Como Reagir ao Ódio sem Ódio?

Daniel Lima

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Ao longo dos últimos tempos, talvez mais pontualmente nos últimos meses, temos lidado com discursos de ódio. Nessas últimas semanas têm sido promulgadas frases e conceitos evidentemente antissemitas em muitas universidades norte americanas, em prol da liberdade e da igualdade. Por exemplo, quando um dos líderes desse movimento propôs a solução final para todos os judeus, em uma clara referência ao projeto de genocídio (no seu sentido mais clássico) do regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Ou de maneira mais simples, quando estudantes judeus são impedidos de entrar em um campus de uma universidade da qual são alunos. Ao pregarem a igualdade e a justiça, esses movimentos têm promovido o extermínio e o ódio.

No entanto, o problema vai muito além de movimentos estudantis, conhecidos por seus extremos. Tenho lido e ouvido políticos de esquerda afirmando que precisam esvaziar o “poder dos evangélicos”, alguns até mesmo propondo estabelecer limites de atuação política para aqueles que se declaram evangélicos. Talvez ainda mais contundente, pelo menos para mim, é ouvir líderes evangélicos progressistas que denunciam os demais evangélicos a partir de critérios e conceitos típicos de ideologia de esquerda. Talvez um exemplo máximo tenha sido a denúncia de racismo feita por um cantor evangélico contra um hino tradicional que utiliza um texto bíblico. Para ele, essa é uma prova irrefutável do racismo da igreja evangélica.

Não importa o quão mentirosa, distorcida ou equivocada seja uma posição, se nossa reação é de ódio (alguns até chamam de “santa indignação”), esta me parece equivocada.

Não sei quanto a você, mas todas essas posições geram em mim uma reação de aversão que poderia facilmente “escorregar” para o ódio, o qual eu condeno em qualquer aspecto. Não importa o quão mentirosa, distorcida ou equivocada seja uma posição, se nossa reação é de ódio (alguns até chamam de “santa indignação”), esta me parece equivocada. Tenho buscado compreender essas reações, tanto em mim como nos outros, e como alinhá-las à vontade de Deus. Deixe-me compartilhar com você algumas de minhas reflexões, especialmente na passagem de João 15.18-27. Nessa passagem, vejo Jesus tratando de três perguntas: (1) por que o mundo odeia os cristãos?; (2) por que o mundo odeia Cristo?; e (3) qual minha responsabilidade como cristão diante disso?

1. Por que o mundo odeia os cristãos?

Repare que a expressão é ódio mesmo. A intolerância enfrentada por cristãos tem crescido ao redor do mundo, chegando com frequência a agressões, perseguições e assassinatos. Por que somos odiados? Existem duas razões apresentadas nos versículos 18 a 20: (1) o mundo nos odeia pois não pertencemos a ele. Em outras palavras, somos diferentes (João 17.16). Tudo que é diferente é suspeito e, em muitos casos, é odiado. (2) Além disso, somos odiados por nossa identificação com Jesus. Não se engane, o mundo odeia Jesus. Eles amam uma versão adaptada, confortável, politicamente correta de Jesus, mas o Jesus que veio para nos salvar de nossos pecados é odiado como intolerante, autoritário e julgador. Quando mais vivermos como Jesus, mais seremos odiados (2Timóteo 3.12).

O mundo ama uma versão adaptada, confortável, politicamente correta de Jesus, mas o Jesus que veio para nos salvar de nossos pecados é odiado como intolerante, autoritário e julgador.

2. Por que o mundo odeia Jesus? 

A resposta mais simples é dada na citação de Salmos 69.4, no final de João 15.25: “Odiaram-me sem razão”. Esse ódio é sem razão, pois Deus enviou Jesus em amor. No entanto, existem pelo menos duas razões para esse ódio a Jesus, conforme ele nos fala nos versículos 21 a 25 dessa passagem: (1) Jesus expõe os pecados do mundo (João 8.8-9). Por isso, o Jesus construído conforme a ideologia do mundo é aceito, pois esta caricatura de Cristo não expõe pecados, apenas apazigua seus conflitos interiores. Assim, amor sem verdade (e sem arrependimento) é um amor falso, que se traduz em deixar a pessoa feliz, mas condená-la eternamente. (2) Odeiam a Jesus porque odeiam o Pai – a noção de um Deus soberano, Criador e que é absoluto, é absolutamente contrária a uma mentalidade que não aceita autoridade. No entanto, é impossível aceitar um sem o outro, visto que Jesus e o Pai são um (João 10.30).

3. Qual minha responsabilidade?

Os versículos 26 e 27 nos dão uma orientação muito clara quanto a qual nosso papel como seguidores de Cristo. (1) Primeiramente, Jesus nos lembra do Espírito Santo que ele vai enviar, mas que procede do Pai. Essa é uma bela passagem sobre a Trindade. É o Espírito que vai dar testemunho àqueles que odeiam o Pai, Jesus e nós. É pelo poder do Espírito que podemos reagir de uma forma sobrenatural, mesmo diante de nossos instintos de autodefesa ou de hostilidade. E é justamente essa promessa, a ser realizada no evento de Pentecostes, descrito em Atos 2, que nos leva ao segundo ponto sobre nossa responsabilidade. (2) Somos chamados a testemunhar. No versículo 27, Jesus ainda destaca a base desse testemunho: “Pois estão comigo desde o princípio”. É justamente por estarmos com Cristo (no capítulo 15, Jesus ensina sobre o “permanecer”) que somos recipientes do Espírito Santo.

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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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