Ressurreição: esperança, sentido e responsabilidade

Lothar Gassmann

Mas de fato Cristo ressuscitou dentre os mortos, sendo ele as primícias entre aqueles que dormiram.” (1Coríntios 15.20)

A ressurreição dentre os mortos – esta é a resposta da fé cristã. A ressurreição é algo diferente de reencarnação. De acordo com a esperança cristã da ressurreição, a pessoa também vive após a morte, mas em forma invisível; ela não será mais revestida com um corpo carnal e passageiro aqui nessa terra, mas com um corpo espiritual e imperecível no outro mundo (ver 1Coríntios 15). Além disso, ela não precisa retornar à terra para tentar se promover desesperadamente: após sua ressurreição, ela estará diante do trono de Deus.

A negação mais clara à concepção da reencarnação, sobre a qual tratamos na semana passada, é encontrada na carta aos Hebreus: “... o homem está destinado a morrer uma só vez e depois disso enfrentar o juízo” (Hebreus 9.27). A morte terrena e o juízo divino são acontecimentos únicos, sendo que no juízo é decidido se a pessoa permanecerá no céu ou no inferno, sobre a vida eterna com Deus ou sobre a perdição eterna no “lago de fogo” (Apocalipse 20.11-15). O critério nesse caso não é o carma (o acúmulo de boas ou más ações), mas unicamente a fé em Jesus Cristo: “Pois sustentamos que o homem é justificado pela fé, independente da obediência à Lei” (Romanos 3.28).

O fato de que iremos ressuscitar transmite esperança, sentido e responsabilidade às nossas vidas.

Por que podemos crer que ressuscitaremos? Porque Jesus Cristo, o Filho de Deus, ressuscitou primeiro. Ele é “as primícias entre aqueles que dormiram” e foi visto por mais de 500 pessoas após a sua ressurreição (1Coríntios 15). Hoje não haveria igreja cristã se ele não tivesse ressuscitado. Após a sua crucificação, os seus discípulos estiveram tão desanimados que se espalharam em todas as direções (Mateus 26.31). Somente após o milagre da ressurreição e do recebimento do poder pelo Espírito Santo, no Pentecostes, houve o toque para as missões mundiais (Atos 2).

“Nós ressuscitaremos” – esta afirmação transmite esperança, sentido e responsabilidade. Esperança porque o futuro daquele que crê envolve a entrada na glória celeste. Sentido porque a vida terrena tem um objetivo claro: servir ao Deus que nos criou, que nos ama e que quer nos conduzir à vida eterna. Responsabilidade porque o objetivo da vida eterna com Deus contém a tarefa aqui na terra de amar o próximo e amenizar as suas dificuldades. Aqui há oportunidade para as boas ações – não com o alvo da própria salvação, mas como fruto da salvação que Jesus Cristo consumou na cruz e que nós podemos aceitar pela fé.

O que haverá depois da morte? Jesus Cristo nos dá uma clara resposta: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente” (João 11.25-26).

Quero cantar de alegria, cuja fonte em ti está.
Quero cantar do milagre que aqui na terra pisaste.
Quero cantar da sabedoria que com tua boca revelaste.
Quero cantar do amor, pois o pior de tudo carregaste.
Quero cantar só de ti, Senhor, pois tu me libertaste.
Quero cantar só de ti, Senhor. Vida me trouxeste.
Tu és minha canção.

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Lothar Gassmann nasceu em 1958 na cidade alemã de Pforzheim. É pregador, professor, evangelista e publicista. Escreveu numerosos livros, artigos e canções na área teológica. Desde 2009, é colaborador do Serviço das Igrejas Cristãs (CGD, na sigla original) e editor da revista trimestral Der schmale Weg [O Caminho Estreito]. Completou seu doutorado em teologia em 1992, na Universidade de Tubinga, na Alemanha.

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