O que fazer quando o que eu creio é atacado?

Daniel Lima

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Durante estas últimas duas semanas o mundo evangélico brasileiro tem sido agitado por declarações, reações, acusações e apologias em torno de uma pregação feita em uma igreja batista em São Paulo por um pastor de projeção nacional. Na pregação ele afirmou, entre outras frases de efeito, que “não é possível tratar a Bíblia como um livro que revela verdades absolutas, porque não somos seguidores de um livro. Nós somos seguidores de Jesus Cristo!”. Confrontações e reações foram dadas por muitos cristãos sérios – algumas mais exaltadas, outras mais respeitosas. Há excelentes contrapontos, apresentados por homens profundos e piedosos.

Pessoalmente, tive um relacionamento de amizade e admiração pelo referido pastor anos atrás. O tempo nos afastou antes que posições irreconciliáveis o fizessem. Permita-me então confessar minha reação às afirmações, a meu ver tão prejudiciais à fé. Ao ouvir as declarações, comecei com espanto, passei tristeza, mas infelizmente estacionei em ira. Foi somente ao ouvir respostas de homens mais sábios e mansos do que eu que fui levado a refletir sobre como reagir quando aquilo que cremos é atacado, quando as verdades que nos são mais preciosas são colocadas em dúvida.

A postura daqueles que confiam que somente o Senhor pode causar mudanças é caracterizada pela amabilidade, pela disposição para ensinar, pela paciência.

A segunda carta de Paulo a Timóteo é uma carta cercada de emoções. Paulo sabia que logo partiria. As condições de sua prisão eram as piores possíveis. Era um calabouço escuro e úmido, sem qualquer ventilação, onde ficavam os prisioneiros condenados à morte. Dali Paulo ditou suas últimas instruções ao seu “filho na fé”, Timóteo. No capítulo 3 ele alerta sobre os terríveis tempos que viriam. E os tempos seriam terríveis, pois homens que se apresentavam como piedosos negavam com suas vidas a verdade do evangelho (verso 5). Nos versículos 2-4, o apóstolo descreve homens cruéis, desafeiçoados, mais amigos de si e de seus prazeres do que tementes a Deus.

O que mais tem chamado minha atenção nestes dias, no entanto, são os versos que precedem este alerta. Os últimos versos do capítulo 2, logo antes de começar a descrever estes homens e tempos terríveis, nos exortam a uma atitude que eu creio ser a base ao enfrentarmos ataques à nossa fé.

Ao servo do Senhor não convém brigar mas, sim, ser amável para com todos, apto para ensinar, paciente. Deve corrigir com mansidão os que se lhe opõem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento, levando-os ao conhecimento da verdade, para que assim voltem à sobriedade e escapem da armadilha do Diabo, que os aprisionou para fazerem a sua vontade. (2Timóteo 2.24-26)

A primeira exortação de Paulo é que, como servos de Deus, não devemos brigar, pois a briga é resultado de acharmos que nossas palavras ou nosso esforço vai gerar resultado espiritual (Zacarias 4.6). Pelo contrário, a postura daqueles que confiam que somente o Senhor pode causar mudanças é caracterizada pela amabilidade, pela disposição para ensinar, pela paciência. Não importa o quão bem-intencionados estivermos, se entrarmos num debate sobre o que cremos com ira (mesmo afirmando que é ira santa), não estaremos promovendo a causa do Senhor (Tiago 1.19-20).

É importante lembrar que estas recomendações vêm de um homem forte e poderoso em suas argumentações. Ele inclusive continua afirmando que devemos, sim, corrigir. Isto é, não devemos confundir mansidão com omissão. Aqueles que ensinam falsidades devem ser corrigidos. A verdade deve ser defendida, o falso ensino deve ser confrontado, mas Paulo insiste que o tom, a marca desta correção, deve ser a mansidão.

A verdade deve ser defendida, o falso ensino deve ser confrontado, mas o tom deve ser a mansidão.

A seguir, Paulo continua sua linha de pensamento afirmando que a razão para esta mansidão é a esperança de que somente Deus pode gerar o arrependimento. De novo, ninguém se arrependerá pela força de nossa argumentação ou pela astúcia de nossos pensamentos. É Deus quem concede o arrependimento. Por isso meu papel é de coadjuvante no processo. Devo corrigir, mas o conflito do falso mestre não é comigo, mas com o Senhor do universo.

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A partir daí Paulo descreve o processo que pode ocorrer como consequência do arrependimento. Primeiro a pessoa pode voltar à razão, deixando de lado sua perspectiva distorcida. Esta perspectiva é uma armadilha do Diabo, que, ao prender o falso mestre em seus raciocínios, o levou a fazer a vontade do próprio Diabo. Reparem que em nenhum momento Paulo diminui a responsabilidade do falso mestre ou promove uma postura omissa. Não! Aqueles que são falsos mestres devem ser corrigidos, mas o modo como o fazemos pode ser tão impactante para os falsos mestres e para os que ouvem a discussão quanto a verdade que defendemos.

Minha oração por este pastor é que ele venha a se arrepender e com humildade abandonar seus falsos ensinos. Toda a fama que está ganhando com seus ensinos distorcidos estão apenas operando contra o avanço do verdadeiro evangelho. Minha oração por você e por mim mesmo é que tenhamos a coragem de confrontar o erro, mas de um modo que fique evidente que toda glória, toda mudança e todo resultado estão nas mãos de nosso Senhor.

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Daniel Lima foi pastor de igreja local por mais de 25 anos. Formado em psicologia, mestre em educação cristã e doutorando em formação de líderes no Fuller Theological Seminary, EUA. Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida por 5 anos, é autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem 4 filhos, uma neta e vive no Rio Grande do Sul desde 1995.

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