Capadócia, Turquia (Sexta-feira, 02 de junho)

Daniel Lima

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Chegamos na noite anterior na Capadócia. Esta é uma região mencionada apenas de passagem no texto bíblico (Atos 2.9). Uma região muito árida, com uma beleza surpreendente. Na noite anterior, muitos do nosso grupo aproveitaram as piscinas de água térmica do hotel. Na manhã de sexta, bem cedo, alguns de nós saíram para uma experiência única, um voo em balões de ar quente. Saímos ainda no escuro e, mesmo para os que têm medo de altura, a experiência foi encantadora. Sobrevoamos vales e pequenos desfiladeiros, passando por entre morros e pedras. Logo depois, unimo-nos ao restante do grupo e fizemos várias visitas. Uma delas foi a uma cidade subterrânea construída pelos hititas, com capacidade para centenas de pessoas, e usada como refúgio em várias épocas, inclusive para cristãos durante a perseguição.

Por fim, visitamos um mosteiro escavado na rocha típica da região. Para a maioria de nós, a expressão “mosteiro” traz à mente imagens de um antigo castelo e uma fé muito distante da nossa. O mosteiro se espalha por várias colinas, em dezenas de cavernas e espaços escavados. São capelas, dormitórios, refeitórios, oficinas e tudo o que era necessário para uma comunidade grande sobreviver.

O mosteiro que visitamos era grande, e abrigou alguns dos mais destacados líderes da igreja cristã, conhecidos como “pais capadócios”. Basílio e Gregório de Níssa eram irmãos; seu amigo, Gregório de Nazianzo, completava o trio. Esses homens foram fundamentais na explicação da doutrina da trindade. Isso pode parecer muito distante para alguns, sem importância. No entanto, o que eles tiveram o privilégio de explicar e defender foi tanto a divindade de Cristo – tema muito disputado na época –, como a divindade do Espírito Santo, visto por alguns apenas como uma manifestação de Deus Pai.

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Ao contrário do que alguns podem pensar, a influência desses homens não se resumiu apenas ao campo de discussões teológicas, distante da prática da igreja. O movimento que eles lideraram teve uma forte influência na conversão e no crescimento da igreja da época. Durante o período em que o mosteiro esteve em atividade, estima-se que a população cristã na região chegava a mais de cinquenta mil pessoas.

Fiquei impressionado com o esforço e o trabalho realizado por esses nossos irmãos há tantos anos. Confesso que minha primeira reação, como evangélico brasileiro, foi estranhar as inúmeras gravuras nas paredes das capelas. Pouco a pouco, comecei a refletir que, para um povo majoritariamente analfabeto, era necessário contar a história da criação e do evangelho. Dessa forma, aqueles monges e líderes cristãos convocaram artistas que pudessem explicar de forma gráfica a nossa fé.

[Costumes e tradições] não podem superar a suprema importância de sermos mensageiros do evangelho.

Lembrei-me então das palavras do apóstolo Paulo em 1Coríntios 9.22-23: “Para com os fracos tornei-me fraco, para ganhar os fracos. Tornei-me tudo para com todos, para de alguma forma salvar alguns. Faço tudo isso por causa do evangelho, para ser coparticipante dele”. Com frequência, como evangélicos, ficamos por demais entrincheirados em nossos costumes e tradições. Com certeza todos tem seu valor, mas estes não podem superar a suprema importância de sermos mensageiros do evangelho. Paulo, não só acostumado, mas criado nos costumes judaicos e tendo-os ensinado, compreendeu rapidamente que o evangelho tinha um valor muito maior. Ele mesmo afirma isso em Filipenses 3.7-9:

“Mas o que para mim era lucro passei a considerar como perda, por causa de Cristo. Mais do que isso, considero tudo como perda, comparado com a suprema grandeza do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor, por quem perdi todas as coisas. Eu as considero como esterco para poder ganhar Cristo e ser encontrado nele, não tendo a minha própria justiça que procede da Lei, mas a que vem mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus e se baseia na fé”.

É saudável desenvolvermos tradições e aplicarmos a Palavra criando costumes que nos aproximam de Deus. Minha oração por mim mesmo, no entanto, é que minhas tradições e costumes não sejam empecilho para que eu viva e apresente a “suprema grandeza do conhecimento de Cristo”!

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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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