Onde ponho minha esperança?

Daniel Lima

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Estamos na semana das eleições municipais no Brasil. Cidades estão divididas e mesmo cristãos já estão afiando suas espadas políticas, quando não atacando abertamente um ao outro. As eleições presidenciais nos EUA têm mostrado quão frágeis são as instituições humanas. O país que se autointitula templo da democracia está lidando com acusações e contra-acusações dignas da mais simplória “República da Banana”.

Não fico feliz com isso, nem quero desmerecer um acirrado embate político de outro país. E definitivamente não quero entrar na discussão dos méritos de um ou outro candidato. Ao mesmo tempo que entenda quem vota em um ou outro, parece-me muito claro, como observador pouco envolvido, que nenhum dos lados tem o monopólio da justiça e piedade cristãs. Isso não significa que tanto faz em quem votar. Uma participação consciente me leva a examinar propostas e crenças afirmadas e de alguma forma escolher com quem vou me arriscar. Já vivi tempo suficiente para ser decepcionado com aqueles que prometiam uma coisa e fizeram algo totalmente diferente. Ao mesmo tempo, creio que preciso me posicionar ao lado daqueles que afirmam valores com os quais estou mais alinhado. Contudo, ao ler textos de amigos e conhecidos a respeito destas e de outras eleições, vejo posições de festejo e de repúdio que me fazem perguntar: onde está a minha esperança enquanto seguidor de Cristo?

Sou levado rapidamente ao texto de Jeremias 17.5-8:

Assim diz o Senhor: “Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do Senhor. Ele será como um arbusto no deserto; não verá quando vier algum bem. Habitará nos lugares áridos do deserto, numa terra salgada onde não vive ninguém. Mas bendito é o homem cuja confiança está no Senhor, cuja confiança nele está. Ele será como uma árvore plantada junto às águas e que estende as suas raízes para o ribeiro. Ela não temerá quando chegar o calor, porque as suas folhas estão sempre verdes; não ficará ansiosa no ano da seca nem deixará de dar fruto”.

Na época da passagem, Judá estava em um jogo político entre dois impérios agressivos e poderosos: a Babilônia e o Egito. Era natural que o reino de Judá tentasse escolher com muito cuidado quem poderia protegê-lo e com quem poderia estabelecer uma aliança mais proveitosa e duradoura. No entanto, seja um, seja outro, impérios não se pautam pela justiça de Deus, mas pelos interesses políticos. O mesmo acontece com candidatos políticos hoje em dia. Apesar de suas promessas e alegados compromissos, seu eixo decisório se baseia em interesses de poder, dinheiro e projeção. Em resumo, é um terreno extremamente frágil para colocarmos nossas esperanças. O profeta traz então as palavras de Deus de forma contundente. Deixe-me alistar o que vejo na passagem:

  1. Há uma maldição para aquele que confia em propostas humanas, especialmente se esta confiança afasta seu coração de Deus. Não creio que quem vota está se afastando do Senhor, mas algumas palavras que ouço quando os resultados de eleições se apresentam demonstram que esse irmão ou irmã acredita que tudo está resolvido ou tudo está perdido com o resultado apresentado. Mas onde está nossa esperança de uma vida mais satisfatória? Entendo que alguns projetos de governo são perversos, mas o único governo nesta terra que eu creio que será realmente perfeito é o reino milenar de Cristo.

  2. A maldição é descrita no verso 6, quando o profeta diz que estes não verão quando vier o que é bom. Parece que aquele que põe sua esperança em homens ou sistemas humanos não conseguirá ver quando aquilo que Deus fizer (a única coisa verdadeiramente boa) se realizar. Estes sofrerão de uma cegueira espiritual.

O único governo nesta terra que eu creio que será realmente perfeito é o reino milenar de Cristo.
  1. Há uma bênção para aqueles que, apesar das frustrações com governos e sistemas humanos, põem sua confiança no Senhor. Estes são descritos como aqueles que – no calor ou na seca – não deixarão de dar seu fruto. Gosto de pensar que o profeta se refere aqui àqueles que, dentro de um sistema iníquo ou em outro sistema também iníquo, vão manifestar o doce aroma de Cristo.

Não creio que devemos permanecer indiferentes a propostas políticas. É verdadeiro que quanto mais um governo se aproximar de Deus, maiores serão as bênçãos sobre o povo (Salmo 144.15); ao mesmo tempo, quanto mais um governo fizer oposição à Palavra e aos projetos de Deus, mais este povo sofrerá (Provérbios 29.2).

Mas meu desafio pessoal – e aquele que quero deixar com você – é que não é neste ou naquele presidente, prefeito, senador, vereador ou partido que está nossa esperança. Sim, às vezes pessoas iníquas vão assumir o poder e isso trará sofrimento ao povo (e, em alguns casos, especialmente aos cristãos), mas nossa esperança está no Senhor e na vinda do reino dele. É importante lembrar que todos os discípulos de Jesus no Novo Testamento viveram sob regimes opressores, injustos, que davam privilégios aos poderosos e exploravam os vulneráveis. No entanto, a característica do povo de Deus é (ou deveria ser) “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio...” (Gálatas 5.22-23).

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Daniel Lima foi pastor de igreja local por mais de 25 anos. Formado em psicologia, mestre em educação cristã e doutorando em formação de líderes no Fuller Theological Seminary, EUA. Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida por 5 anos, é autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem 4 filhos, uma neta e vive no Rio Grande do Sul desde 1995.

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