O Segredo: Lições da vida de Elias

O poder da oração de Elias

Para finalizar esta série, gostaria de mostrar mais uma última consequência do fato de Elias estar diante do Senhor, isto é: o seu poder de oração. Do mesmo modo como ele tinha um testemunho triplo, sua oração também teve um efeito triplo.

O primeiro efeito da sua oração foi dar vida. Em 1Reis 17.17-22 lemos que o filho da viúva hospedeira faleceu: “‘Dê-me o seu filho’, respondeu Elias. Ele o apanhou dos braços dela, levou-o para o quarto de cima, onde estava hospedado, e o pôs na cama. Então clamou ao Senhor: ‘Ó Senhor, meu Deus, trouxeste também desgraça sobre esta viúva, com quem estou hospedado, fazendo morrer o seu filho?’ Então ele se deitou sobre o menino três vezes e clamou ao Senhor: ‘Ó Senhor, meu Deus, faze voltar a vida a este menino!’ O Senhor ouviu o clamor de Elias, e a vida voltou ao menino, e ele viveu”.

Não é algo maravilhoso? Assim, sua oração foi doadora de vida. Com que postura ele orou sobre esse menino morto? “Então ele se deitou sobre o menino...”. O vivo Elias se fez um com o menino morto. Ele clamou continuamente a Deus com essa atitude, até que o Senhor o ouviu, e a alma do menino voltou e ele tornou a viver.

Essa figura é maravilhosa. Estou convicto de que também ao redor de você há muitos que estão espiritualmente mortos. Gostaria de perguntar, filho(a) de Deus: você também se faz um com os que estão espiritualmente mortos? Você também clama continuamente a Deus para que ele os torne vivos, que pessoas sejam renascidas? Veja que isso não depende das palavras usadas na oração, mas em nossa atitude interior. “A oração de um justo é muito eficaz se for feita com seriedade” diz literalmente uma versão bíblica alemã de Tiago 5.16. Qual, então, é o grau de seriedade necessário? Deve ser de acordo com o pedido, o motivo da oração. Você sabia que pessoas espiritualmente mortas, que não foram purificadas por meio do sangue de Jesus Cristo, estão de fato perdidas? Mesmo que tenham recebido uma educação cristã, com batismo e confirmação, se não tiverem um novo nascimento e por isso não vivem em comunhão com Jesus, são destinadas à perdição eterna. É o que a Bíblia diz (1João 5.12 e João 3.36).

De agora em diante, façamos aquilo em que falhamos tantas vezes: lutar em oração.

Se formos verdadeiros filhos de Deus e se estivermos diante dele, então esse fato deveria nos abalar de modo que não tivéssemos paz, dia e noite, mas que ficássemos clamando ao Senhor e nos tornando um com esses espiritualmente mortos, até que o Senhor nos atenda. E ele ouve! Foi ele quem disse: “Peçam, e será dado” (Lucas 11.9). Eu imagino que as pessoas que poderiam ter sido salvas não o foram porque os crentes estiveram inativos e não clamaram constantemente a Deus. De agora em diante, façamos aquilo em que falhamos tantas vezes: lutar em oração.

Deus deseja usar o verdadeiro intercessor espiritual como um canal para permitir que fluxos de bênçãos fluam através dele. Quão chocante é a acusação que lemos em Ezequiel 22.30: “Procurei entre eles um homem que erguesse o muro e se pusesse na brecha diante de mim e em favor desta terra, para que eu não a destruísse, mas não encontrei nenhum”. Na verdade, existem muitos crentes, mas extremamente poucos que oram.

“... mas não encontrei nenhum.” – Permita-se ser despertado para a oração! O Senhor está à sua procura. Onde estão os intercessores de hoje? Há bastante atividade religiosa. Há encontros para comer, beber e conversar sobre assuntos religiosos. No entanto, onde estiverem intercessores cheios do Espírito, o chão ao seu redor se moverá, se abalará e acontecerá um reavivamento. Deus permita que ainda nasçam muitos intercessores.

O segundo efeito da oração de Elias foi a derrota do inimigo. Ele estava sozinho no monte Carmelo – em oposição a quatrocentos sacerdotes de Baal, os quais estavam desesperados tentando fazer com que seu deus respondesse, o que não aconteceu. Elias caçoou deles com uma zombaria santa: “‘Gritem mais alto!’, dizia, ‘já que ele é um deus. Quem sabe está meditando, ou ocupado, ou viajando. Talvez esteja dormindo e precise ser despertado’” (1Reis 18.27).

Depois disso Elias reergueu o altar e preparou o sacrifício. Todos o olhavam com expectativa, para ver se ele não seria ridicularizado, mas então eles ouviram uma breve oração: “Ó Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, que hoje fique conhecido que tu és Deus em Israel e que sou o teu servo e que fiz todas estas coisas por ordem tua. Responde-me, ó Senhor, responde-me, para que este povo saiba que tu, ó Senhor, és Deus e que fazes o coração deles voltar para ti’. Então o fogo do Senhor caiu e queimou completamente o holocausto, a lenha, as pedras e o chão, e também secou totalmente a água na valeta” (1Reis 18.36-38).

Deus respondeu imediatamente. Depois ele ordenou que os quatrocentos sacerdotes de Baal fossem mortos naquele lugar. O inimigo foi vencido, os idólatras foram exterminados. Que tremendo quadro!

“Então o fogo do Senhor caiu e queimou completamente o holocausto, a lenha, as pedras e o chão.”

Eu poderia imaginar que, enquanto orava, Elias por um momento foi tentado a ficar em dúvida se Deus responderia ou se ele o faria ficar exposto ao ridículo diante dos olhos de todos. Mas Elias apresentou em sua oração duas coisas diante do Senhor que ele deveria necessariamente responder:

  1. Que o povo reconheça que tu, ó Senhor, és Deus! Trata-se da tua honra, Senhor!

  2. Que eu, teu servo, fiz tudo isso de acordo com a tua Palavra! Não estou aqui por iniciativa própria, mas em obediência à tua ordem!

Uma oração com essas duas motivações sempre será atendida pelo Senhor. Sua honra e nossa obediência! “E recebemos dele tudo o que pedimos, porque obedecemos aos seus mandamentos e fazemos o que lhe agrada” (1João 3.22). Quanta clareza há nessa palavra. Talvez as suas asas da oração estão paralisadas porque você não obedece ao Senhor em alguma área da vida? Você realmente busca unicamente a honra do Senhor? Por favor, examine-se!

O terceiro efeito da oração de Elias foi derramar bênçãos. Passada a vitória no monte Carmelo, a seca terrível ainda persistia. Então Elias começou a orar numa atitude bastante curiosa: “Então Acabe foi comer e beber, mas Elias subiu até o alto do Carmelo, dobrou-se até o chão e pôs o rosto entre os joelhos” (1Reis 18.42).

Era uma oração com verdadeiro arrependimento, pois ele se curvou profundamente. Por que ele se curvou perante o Senhor? Creio que foi por causa dos seus próprios pecados e pelos pecados do povo. Ele clamou por chuva, por chuvas de bênçãos. – A oração pedindo chuvas de bênçãos sobre terra árida é legítima quando for acompanhada de genuíno arrependimento pessoal e de intercessão pelos pecados do povo de Deus. Foi uma oração insistente, pois lemos nos versículos 43-45: “‘Vá e olhe na direção do mar’, disse [Elias] ao seu servo. E ele foi e olhou. ‘Não há nada lá’, disse ele. Sete vezes Elias mandou: ‘Volte para ver’. Na sétima vez o servo disse: ‘Uma nuvem tão pequena quanto a mão de um homem está se levantando do mar’. Então Elias disse: ‘Vá dizer a Acabe: Prepare o seu carro e desça, antes que a chuva o impeça’. Enquanto isso, nuvens escuras apareceram no céu, começou a ventar e a chover forte, e Acabe partiu de carro para Jezreel”.

Essa foi a oração que derramou bênçãos. Nós ansiamos por um poderoso reavivamento, pois Deus diz em Isaías 44.3: “Pois derramarei água na terra sedenta, e torrentes na terra seca”. No entanto, Deus está à procura de pessoas como Elias! Você não quer ser uma delas?

Compartilhe: 

Wim Malgo (1922-1992) nasceu em Maassluis, Holanda. Formou-se no Instituto Bíblico Beatenberg, na Suíça. Fundou a Obra Missionária Chamada da Meia-Noite na Suíça em 1955. Autor de mais de 40 livros, durante décadas suas mensagens bíblicas, proféticas e de santificação, profundas e atuais, transmitiram uma visão clara do plano de Deus e ajudaram inúmeras pessoas em sua vida de fé.

Veja artigos do autor

Todos os textos da série

Fale ConoscoQuem SomosTermos de usoPrivacidade e Segurança