O relacionamento com o governo (2.13-17)

Norbert Lieth

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Em 1Pedro 2.13-17 lemos: “Por causa do Senhor, estejam sujeitos a toda instituição humana, quer seja ao rei, como soberano, quer seja às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem. Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos. Como pessoas livres que são, não usem a liberdade como desculpa para fazer o mal; pelo contrário, vivam como servos de Deus. Tratem todos com honra, amem os irmãos na fé, temam a Deus e honrem o rei”.

Quando observamos hoje como justamente nos países de tradição cristã os governos são depreciados, isto é mais um indício do quanto a sociedade se afastou dos fundamentos da Palavra de Deus. Lemos sobre manifestações com violência contra a propriedade alheia, contra a polícia e contra quem tem convicções diferentes. São greves, xingamentos, zombaria, piadas e ilegalidades de todos os tipos. Quanto aos políticos, alguém disse: “A vingança dos jornalistas contra os políticos é um arquivo”. Isto é, desenterra-se algo do passado e se infla e dissemina aquilo de modo a constranger gravemente certa personalidade política, a ponto de levá-la à renúncia.

Vivemos numa democracia e temos o direito de reclamar, mas também temos o direito de nos submeter. Pedro enfatiza que os governos e as respectivas autoridades foram constituídos para punir os malfeitores e premiar os que fazem o bem, ou seja, para proteção do bem da população, mesmo quando o próprio governo for ímpio.

Vivemos numa democracia e temos o direito de reclamar, mas também temos o direito de nos submeter.

Quando Pedro instrui seus leitores a se submeterem às autoridades estatais, ele referia-se naquela época ao Império Romano sob o imperador Nero, um tirano famoso por sua crueldade. Tanto Pedro como também Paulo perderam a vida durante o seu governo. Mesmo assim, Pedro escreve a respeito: “... honrem o rei” (verso 17).

Pedro oferece três argumentos a favor do bom procedimento do cristão.

1. Por causa do Senhor

Fazer o bem não é uma questão da nossa orientação ou opinião pessoal em relação aos governantes ou às leis, mas o nosso procedimento deve seguir “a vontade de Deus”. Em tudo que fazemos, a motivação deve ser agradar ao Senhor. Como nada ocorre sem a permissão de Deus, sabemos que em última análise foi ele que permitiu algo que atenda a um determinado objetivo. Se, então, recusarmos as instruções de alguma autoridade, rejeitamos a vontade de Deus, que persegue um determinado objetivo.

“Porque assim é a vontade de Deus”, porém, também nos alerta a incorporar toda a nossa vida na vontade dele. Não existe privacidade para a nossa vontade, na qual possamos fazer ou omitir o que bem quisermos. Pertencemos ao Senhor, movemo-nos nele, e isso não só durante o culto quanto aos assuntos da igreja; não só durante o estudo bíblico e na vida familiar cristã, mas também em todas as situações da nossa vida diária.

2. Para silenciar a ignorância dos insensatos

Os cristãos devem submeter-se para dar bom testemunho da causa do Senhor. Fazer o bem é a vontade de Deus e, como servos e servas do Senhor, supriremos a sua vida. “Porque assim é a vontade de Deus, que, pela prática do bem, vocês silenciem a ignorância dos insensatos... vivam como servos de Deus” (versos 15-16). Os insensatos, ignorantes e agnósticos devem ser convencidos ou calados por meio de um bom procedimento.

Isso nos lembra do que o apóstolo Paulo escreveu aos coríntios: “Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto entre os que estão sendo salvos como entre os que estão se perdendo” (2Coríntios 2.15).

Um bom trato com os outros, disposição para ajudar, empenho pelo próximo, falar e calar-se no momento certo, tato nas interações, sabedoria, cautela, não se deixar levar por impulso, praticar o amor, a sinceridade, a confiabilidade e muito mais fazem um efeito muito maior do que muito falatório.

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Praticar o bem faz com que os difamadores do cristianismo se calem, estimula a reflexão e consegue criar sensatez em quem não tem entendimento.

Existem cristãos que elevam o evangelho verbalmente, citando para tudo o versículo bíblico adequado, mas que criticam tudo e todos, ameaçam com o juízo de Deus, não assumem nada, expressam uma postura rigorosa, julgam o tempo todo e ainda se acham superespirituais. Contudo, não alcançam nada junto às outras pessoas, mas enxergam como causa disso a teimosia dos outros.

Praticar o bem faz com que os difamadores do cristianismo se calem, estimula a reflexão e consegue criar sensatez em quem não tem entendimento.

3. Porque ele foi libertado e tornou-se servo de Deus

Embora o cristão seja alguém livre, isso não significa que ele agora seja superior aos governadores, ao seu empregador ou ao próximo. Portanto, não deve usar a liberdade como pretexto para a malícia. Não deve pensar que ser livre significa ser responsável apenas perante Deus, não precisando sujeitar-se mais a homem algum.

O cristão foi libertado para poder praticar o bem de forma altruísta, sem perseguir seus próprios interesses ou ser hipócrita. Ele sempre manterá seu foco em Deus e se submeterá aos ordenamentos e às leis em vigor, servindo assim de bom exemplo. O cristão individual deve sempre enxergar-se em sua obrigação de servir como servo de Deus.

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Norbert Lieth nasceu em 1955 na Alemanha, sendo missionário na América do Sul entre 1978 e 1985. Casado, tem 4 filhas. Hoje faz parte da liderança da Chamada da Meia-Noite em sua sede, na Suíça. O ponto central de seu ministério é a palavra profética, sendo autor de diversos livros e conferencista internacional. Ele estará presente no 22º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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