O comportamento de todos os cristãos (3.8-12)

Norbert Lieth

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Com o começo do versículo 8 – “Finalmente, tenham todos...” –, Pedro chega ao fim dessa temática de submissão e respeito mútuo. Se todos nós nos respeitássemos mutuamente e sem reservas; se cada um não se aproveitasse de sua posição, mas a utilizasse para servir ao próximo, então faríamos parte de um paraíso espiritual na terra.

Como discípulos de Jesus, Pedro menciona sete pontos de como deveríamos nos comportar.

1. Tenham todos o mesmo modo de pensar

Nossa democracia é dominada por diferentes partidos com diferentes ideias, programas partidários, objetivos e, por isso, posicionamentos. Em uma ditadura são afastados os que pensam diferente. Esta é a situação em nosso mundo. No esporte, muitas vezes as equipes que possuem um bom espírito de equipe conseguem vencer.

Na vida cristã deveria ser diferente do que na política; temos somente um único alvo que perseguimos. Temos somente um parâmetro, a Bíblia; somente uma atitude, a de Jesus; somente uma tarefa, a mensagem; somente uma comunhão, a igreja; somente um Espírito, que mantém tudo unido. “Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar de Cristo Jesus” (Filipenses 2.5).

2. Sejam compassivos

A palavra significa “compartilhar sentimentos”. Não desconsiderar os sentimentos do próximo, mas observar e ter compreensão. Trata-se de ter empatia, de compartilhar alegrias e tristezas e ter simpatia.

“Porque não temos sumo sacerdote que não possa se compadecer das nossas fraquezas; pelo contrário, ele foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado” (Hebreus 4.15).

3. Sejam fraternalmente amigos

Considerar e tratar os outros como irmãos. Quando estamos totalmente cheios com algo, não resta espaço para mais nada. Se estamos repletos de amor fraternal, não haverá lugar para mais nada, “porque o amor é tão forte como a morte, e o ciúme é tão duro como a sepultura. As suas chamas são chamas de fogo, são labaredas enormes” (Cântico dos Cânticos 8.6).

Quando estamos totalmente cheios com algo, não resta espaço para mais nada. Se estamos repletos de amor fraternal, não haverá lugar para mais nada.

Se todos tivéssemos essa inclinação fraternal e espiritual, certamente seríamos poupados de muitos fardos e dissensões.

4. Sejam misericordiosos

Misericórdia significa compaixão, algo que movimenta o interior. Isso tem relação com as vísceras. Por isso Deus fala sobre o motivo pelo qual ele não consegue desistir de Israel: “Meu coração se comove dentro de mim; toda a minha compaixão se manifesta” (Oseias 11.8).

A misericórdia é basicamente uma atitude de um coração sensível e caloroso. Ela é o contrário de aspereza, de fria rejeição e de pretensa justiça – essas baseiam-se unicamente na letra e assim não revelam compaixão. A misericórdia procura enxergar e ajudar o próximo em sua necessidade, a incentivar, a salvar. Jesus constantemente demonstrava compaixão com as multidões (veja Mateus 9.36; 15.32). Jesus inseria a misericórdia em suas parábolas. É o que diz a Parábola do Bom Samaritano e do filho pródigo. A parábola da dracma perdida e da ovelha perdida incluem o aspecto da misericórdia.

A parábola de Jesus sobre o servo mau expressa como a misericórdia de Deus age quando há falta de misericórdia: um dos servos devia dez mil talentos ao seu senhor e não conseguia pagá-los; este teve misericórdia e lhe perdoou a dívida. O servo, no entanto, tinha um colega que lhe devia apenas cem denários, o qual ele não perdoou, lançando-o impiedosamente na prisão. O senhor do primeiro servo, no entanto, ficou irado com isso e em seguida condenou o servo impiedoso (veja Mateus 18).

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5. Sejam humildes

Ter atitude humilde. É o contrário de distanciamento. Era a isso que Jesus se referia ao falar dos fariseus e escribas: “[Eles] atam fardos pesados, difíceis de carregar, e os põem sobre os ombros dos outros, mas eles mesmos nem com o dedo querem movê-los” (Mateus 23.4).

Pessoas humildes são úteis à sociedade, ao contrário de autoridades intransigentes. A humildade tem um alcance maior do que exigências opressoras, seja nas igrejas, nas famílias ou nas empresas. Pessoas humildes possuem força de atração e confiabilidade, enquanto as rudes e exigentes são repulsivas. É lógico que a bondosa humildade também precisa ter responsabilidade e igualmente precisa exortar – mas isso com bondade.

6. Não paguem mal com mal nem ofensa com ofensa

Aqui somos convocados a não reagir diante de injustiças sofridas. Por natureza, nos desviamos, reagimos e buscamos compensação. Deus, porém, espera o contrário de nossa parte. Não devemos devolver nem agir com vingança.

O termo “mal” se refere a ações, assim, não devemos usar de violência. Com “insulto” temos a ideia de não nos ser permitido devolver xingamentos, usar palavras de ódio ou de maldição.

Cristãos não lutam com armas de violência, mas com armas espirituais – dessa forma o ganho é muito maior. No entanto, não devemos deixar de reagir. A maneira pela qual devemos reagir é explicada na próxima frase.

7. Respondam com palavras de bênção 

Pedro escreve no versículo 9: “Não paguem mal com mal, nem ofensa com ofensa. Pelo contrário, respondam com palavras de bênção, pois para isto mesmo vocês foram chamados, a fim de receberem bênção por herança”. O cristão também não deve se retrair passivamente, mas responder ativamente com bênção, com base no conhecimento de que ele foi chamado para herdar bênçãos. Quem pertence a uma família real deve reagir como o Rei reage. A bondade gerada pelo Espírito Santo tem mais efeito do que a represália motivada pela carne.

Quem pertence a uma família real deve reagir como o Rei reage.

As exortações que Pedro transmitiu aos cristãos judeus estão totalmente baseadas nas afirmações que Jesus fez aos seus discípulos. Jesus exortou que não se compensasse olho por olho, dente por dente, porém:

“Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês, para demonstrarem que são filhos do Pai de vocês, que está nos céus. Porque ele faz o seu sol nascer sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mateus 5.44-45).

Nós nos tornamos filhos de Deus e somos chamados para herdar bênçãos. Nesse sentido devemos viver de acordo com os princípios do reino de Deus em meio aos reinos deste mundo.

Versículos 10-12

Pelo fato de estar escrevendo a cristãos judeus, Pedro encerra sua explanação com promessas do Antigo Testamento, retiradas dos Salmos 34.12-16 e 37.27:

“Pois: ‘Aquele que quer amar a vida e ter dias felizes refreie a língua do mal e evite que os seus lábios falem palavras enganosas; afaste-se do mal e pratique o bem, busque a paz e empenhe-se por alcançá-la. Porque os olhos do Senhor repousam sobre os justos, e os seus ouvidos estão abertos às suas súplicas, mas o rosto do Senhor está contra aqueles que praticam o mal’.”

É mais saudável viver a partir da paz de Deus, em comunhão com Jesus, do que na ira. Hoje, sabe-se que o ódio é um grande causador de estresse que traz alto risco para doenças cardíacas.

Quem vive de acordo com as orientações da Palavra de Deus tem uma qualidade de vida melhor do que aquele que vive de acordo com as suas emoções naturais. Aquele que consegue superar o mal mediante a paz de Deus, e que transmite esta paz, viverá nela e, assim, terá uma vida melhor.

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Norbert Lieth nasceu em 1955 na Alemanha, sendo missionário na América do Sul entre 1978 e 1985. Casado, tem 4 filhas. Hoje faz parte da liderança da Chamada da Meia-Noite em sua sede, na Suíça. O ponto central de seu ministério é a palavra profética, sendo autor de diversos livros e conferencista internacional. Ele estará presente no 22º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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