A Bíblia é um livro mitológico?

Lothar Gassmann

De fato, não seguimos fábulas engenhosamente inventadas, quando falamos a vocês a respeito do poder e da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo; ao contrário, nós fomos testemunhas oculares da sua majestade.” (2Pedro 1.16)

Com frequência cientistas religiosos ou “teólogos” afirmam que a Bíblia é alimentada de fontes mitológicas (lendárias), principalmente as ideias de anjos e demônios, os relatos de milagres e os fatos esperados para o fim dos tempos, mas a menção da “suficiência vicária pela morte de Cristo” e dos relatos sobre a ressurreição eles também consideram como “mitologias”. Alegam que não aconteceram na verdadeira história. Na descrição da história de Cristo (principalmente em Filipenses 2.5-11), eles acreditam, por exemplo, reconhecer motivos dos “mitos gnóstico-iranianos da salvação do homem ancestral” no texto. Essa narrativa descreve um ser celestial que desce do céu para salvar a humanidade.

Pergunta-se, no entanto, se é possível relacionar a Escritura Sagrada, especialmente a cruz e a ressurreição de Jesus Cristo, com os mitos... e a resposta é “não”.

Mitos são a expressão da pessoa religiosa à procura da verdade, do reconhecimento de uma base. – A Escritura Sagrada, pelo contrário, nos mostra a verdade revelada: “Respondeu Jesus: ‘Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim’” (João 14.6). A questão agora é saber como é possível expressar em palavras de seres humanos os futuros acontecimentos do Apocalipse vindos de Deus. A linguagem humana é um vaso imperfeito. Como, porém, o Deus perfeito pode ser expresso na linguagem de um vaso imperfeito? Os escritores da Bíblia não tinham outra coisa a fazer do que, inspirados pelo Espírito Santo, expressar em palavras e figuras humanas a revelação de Deus. Somente desse modo ela é e será compreendida. Essas figuras, de acordo com seu formato, podem até lembrar mitos, mas em seu conteúdo são radicalmente diferentes destes mitos. O mito apresenta a pessoa como alguém que está perguntando, supondo, mas a Escritura Sagrada mostra Deus como alguém que responde.

A mensagem da cruz e da ressurreição são radicalmente diferentes de tudo o que havia até então, e para muitos eram consideradas como loucura.

Assim, os relatos da Bíblia são acompanhados de verdade histórica, mesmo que em parte possa haver alguma semelhança com contos mitológicos, pois Deus responde na história do mundo. Ele não é apenas um ser divino cheio de ideias que em algum dado momento desce do céu, mas ele se tornou homem na pessoa de seu Filho Jesus Cristo em seu devido tempo. Ao contrário do que acontece em todos os contos, a Bíblia está “cheia” de dados concretos sobre pessoas, datas e locais.

Repetindo: os mitos são a expressão de uma religiosidade que provém da curiosidade da pessoa, mas que no final permanece preso às ideias da pessoa. – A mensagem da Bíblia, por sua vez, transcende qualquer capacidade de imaginação das pessoas. Por meio dela chega ao mundo uma realidade que o homem não dispõe por si mesmo: “Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu...” (1Coríntios 2.9; Isaías 64.4). Consequência: muitos não creem, “pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo” (1Coríntios 1.18). Nem mesmo os discípulos conseguiam compreender que Jesus precisaria sofrer, morrer e ressuscitar para o mundo (Lucas 18.34). Mesmo quando veem o ressuscitado, eles primeiramente ficam cegos e não conseguem assimilar a novidade do acontecimento. Assim, a mensagem da cruz e da ressurreição são radicalmente diferentes de tudo o que havia até então, e para muitos eram consideradas como loucura (1Coríntios 1.18-31). Justamente por isso, pelo fato de que o Jesus ressuscitado lhes apareceu pessoalmente e historicamente, os discípulos puderam crer nele.

Cantem alegres! O Pai hoje conclama
a, pelo Espírito Santo, assim o louvar.
Sim, prostrados cantem hinos de vitória.
Vejam, Jesus vem para tudo renovar.

Somente o Senhor de todos pôde nos salvar.
Do céu ele veio e na cruz foi pregado.
O poder da morte não o pôde segurar.
Agora e para sempre seja ele louvado.

Ele a todos chama com o som da trombeta.
O sacerdócio para louvá-lo ele vai eleger.
Disponham-se a servi-lo e com Jesus estar
e, assim, para sempre ao Vencedor pertencer.

Lothar Gassmann nasceu em 1958 na cidade alemã de Pforzheim. É pregador, professor, evangelista e publicista. Escreveu numerosos livros, artigos e canções na área teológica. Desde 2009, é colaborador do Serviço das Igrejas Cristãs (CGD, na sigla original) e editor da revista trimestral Der schmale Weg [O Caminho Estreito]. Completou seu doutorado em teologia em 1992, na Universidade de Tubinga, na Alemanha.

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