Uma cosmovisão científica aberta a milagres

Lothar Gassmann

Senhor, a tua mão direita foi majestosa em poder.” (Êxodo 15.6a)

Nenhum cientista pode negar atualmente que milagres podem acontecer. No século 19, as pessoas acreditavam que possuíamos uma cosmovisão científica e natural fechada em si mesma. Acreditava-se em leis naturais exatamente calculáveis e em decursos naturais previsíveis. “A natureza não dá saltos”, dizia-se. Tudo se move em trilhos exatamente definidos (determinismo). Acreditava-se que seria possível operar sem considerar Deus como uma “hipótese de trabalho”; de excluí-lo, já que “tudo pode ser calculado”.

Desde o início do século 20 essa configuração mundial foi fundamentalmente abalada. A Teoria da Relatividade de Einstein colocou questionamentos a essa exata previsibilidade dos desenvolvimentos naturais. A descoberta de que massa e energia são equivalentes provocou um afastamento do materialismo.[1] A teoria da física quântica, que teve início com Max Planck, finalmente chegou à conclusão: “A natureza dá saltos” (saltos quânticos). Os desenvolvimentos – principalmente nas áreas atômica e microcósmica – não são claramente previsíveis. Assim, por exemplo, somente se consegue estabelecer afirmações de probabilidade quando há a divisão do núcleo do átomo e ocorre uma transformação da matéria. Essa insegurança também continua na área visível macrocósmica (p. ex.: na formação de cristais). Nunca foi possível inserir organismos vivos em uma figura mundial estabelecida. Quando mesmo assim isso era feito (experimentalmente), a vida desaparecia.

Não existe mais nenhuma cosmovisão científica fechada em si. É necessário proporcionar a inclusão de imprevistos.

O que foi e continua decisivo? Não existe mais nenhuma cosmovisão científica fechada em si. É necessário proporcionar a inclusão de imprevistos. Conclusão: é necessário contar também com milagres, com Deus, ressurreição, com o além. Isto não quer dizer que podemos comprovar tudo, mas também não se pode afirmar que podemos contestar tais coisas, como alguns cientistas ainda diziam no século 19. Se hoje algum cientista afirmar: “Eu provo para vocês que não existe Deus nem ressurreição”, ele não está devidamente atualizado – ou ele defende uma visão de mundo materialista-ateísta incapaz de reivindicar a defesa de uma linha científica sóbria.

  1. Materialismo é a doutrina que diz que somente aquilo que é material e visível de fato existe.

Lothar Gassmann nasceu em 1958 na cidade alemã de Pforzheim. É pregador, professor, evangelista e publicista. Escreveu numerosos livros, artigos e canções na área teológica. Desde 2009, é colaborador do Serviço das Igrejas Cristãs (CGD, na sigla original) e editor da revista trimestral Der schmale Weg [O Caminho Estreito]. Completou seu doutorado em teologia em 1992, na Universidade de Tubinga, na Alemanha.

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