A Mensagem do Natal

Daniel Lima

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Entre os muitos erros que um escritor pode cometer, existe o erro de sufocar a ideia com um excesso de informações. Sejam muitos personagens, ou uma linha de história muito confusa ou desconexa, ou um mundo que não seja coerente. Uma boa história pode desafiar nossa perspectiva da realidade, mas tem de ser coesa.

O Natal definitivamente é uma dessas histórias que, com o tempo, ficou sufocada com um excesso de narrativas paralelas que, talvez no início, tenham tido a intenção de melhorar a narrativa. A inclusão de personagens extras, histórias paralelas, ou mesmo tradições pagãs, acaba por ofuscar a essência da narrativa do Natal.

É curioso observar que, dos quatro evangelhos bíblicos, três deles trazem relatos bastante detalhados do nascimento de Cristo. Mateus, Marcos e Lucas descrevem, com mais ou menos detalhes, o nascimento de nosso Salvador. Já o quarto evangelho não descreve o nascimento de Cristo, mas talvez seja o relato mais claro da essência do Natal. O Espírito Santo inspirou João a escrever não um relato dos eventos, mas a própria essência do que ocorreu.

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Lendo o primeiro capítulo dos versos 1 ao 14, identifico cinco elementos dessa mensagem que é expressa na narrativa do Natal relatada pelos outros evangelistas. São elas:

  1. Jesus é Deus. Os primeiros dois versos afirmam: “No princípio era aquele que é a Palavra. Ele estava com Deus e era Deus. Ele estava com Deus no princípio”. Essa é uma introdução não só de um, mas de dois personagens centrais. O terceiro personagem, o Espírito Santo, será introduzido mais adiante. O primeiro personagem é a Palavra. Aqui não se trata de palavra como emissão de som, ou mesmo de palavra escrita, mas daquele que é a própria expressão de Deus. Esse personagem é eterno, pois estava com Deus antes mesmo de existir o tempo. Quanto tudo teve início, ele, Jesus, já estava presente.

Não só estava com Deus, demonstrando sua relação pessoal e eterna com o Pai, mas também é seu equivalente. João afirma da forma mais direta que a Palavra era Deus. E repare que, nesse sentido, a Palavra não era só uma extensão de Deus, pois estava com Deus como pessoa distinta. Na sequência, João apresenta o segundo personagem (na ordem de apresentação), que é o próprio Deus. Esse é um personagem conhecido de seu público. Como israelitas, todos seus leitores tinham um conceito claro de quem era Deus Pai.

  1. Jesus traz vida e luz. Descrevendo então com mais clareza o personagem que está sendo apresentado, já que Deus Pai dispensava maiores apresentações, João passa a descrever Jesus. Nos versos 3 a 5 de João 1, lemos:

“Todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele, nada do que existe teria sido feito. Nele estava a vida, e esta era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas, e as trevas não a derrotaram.”

Existem aqui pelo menos três declarações sobre Jesus Cristo, o personagem de destaque nesse relato. Primeiramente, ele não foi apenas um observador no ato da Criação, ele é o agente criador. Isso aponta mais uma vez para sua autoridade. Em segundo lugar, ele tem em si a luz e a vida para os homens. A saber, Jesus é muito mais do que isso, mas, para nossa compreensão nesse momento, basta saber que ele é a própria vida e luz para nós. Ou seja, esse novo mas eterno personagem tem em si o que precisamos. Ele é o herói que aguardávamos desde o princípio da humanidade. E, por fim, ele se opõe e resiste às trevas. As trevas são sempre o inimigo temido, agora temos um herói que pode vencê-las.

Jesus é o herói que aguardávamos desde o princípio da humanidade. Ele se opõe e resiste às trevas.

  1. Jesus foi rejeitado. No entanto, os próximos versos (após o trecho sobre João Batista, versos 7 e 8) afirmam uma reviravolta ou um problema que surge na chegada de nosso Salvador... Lemos assim os versos 9 a 11:

“Estava chegando ao mundo a verdadeira luz, que ilumina todos os homens. Aquele que é a Palavra estava no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele, mas o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.”

O inacreditável acontece. Aquele que é nossa esperança, que é nosso Salvador, que deveria ser acolhido com braços abertos, não é reconhecido e, ainda pior, é rejeitado.

  1. Jesus e os filhos de Deus. Em meio a esse momento de tensão (nossa esperança foi rejeitada), uma alternativa de esperança é encontrada: aqueles que o receberam foram salvos. João 1.12-13 declara: 

“Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus.”

Por meio de uma nova “virada” na história, alguns sim o receberam e, para estes, a história toma uma nova dimensão: eles são feitos filhos de Deus! O relato afirma então que essa transformação não foi por poder humano – na verdade, supera não só a capacidade como também a própria esperança dos seres humanos. Esses foram transformados em filhos pelo próprio Deus. Qualquer pessoa, ao ler esse ponto da história, começa a pensar: “E se eu também o recebesse?”.

Aquele personagem apresentado como alguém igual a Deus – como o próprio Deus, mas ainda assim distinto do Pai – veio, viveu entre nós e foi possível ver a glória do próprio Deus nele.

  1. Jesus é a encarnação de Deus. O verso 14 nos dá o resumo, ou a própria essência dessa mensagem: “Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós. Vimos a sua glória, glória como do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade”. Aquele personagem apresentado como alguém igual a Deus – como o próprio Deus, mas ainda assim distinto do Pai – veio, viveu entre nós e foi possível ver a glória do próprio Deus nele. Esse Jesus veio cheio de graça, o que o torna muito atraente, pois um personagem tão poderoso mas destituído de graça seria apavorante. Mas ele veio também cheio de verdade, ou seja, podemos confiar nele!

Lendo assim o capítulo 1, temos uma descrição profunda e verdadeira da essência do Natal. Minha oração é que, neste ano, ao celebrar o Natal, você e eu possamos adorar a Jesus Cristo, que veio para nos salvar.

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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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