O propósito da ressurreição

Lothar Gassmann

Pois também Cristo sofreu pelos pecados uma vez por todas, o justo pelos injustos, para conduzir-nos a Deus. Ele foi morto no corpo, mas vivificado pelo Espírito.” (1Pedro 3.18)

Deus acompanha o homem em sua história. Deus dirige a história e, apesar disso, permite que o homem mantenha um espaço livre, no qual pode decidir-se a favor ou contra Deus. Desde o princípio o homem decidiu ser contra Deus, porque ele mesmo quer ser igual a Deus. Ele quer ser seu próprio senhor. A Bíblia chama esta inimizade do homem contra Deus de pecado (a palavra que significa “pecado”, no português, tem o sentido de “se isolar, se separar”). Formou-se um profundo abismo entre Deus e o homem. Separada de Deus, a pessoa continua pecando e com isso se afastando ainda mais de Deus. Estando separado de Deus, o homem é o ser mais miserável e digno de pena que existe debaixo do céu. Estando separado de Deus, o homem é apenas um morto vivo, eternamente perdido. O filósofo Søren Kierkegaard classifica a vida de uma pessoa que não conhece ou não quer conhecer a Deus como “mortalmente doente”.

Como será possível superar essa “doença”, essa ruína diante do pecado, morte e perdição, diante da efemeridade e do “nada”? A partir da própria pessoa? Impossível! Muitas vezes a pessoa não consegue nem manter um relacionamento durável com seu próximo. – Assim, a resposta é que deve ser a partir de Deus!

De fato, Deus superou o abismo entre nós e ele. Ele enviou ao mundo o seu filho Jesus Cristo. Ele veio em nossa direção. Ele veio até nós. Nossa culpa, no entanto, é tão imensa que um simples aperto de mão não é suficiente para a reconciliação. O castigo justo para nossa culpa é a morte. No entanto, em seu amor, Deus não deseja a nossa morte. Ele andou pelo único e horrível caminho, mas ao mesmo tempo maravilhoso: ele permitiu que o seu Filho morresse em nosso lugar. Na cruz do Gólgota, que deveria ser o nosso lugar, Jesus estava pendurado por nós. Sua morte foi a nossa morte. Na cruz houve a reconciliação de Deus com a humanidade que havia se afastado dele.

Agora cada pessoa tem a possiblidade de reivindicar para si essa reconciliação. É possível continuar rejeitando a Deus e assim permanecer separado dele, como um morto vivo. Ou é possível aceitar a oferta de Deus para assim nos tornarmos uma pessoa viva, resgatada da morte. Esse é o mistério da fé. Você está vivo – ou ainda está morto? Oremos:

Deste-me a voz para que eu possa com ela te louvar,
a música, para com meu canto te alegrar.
Meus dons, meu tempo a ti, ó Senhor, sejam consagrados.
Louvor e gratidão a ti, ó Criador, sejam dados.

Tudo que sou, o sou por tua graça,
e unicamente da tua mão eu recebo.
O que serei tu sabes, tenho plena confiança,
meu caminho para ti é conhecido.

Tu és santo, mas mesmo assim homem te tornaste.
Tu és Deus, mas bem junto a mim estás.
Não o compreendo, posso só te admirar
e a ti, Senhor, por tudo agradecer e confiar.

Tu és Deus e tu és santo.
Sou incapaz de dar-te o que me dás.
Tu és Deus e tu és santo.
Eu vivo, pois eu sei que tu me amas.

Lothar Gassmann nasceu em 1958 na cidade alemã de Pforzheim. É pregador, professor, evangelista e publicista. Escreveu numerosos livros, artigos e canções na área teológica. Desde 2009, é colaborador do Serviço das Igrejas Cristãs (CGD, na sigla original) e editor da revista trimestral Der schmale Weg [O Caminho Estreito]. Completou seu doutorado em teologia em 1992, na Universidade de Tubinga, na Alemanha.

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