Como reagir aos ataques a cristãos no Sri Lanka?

Daniel Lima

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Neste domingo de manhã, oito bombas foram detonadas no distante Sri Lanka. Os alvos foram igrejas e hotéis. Por enquanto o número de mortes está por volta de 300, com mais de 500 feridos. Por que deveríamos nos preocupar com um ataque realizado em um país distante e um tanto desconhecido? Afinal, toda semana ouvimos de ataques e destruições. Na semana passada o mundo todo assistiu horrorizado o incêndio de parte da Catedral de Notre-Dame, em Paris. Em parte, alguns de nós também ficamos surpresos pelas ofertas financeiras bilionárias para a reconstrução da catedral. Desconfio, com tristeza, que apenas uma ínfima parcela daquela quantia será oferecida para a reconstrução das igrejas e vidas no Sri Lanka, deixando clara a escala de valores do mundo atual.

Não é novidade que o advento da globalização, a qual nos permite assistir horrores mundiais ao vivo do conforto de nossas salas, nos fez perder muito da nossa capacidade de sentir a dor alheia. Nestes momentos nada pode ser mais atual do que as palavras de Paulo em Romanos 12.15: “Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram”.

Lendo um excelente texto de Ajith Fernando1 sobre a tragédia, fiquei sabendo de missionários da Mocidade para Cristo que foram feridos e mortos. Li sobre igrejas vibrantes que ficaram destruídas e por um estado de terror e inquietação que obviamente está em seu nível máximo. Como reagir? Como não arquivar este evento como mais uma tragédia em um mundo louco? Como interpretar este evento do ponto de vista cristão?

“Pois eu lhes darei palavras e sabedoria a que nenhum dos seus adversários será capaz de resistir ou contradizer... É perseverando que vocês obterão a vida.”

No texto de Lucas 21.11-19, Jesus nos faz afirmações claras e nos deixa algumas promessas que valem a pena serem revistas:

11Haverá grandes terremotos, fomes e pestes em vários lugares e acontecimentos terríveis e grandes sinais provenientes do céu. 12Mas, antes de tudo isso, prenderão e perseguirão vocês. Então eles os entregarão às sinagogas e prisões, e vocês serão levados à presença de reis e governadores, tudo por causa do meu nome. 13Será para vocês uma oportunidade de dar testemunho. 14Mas convençam-se de uma vez de que não devem preocupar-se com o que dirão para se defender. 15Pois eu lhes darei palavras e sabedoria a que nenhum dos seus adversários será capaz de resistir ou contradizer. 16Vocês serão traídos até por pais, irmãos, parentes e amigos, e eles entregarão alguns de vocês à morte. 17Todos odiarão vocês por causa do meu nome. 18Contudo, nenhum fio de cabelo da cabeça de vocês se perderá. 19É perseverando que vocês obterão a vida.

A primeira afirmação que quero destacar é que eventos terríveis ocorrerão. Isso não deveria nos surpreender, pois o “mundo jaz no maligno” (1João 5.19) – Essa observação não deve ser derrotista (sabemos quem vence no final) nem alienante (somos chamados a proclamar esperança a este mundo). No entanto, eventos assim revelam o caráter profundamente corrompido da humanidade. Como cristãos, não podemos nos deixar influenciar pelas promessas de desenvolvimento e de avanço da humanidade. A maldição assumida por Adão e Eva no Éden – “certamente você morrerá” – continua a operar neste mundo.

A segunda afirmação é que seremos perseguidos; Jesus, na verdade, afirma que seremos odiados! A Bíblia afirma que não seremos populares, não seremos aceitos pelo mundo como participantes de um congraçamento de todas as fés e linhas de pensamento. Paulo já nos adverte em 2Timóteo 3.12 “De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos”. Isso não significa que devemos ter uma posição beligerante ou combativa, mas ao mesmo tempo devemos cuidar para não cair no “canto de sereia” de que se formos tolerantes seremos aceitos pelo mundo. Infelizmente tenho visto até mesmo líderes cristãos fazerem concessões quanto às suas convicções para ganhar um pouco de aceitação. A tentação é grande, mas o preço é alto demais...

Porém, aqui há também uma promessa. Não é raro ouvir um cristão pedindo por uma oportunidade de testemunhar de sua fé. Perseguições certamente são oportunidades de testemunhar. – E não só oportunidades, pois nas palavras de Jesus também há a promessa de que ele mesmo nos dará as palavras para falar. Não só teremos poder para testemunhar, mas é pela perseverança em meio à perseguição que encontraremos vida!

A tentação de conceder quanto às suas convicções é grande, mas o preço é alto demais...

O artigo mencionado acima apresenta algumas sugestões de oração. A lista apresentada por um homem que está diretamente envolvida com todo aquele sofrimento me impressionou muito. Peço licença para alistar aqui suas sugestões:

  • Ore por um amor santo dos cristãos para com seus inimigos;

  • Ore por fidelidade dos cristãos ao testemunharem diante do sofrimento;

  • Ore por cura física e emocional dos feridos;

  • Ore por força e conforto para os atingidos;

  • Ore contra a inquietação que se levanta em situações assim.

Minha oração é que você e eu tenhamos uma postura realista dos tempos em que vivemos, mantendo vivo nosso testemunho de amor e de fidelidade mesmo diante de perseguições e sofrimentos. Que tomemos um tempo para chorar com os que choram, intercedendo por nossos irmãos e outros atingidos nestes ataques criminosos. Por fim, que nosso coração seja levado a ansiarmos mais e mais pelo retorno de nosso Senhor Jesus!

Nota:

  1. Ajith Fernando, “As bombas no domingo de Páscoa: 5 maneiras de orar pelo Sri Lanka”, Voltemos ao Evangelho, 23 abr. 2019. Disponível em: https://voltemosaoevangelho.com/blog/2019/04/as-bombas-no-domingo-de-pascoa-5-maneiras-de-orar-pelo-sri-lanka/?utm_medium=onesignal&utm_campaign=onesignal&utm_content=onesignal.
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Daniel Lima foi pastor de igreja local por mais de 25 anos. Formado em psicologia, mestre em educação cristã e doutorando em formação de líderes no Fuller Theological Seminary, EUA. Daniel foi diretor acadêmico do Seminário Bíblico Palavra da Vida por 5 anos, é autor, preletor e tem exercido um ministério na formação e mentoreamento de pastores. Casado com Ana Paula há mais de 30 anos, tem 4 filhos e vive no Rio Grande do Sul desde 1995.

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