Impedidos de Seguir a Jesus: Parte 2

Daniel Lima

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Um bom amigo meu me contou uma história sobre a morte de seu pai. Ele foi diagnosticado com câncer no pâncreas, condição que se mostra fatal em praticamente todos os casos. Ele, no entanto, sempre se mostrara um homem forte e independente. Inclusive, nunca havia entregado sua vida a Jesus, pois julgava que não precisava de ajuda. Ao longo do curto período de tratamento (três meses) ele se recusou a se preparar para a partida, inclusive se recusando a informar a esposa sobre documentos, reservas financeiras ou propriedades. Sua frase era: “Eu vou vencer esta coisa!”. O fato é que, após três meses de lutas intensas, ele faleceu, deixando sua família para lidar com inúmeras questões, tanto financeiras, como de documentação e até mesmo emocionais. Na sua partida, ele não foi o homem forte que fazia de conta que era, ele simplesmente não encarou a realidade e lidou com ela.

Em nosso último artigo, refleti sobre casos em que Jesus afirma que alguém não pode ser seu discípulo. Essa é uma afirmativa forte e parece paradoxal com a compreensão moderna de quem é Jesus. O fato é que há atitudes que impedem alguns de seguir a Jesus. Naquele primeiro artigo vimos que, se uma pessoa não prioriza seu relacionamento com Deus, ela não pode seguir a Jesus. Hoje, gostaria de continuar com o versículo seguinte, Lucas 14.27: “Aquele que não carrega sua cruz e não me segue não pode ser meu discípulo”.

A expressão “carregar sua cruz” já foi explicada de várias maneiras incorretas. A mais comum é que a cruz é algum sofrimento. Assim, se a pessoa tem alguma doença, esta é “sua cruz”. Essas explicações distorcem o sentido da cruz. A cruz era um instrumento que visava anunciar o crime cometido, pelo qual o indivíduo estava sendo punido. Dessa forma, o carregar sua cruz está muito mais ligado a permitir que sua culpa seja conhecida do que sofrimento em si. O fato é que o sofrimento pode ocorrer por vários motivos, e não apenas por culpa do indivíduo que sofre. Na verdade, essa ideia de que o sofrimento serve para “purgar” ou pagar pela culpa é o que gera tanta dúvida quando, por exemplo, as pessoas encontram uma criança sofrendo. A única reação então é culpar o juiz, ou seja: Deus!

O ensino de Jesus é que, se alguém não assume seu estado de pecado e de carência moral e espiritual, não pode segui-lo.

O ensino de Jesus é que, se alguém não assume seu estado de pecado e de carência moral e espiritual, não pode segui-lo. Isso porque seguir a Jesus exige arrependimento. Na primeira das 95 teses que Martinho Lutero pregou na porta da igreja onde servia, e que deu início ao movimento conhecido como Reforma Protestante, ele escreveu: “Toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo arrependimento”. Fé em Jesus não pode ser desassociada de arrependimento. Arrependimento inclui necessariamente o reconhecimento de pecados. Pois, se alguém não reconhece seus pecados, por que precisaria de um Salvador? Como o pai de meu amigo, essa pessoa não precisa de ajuda e não se prepara para a morte.

Fé em Jesus não pode ser desassociada de arrependimento. Arrependimento inclui necessariamente o reconhecimento de pecados.

Se a primeira atitude que impede alguém de seguir a Jesus é amar mais a alguma pessoa (ou a própria vida) do que a Deus, a segunda atitude que impede alguém de seguir a Jesus é não reconhecer seus pecados e assumi-los. Uma das maneiras sutis, mas perversas, pela qual podemos fazer isso é fazer de conta que não temos pecado. Ainda que nossa motivação seja não desanimar outros ou mesmo “dar um bom testemunho”. Dar um bom testemunho é deixar claro, como Paulo em Romanos 7, que, apesar de salvos e perdoados, nossa luta com o pecado ainda não chegou ao fim. Lidando com a mesma questão, o apóstolo João, em 1João 1.8-10, escreve:

“Se afirmarmos que não temos pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça. Se afirmarmos que não temos cometido pecado, fazemos de Deus um mentiroso, e a sua palavra não está em nós.”

Repare que o negar (ou ocultar seu pecado) tem três consequências: (1) engana a si mesmo, (2) faz de Deus mentiroso e (3) não tem a palavra de Deus. Minha oração por mim e por você é que estejamos sempre prontos e sensíveis ao mover do Espírito para reconhecer, confessar e nos esforçarmos para abandonar todo pecado que percebermos em nossas vidas. Assim, estaremos verdadeiramente seguindo ao mestre.

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Daniel Lima (D.Min., Fuller Theological Seminary) serviu como pastor em igrejas locais por mais de 25 anos. Também formado em psicologia com mestrado em educação cristã, Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida (SBPV) por cinco anos. É autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem quatro filhos, dois netos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995. Ele estará presente no 25º Congresso Internacional Sobre a Palavra Profética, organizado pela Chamada.

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