Ainda existem apóstolos?

Lothar Gassmann

E ele designou alguns para apóstolos...” (Efésios 4.11)

O termo “apóstolo” significa “enviado” (grego apostelein: “enviar”). Apóstolo é alguém que age por ordem de seu superior e precisa cumprir fielmente a determinação recebida. Isso significa que o apóstolo não age como autônomo, mas em total dependência do seu senhor.

À época do Novo Testamento existia o círculo dos doze: doze apóstolos como representantes das doze tribos de Israel, que era o grupo mais próximo de Jesus. Além desses, houve também outros apóstolos, como Matias, que foi escolhido em substituição ao traidor Judas Iscariotes, bem como Paulo, que viu o Senhor (mesmo que fosse de modo diferente dos outros), e finalmente um grupo de algumas dúzias de homens, que foram enviados em missão para estabelecer a base da igreja cristã. Entre esses “outros” apóstolos além dos doze, havia Barnabé, Apolo, Júnias, Epafrodito, Andrônico, Mateus, Tiago etc.

Os apóstolos originais viveram com Jesus e foram testemunhas da sua ressurreição.

Há uma interrupção na sucessão de apóstolos ou uma ordenação de apóstolos sucessores no Novo Testamento, como alguns agrupamentos afirmam? Claramente, não! Se o apostolado fosse uma instituição permanente, como se explicaria que, após o falecimento dos primeiros apóstolos, nenhum deles foi substituído (no círculo dos doze: exceto a escolha de Matias para substituir o traidor Judas Iscariotes)? Isso teria sido uma leviandade condenável e estaria em contradição com a ordem do Senhor. Obviamente não houve diretriz para que se continuasse a instituir apóstolos. A corrente sucessória, a sucessão do cargo para os primeiros apóstolos, foi interrompida com a morte deles.

Os primeiros mensageiros foram enviados para estabelecer a base da igreja. Apóstolos têm uma função fundamental: eles executam o estabelecimento do alicerce (Efésios 2.20). E quando o alicerce está colocado, outra pessoa continua a construção. Quando um alicerce está colocado, não é possível colocar um outro alicerce sobre o primeiro. Por isso a função de apóstolo foi extinta na primeira geração.

Os apóstolos foram chamados diretamente pelo Senhor – até mesmo Matias, que foi eleito por meio do método de escolha do Antigo Testamento. Matias preenchia os critérios decisivos para um apóstolo, isto é, de ser testemunha ocular (Atos 1.21-26). Ele conheceu Jesus antes e depois da sua ressurreição, algo que ninguém dos supostos “novos apóstolos” das diferentes seitas pode afirmar hoje em dia. Os apóstolos originais viveram com Jesus e foram testemunhas da sua ressurreição.

Os primeiros mensageiros foram enviados para estabelecer a base da igreja. Quando um alicerce está colocado, não é possível colocar um outro alicerce sobre o primeiro.

Paulo também foi chamado diretamente por Jesus, como vemos claramente em Gálatas 1.1. Em Gálatas 1.12 ele fala de uma “revelação” de Jesus Cristo e, em Gálatas 1.16, diz que a Deus agradou “revelar o seu Filho em mim”. Em Gálatas 2, Paulo afirma que não tratou com autoridades humanas, nem com Pedro, o qual ele conheceu apenas três anos após o seu chamado; muito antes, ele foi chamado diretamente por Deus, não instituído por pessoas (isto é, p.ex., por outros apóstolos). Paulo “viu” ao Senhor Jesus (1Coríntios 9.1). Não foi o Espírito Santo, mas foi Cristo quem o chamou, como se fosse “um que nasceu fora de tempo” – como o último (1Coríntios 15.8)!

Resumindo: os primeiros apóstolos eram (1) testemunhas oculares da vida e da ressurreição de Jesus Cristo, ou (2) tiveram um outro chamado direto de Cristo. Em lugar algum a Escritura relata que eles tivessem recebido a incumbência de continuar instituindo apóstolos na “segunda geração”, o que eles de fato não fizeram. Estejamos, pois, alertas e críticos quando hoje aparecem pessoas reivindicando o título de “apóstolos” chamados pelo Senhor! Trata-se de um típico sinal do fim dos tempos (ver 2Coríntios 11.13-15).

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Lothar Gassmann nasceu em 1958 na cidade alemã de Pforzheim. É pregador, professor, evangelista e publicista. Escreveu numerosos livros, artigos e canções na área teológica. Desde 2009, é colaborador do Serviço das Igrejas Cristãs (CGD, na sigla original) e editor da revista trimestral Der schmale Weg [O Caminho Estreito]. Completou seu doutorado em teologia em 1992, na Universidade de Tubinga, na Alemanha.

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