A mãe do lar

Norbert Lieth

À irmã Áfia, a Arquipo, nosso companheiro de lutas, e à igreja que se reúne com você em sua casa.” (Fm 2)

À irmã Áfia

Áfia (“promotora”) provavelmente era a esposa de Filemom. Assim, a carta não foi dirigida somente para ele, mas também para sua esposa. Isso mostra que, ao contrário de outras religiões, a Bíblia também presta honras às mulheres e que – no que se refere à fé cristã – não se levam em conta as aparências. Por isso lemos em Gálatas 3.28: “Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus”.

Eu li que a esposa – de acordo com os costumes daquela época – era encarregada da supervisão dos escravos. Assim, ela tinha as funções da casa sob suas ordens.

Assim, quando Paulo em sua saudação se dirige à esposa de Filemom, ele a inclui igualmente em sua solicitação e não simplesmente a desconsidera. Ela também deveria ser envolvida na questão da reintegração do escravo Onésimo, pois ela certamente compartilhava da preocupação de seu marido em função da fuga de Onésimo.

Também hoje é importante que nós, homens, reconheçamos as esposas como cooperadoras de igual nível na obra de Cristo, que tenhamos consideração por elas e as honremos. Maridos crentes deveriam envolver suas esposas em assuntos e responsabilidades espirituais, para o que logicamente devem ser observadas as orientações bíblicas.

A Arquipo

Alguns acham que Arquipo (“administrador dos cavalos”) era filho de Filemom. No entanto, é mais provável que ele tenha sido um dos anciãos da igreja na casa de Filemom. Talvez ele tenha sido as duas coisas. Em todo caso, era um servo do Senhor que também era responsável pela igreja. Colossenses 4.17 fala sobre ele: “Digam a Arquipo: ‘Cuide em cumprir o ministério que você recebeu no Senhor’”. Em outras traduções consta: “... atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para o cumprires” (RA).

Cada um de nós exerce um determinado cargo ou serviço ou têm alguma responsabilidade na igreja. Devemos observar, no entanto, que tenhamos a postura correta. Isso significa: não olhar para o serviço realizado por outros, de onde facilmente surge a inveja, mas olhar para o serviço que nós recebemos do Senhor. Em virtude de um problema dessa ordem foi que Jesus repreendeu Pedro energicamente: “Pedro voltou-se e viu que o discípulo a quem Jesus amava os seguia. (Este era o que estivera ao lado de Jesus durante a ceia e perguntara: ‘Senhor, quem te irá trair?’) Quando Pedro o viu, perguntou: ‘Senhor, e quanto a ele?’ Respondeu Jesus: ‘Se eu quiser que ele permaneça vivo até que eu volte, o que importa? Quanto a você, siga-me!’” (Jo 21.20-22).

Paulo realçou a responsabilidade de Arquipo diante do Senhor. Para tanto não é importante saber a responsabilidade específica, caso contrário ela seria mencionada na exortação de Paulo. Também nós deveríamos considerar seriamente que recebemos nossas tarefas de Jesus, não importando quais sejam. Deveríamos assumir a responsabilidade, executar o serviço com dedicação e saber que somente podemos cumprir algo se nos dedicarmos completamente a isso com todo o empenho. Para tanto é necessário dedicar fidelidade, consciência e senso administrativo: “O que se requer desses encarregados é que sejam fiéis” (1Co 4.2), ou conforme diz em Romanos 12.11: “Nunca falte a vocês o zelo, sejam fervorosos no espírito, sirvam ao Senhor”.

O fato de ser denominado de companheiro de lutas demonstra que Arquipo se dedicou totalmente à sua tarefa. Pelas duas afirmações de Colossenses 4.17, podemos deduzir que Arquipo provavelmente ainda era novo na função; talvez ele realmente tenha sido filho de Filemom. Sendo jovem, por um lado ainda precisava de exortação e encorajamento, e, por outro, de consolo. Paulo, muito sabiamente, lhe deu ambos. Em Colossenses 4.17 ele é exortado e encorajado a efetivamente realizar o serviço que lhe foi confiado e assim assumir a responsabilidade. Aqui em Filemom 2 ele é consolado, pois Paulo o chama de companheiro de lutas e com isso o manteve próximo de si. O fato de ser colocado no mesmo nível do apóstolo deve ter sido um imenso incentivo. — Norbert Lieth

Todos os textos da série

Norbert Lieth é Diretor da Chamada da Meia-Noite Internacional. Suas mensagens têm como tema central a Palavra Profética. Logo após sua conversão, estudou em nossa Escola Bíblica e ficou no Uruguai até concluí-la. Por alguns anos trabalhou como missionário em nossa Obra na Bolívia e depois iniciou a divulgação da nossa literatura na Venezuela, onde permaneceu até 1985. Nesse ano, voltou à Suíça e é o principal preletor em nossas conferências na Europa. É autor de vários livros publicados em alemão, português e espanhol.

Veja artigos do autor

Fale ConoscoQuem SomosTermos de usoPrivacidade e Segurança