Dois Reis, Duas Histórias

Daniel Lima

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Você já lamentou não ter algumas oportunidades? Quem sabe você viu alguém progredir, seja profissional, seja espiritualmente, e lamentou não ter tido as mesmas oportunidades que essa pessoa. Eu tenho descoberto que o que determina o resultado de nossa caminhada não são as oportunidades, mas como reagimos a elas.

Nas três últimas semanas, escrevi sobre a vida de Joás, rei de Judá, descendente de Davi. Joás, nascido na casa real, foi salvo da morte ainda bebê. Foi criado por um casal temente a Deus e foi coroado ainda criança. Teve um mentor que temia a Deus e era homem justo e que buscava o bem de Judá. No entanto, assim que este morreu, Joás se afastou de Deus, chegando mesmo a matar seu irmão adotivo que o confrontou.

Em comparação, Davi nasceu em uma família de fazendeiros, e, como Joás, era o filho caçula e teve sua vida salva em várias situações. Ambos realizaram grandes obras, levando o povo a adorar a Deus. No entanto, Davi é reconhecido como o “homem segundo o coração de Deus” (Atos 13.22), enquanto Joás foi assassinado e enterrado fora do cemitério dos reis, pois o povo se lembrou de seu pecado.

Davi é reconhecido como o “homem segundo o coração de Deus” (Atos 13.22).

Davi também cometeu pecados e até mesmo assassinato. O mais escandaloso foi o adultério com Bate-Seba e o subsequente assassinato de seu marido, Urias. Qual a diferença? Por que ele é chamado de homem segundo o coração de Deus? Ao olharmos de perto, fica evidente que a grande diferença não foram os atos de justiça de Davi, ou mesmo sua espiritualidade expressa em seus salmos. Essas coisas eram resultado de uma atitude do coração. 

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Deixe-me examinar pelo menos três situações em que a resposta de Davi ao ser confrontado era de pronto arrependimento:

  1.  Ao ser confrontado por Abigail, em 1Samuel 25.23-31. Davi estava à frente de uma tropa de 400 homens que se consideravam ofendidos por Nabal. A promessa de Davi era de exterminar toda a família de Nabal. A mulher de Nabal, Abigail, intervém, oferece presentes e, com muita graça, repreende a Davi, encorajando-o a não exercer vingança. A resposta de Davi nos versos 32-33 é: “Bendito o Senhor, Deus de Israel, que hoje mandou você ao meu encontro. Bendita seja a sua prudência, e bendita seja você mesma, que hoje me impediu de derramar sangue e de me vingar com as minhas próprias mãos”. Ele não só acata a palavra de Abigail, como reconhece a mão de Deus e a abençoa!

  2. Ao ser confrontado pelo profeta Natã após o adultério de assassinato de Urias (2Samuel 12.1-12). Natã introduz o tema por meio de uma parábola e a seguir confronta duramente Davi. A resposta de Davi, nesse caso, é ainda mais breve: “Pequei contra o Senhor” (2Samuel 12.13). Ele não se defende, não se explica, não busca diminuir sua culpa. Nesse momento, ele está rendido diante de Deus. Há anos ouvi uma frase que expressa bem essa situação: “O verdadeiro arrependimento olha apenas sua própria culpa”.

  3. Ao realizar o recenseamento em 2Samuel 24, Davi cai em si e mais uma vez demonstra prontamente seu arrependimento: “Cometi um grande pecado ao fazer o que fiz. Mas agora, ó Senhor, peço-te que perdoes a iniquidade do teu servo, porque fiz uma grande loucura”. Mais uma vez, ele se arrepende e busca o Senhor, implorando seu perdão.

Davi era um homem pronto a reconhecer seus pecados. Ele estava sempre pronto a se arrepender e clamar pela misericórdia de Deus.

Davi era um homem pronto a reconhecer seus pecados. Ele estava sempre pronto a se arrepender e clamar pela misericórdia de Deus. Um coração pronto a se arrepender encontra eco no coração de Deus, pois Deus ama exercer sua misericórdia. Ao escrever o livro de Salmos, Davi expressa mais uma vez sua confiança no coração perdoador de Deus. Em Salmos 51.16-17, lemos:

“Pois não te agradas de sacrifícios; do contrário, eu os ofereceria; e não tens prazer em holocaustos. Sacrifício agradável a Deus é o espírito quebrantado; coração quebrantado e contrito, não o desprezarás, ó Deus.”

Davi declara com ousadia que o coração de Deus se agrada de corações quebrantados e espíritos abatidos. Essa é a atitude de um homem ou mulher de Deus. Nossa vida espiritual não é determinada por oportunidades, mas por nossa reação diante das oportunidades que Deus envia em nossa vida. 

Minha oração por minha vida e pela sua é que nossos corações estejam, como o de Davi, sempre prontos a se quebrantar, sempre prontos a abandonar seus próprios caminhos e se alinhar com o próprio coração de Deus.

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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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