Consertar, trocar ou aguardar?

Daniel Lima

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A mente humana, especialmente a masculina, foi programada para solucionar problemas. Isso não significa que conseguimos solucioná-los, apenas que essa é a inclinação do homem. Toda vez que alguém nos fala de um problema, nosso cérebro começa a analisar o problema, busca soluções e as apresenta. Não importa o quão ingênuas, ou o quanto desconhecemos o problema... Ao ouvi-lo, tentamos solucioná-lo.

Isso gera muitos problemas em nossa comunicação. É comum que tentemos solucionar um problema antes mesmo de entendê-lo. Por outro lado, se não conseguimos solucionar um problema, tendemos a não mais querer ouvir sobre isso. Temos baixa tolerância para problemas não resolvidos. Nesse momento, nossa tendência se volta para trocar aquilo que apresentou problemas. Ou seja, se não posso resolver, quero evitar ou trocar o que está quebrado. 

O mundo moderno parece ter adotado e elevado essa característica a uma regra geral. Assim, quando enfrentamos um problema que não conseguimos resolver, a solução é trocar o aparelho, a situação ou o relacionamento! Somos especialistas em trocas de problemas aparentemente insolúveis. A própria indústria trabalha com o conceito de obsolescência programada, ou seja, dentro de um determinado período, o produto terá de ser substituído.

Aguardar desafia nossa mente moderna que deseja resultados imediatos, trocando a pessoa, o aparelho ou a situação.

A vida cristã, no entanto, parece propor uma terceira alternativa: aguardar! Aguardar não é sinônimo de apatia ou de paralisia. Aguardar desafia nossa mente moderna que deseja resultados imediatos, trocando a pessoa, o aparelho ou a situação. Aguardar desafia nosso espírito humano que está sempre em atividade para conquistar aquilo pelo que ansiamos.

Os exemplos de como seres humanos tentaram consertar ou trocar algo ao invés de aguardar são abundantes. Abrão e Sarai tentaram resolver o problema de infertilidade trocando a mãe e criaram uma grande confusão (Gênesis 16). Moisés tentou consertar a opressão de seu povo matando o egípcio, o que resultou em quarenta anos no deserto (Êxodo 2). Saul tentou resolver o atraso de Samuel trocando aquele que deveria fazer o sacrifício e o resultado foi a perda do trono (1Samuel 13). E esses são apenas exemplos superficiais.

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Ao mesmo tempo, temos excelentes exemplos de pessoas que aguardaram a promessa em Deus e o resultado foi benção! José, apesar de injustiçado, aguardou a promessa e com isso foi reconhecido e elevado a uma situação em que pôde salvar sua família da fome (Gênesis 41–47). Davi aguardou o momento de assumir o trono e com isso recebeu a promessa de que sua linhagem incluiria o Messias (2Samuel 7). 

Se Deus deseja que eu intervenha ou “conserte”, certamente será de acordo com sua Palavra.

Aguardar é uma declaração de fé no Senhor. No entanto, a pergunta que permanece é: quando você deve consertar, quando trocar ou quando simplesmente aguardar? Certamente, a resposta demanda muito discernimento e cada situação pode ter uma resposta do Senhor. No entanto, creio que podemos alistar alguns princípios norteadores quando enfrentamos algum problema:

  1. Há muitas situações em que Deus deixa claro sua vontade e até mesmo confirma que ele vai usar você para solucionar um problema. No entanto, isso não significa que isso acontecerá nesse momento em que você acha certo. Abraão esperou pela promessa do seu filho por 25 anos, Moisés esteve no deserto por quarenta anos, Davi, mesmo reconhecido por Samuel como sendo o próximo rei, aguardou 22 anos pelo cumprimento da promessa. Mesmo quando a promessa foi feita, é fundamental aguardar o tempo do Senhor!

  2. Deus nos fortalece enquanto aguardamos (Isaías 40.31). Aguardar não é sinal de fraqueza, mas de dependência de Deus. Com muita frequência, o tempo de espera é tempo de formação e preparo. Tanto Moisés como Davi foram profundamente transformados durante seus longos períodos de espera.

  3. Se Deus deseja que eu intervenha ou “conserte”, certamente será de acordo com sua Palavra (2Timóteo 3.16). Isso pode parecer simples demais, mas eu me lembro de um jovem cristão que entrou em minha sala para me explicar como Deus havia mostrado que ele deveria deixar sua esposa para se casar com outra mulher. Não só essa não era uma solução, como também foi fator de profunda dor para todos os envolvidos.

  4. Se Deus deseja que você “troque” algo ou alguém, ele vai remover o antigo para trazer o novo. Não assuma o papel daquele que vai remover alguém para tomar seu lugar, ou de alguém que vai romper antigos compromissos por outros mais atraentes. Quando isso acontece, o mais provável é que ouvimos mais nosso ego do que a voz do Senhor! O melhor exemplo é o de Davi, que já tinha a promessa de que ele seria rei de Israel e de que o ocupante do trono (Saul) estava longe de ser adequado. Ainda assim, sua atitude foi de esperar para que Deus realizasse a troca (1Samuel 26.10).

Diante dos muitos problemas da vida, minha oração por mim e por você é que em primeiro lugar busquemos ao Senhor. Nossa pergunta então deve ser: devo intervir, devo trocar ou devo aguardar? Acredito que eu mesmo teria evitado muita dor em minha vida e na vida de outros se eu tivesse usado mais esse simples procedimento.

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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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