idolatria, mas, acima de tudo, as pessoas. Seu ministério ali foi talvez o de maior impacto em termos da evangelização do mundo da época. Foi ali também que primeiro Timóteo e depois João pastorearam uma igreja viva e de grande influência. Jesus, em Apocalipse 2.1-7, reconhece naquela igreja fidelidade e conhecimento da verdade, além de rigor com a doutrina. No entanto, Jesus os repreende pois deixaram de lado o primeiro amor. 

Jesus, em Apocalipse 2.1-7, reconhece [em Éfeso] fidelidade e conhecimento da verdade, além de rigor com a doutrina.

Uma vez mais fui confrontado por essas palavras. Infelizmente, creio que é comum que nós, cristãos evangélicos conservadores, sejamos firmes na palavra e suportemos perseguições, mas abandonemos o primeiro amor. Penso em minha igreja, mas também em minha própria vida. Reconheci ali que muitas vezes eu estava certo, mas agi mais com rigor do que com amor. Não me entendam mal! Amor, quando provém de Deus, não abre mão da verdade, portanto exige também rigor e firmeza. No entanto, como discípulos do Mestre, deveríamos ser conhecidos pelo amor (João 13.35). Li anos atrás um pastor que defendia que o maior teste de nosso crescimento espiritual não é o quanto temos aprendido, ou sequer o quanto temos feito em nome de Deus, mas o quanto temos amado em seu nome. Concordo com esta observação. Oro por mim e por você, que hoje eu ame mais do que amei ontem e que amanhã eu ame mais do que estou amando hoje. Tudo isso sem abrir mão da verdade.

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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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