Os três maiores inimigos da utilidade

Norbert Lieth

Continuando no tema da “utilidade”, que Paulo emprega em Filemom 11, identificamos os seus três maiores inimigos:

1) Deslealdade. Antes da sua conversão, Onésimo era uma pessoa desleal e assim era inútil, pois, como já foi dito, ele era mentiroso, hipócrita e, provavelmente, ladrão. Então, porém, ele se converteu, Jesus tomou conta de sua vida, ele foi tomado pelo Espírito da verdade e assim tornou-se útil.

“É bom sempre ser zeloso pelo bem, e não apenas quando estou presente. Meus filhos, novamente estou sofrendo dores de parto por sua causa, até que Cristo seja formado em vocês” (Gálatas 4.18-19). Existe um esforço que visa apenas o proveito próprio. Externamente até pode parecer bom, mas não é leal. Trata-se muito antes de um esforço hipócrita. Outras pessoas são aduladas com vistas ao objetivo próprio. No entanto, quando esses “outros” estão ausentes, então a verdadeira face é mostrada. Não se busca de fato o reino de Deus, mas a própria pessoa, o próprio trabalho ou o próprio interesse. Nesse caso falta claramente a transformação na imagem e no ser de Jesus. Acontece que, quando Jesus tomou conta de alguém e assumiu o senhorio sobre essa vida, e onde a sua imagem cresce, ali desaparece toda a deslealdade. Ali se age incondicionalmente no serviço para o Senhor e torna-se útil para o reino de Deus.

2) Vida com regras piedosas particulares. Para ser útil para o reino de Deus é importante que não tenhamos uma vida particular com leis próprias. Desse modo não se pode ser útil para o reino de Deus. Pessoas que agem assim tornam-se um peso e preocupação para os outros, além de tornar a própria vida desnecessariamente difícil. Elas não conseguem evoluir e acabam andando em círculos, por exemplo, quando se agarram ferrenhamente a tradições antigas e superadas, ao invés de se orientarem pelos valores bíblicos.

Para ser verdadeiramente útil para o reino de Deus é importante viver na graça de Deus, isto é, viver em obediência na graça. Isto requer que realmente demos espaço para a graça: “O exercício físico é de pouco proveito; a piedade, porém, para tudo é proveitosa, porque tem promessa da vida presente e da futura” (1Timóteo 4.8).

3) Brigas e discussões. Um grande inimigo da vida útil são as brigas e discussões sobre coisas insignificantes, sobre pontos de vista e opiniões em relação a assuntos bíblicos e doutrinas. Enquanto não se tratar claramente de falsas doutrinas, não se deveria perder uma palavra sequer nem tentar atropelar a opinião dos outros. Nesse caso vale a palavra de que cada um deve estar consciente da sua opinião. Para tanto, gostaria de citar algumas passagens bíblicas que esclarecem a questão:

“Fiel é esta palavra, e quero que você afirme categoricamente essas coisas, para que os que creem em Deus se empenhem na prática de boas obras. Tais coisas são excelentes e úteis aos homens. Evite, porém, controvérsias tolas, genealogias, discussões e contendas a respeito da Lei, porque essas coisas são inúteis e sem valor” (Tito 3.8-9).

“Continue a lembrar essas coisas a todos, advertindo-os solenemente diante de Deus, para que não se envolvam em discussões acerca de palavras; isso não traz proveito e serve apenas para perverter os ouvintes” (2Timóteo 2.14).

“É orgulhoso e nada entende. Esse tal mostra um interesse doentio por controvérsias e contendas acerca de palavras, que resultam em inveja, brigas, difamações, suspeitas malignas” (1Timóteo 6.4).

Brigas, discussões e guerras de palavras não são apenas inúteis e nulas, mas normalmente causam confusão e não edificam. Além disso, muitas vezes o relacionamento com os outros piora ao invés de melhorar, de modo que delas resultam a inveja e a desconfiança. Nesse caso, há o perigo de repentinamente nem se tratar mais sobre a causa de Jesus, mas muito antes da defesa da própria opinião – em querer ter a razão.

Estes três pontos podem ser reduzidos em uma só frase: se Jesus não estiver mais no centro, certamente tudo passa a girar em torno de nós mesmos. — Norbert Lieth

Todos os textos da série

Norbert Lieth é Diretor da Chamada da Meia-Noite Internacional. Suas mensagens têm como tema central a Palavra Profética. Logo após sua conversão, estudou em nossa Escola Bíblica e ficou no Uruguai até concluí-la. Por alguns anos trabalhou como missionário em nossa Obra na Bolívia e depois iniciou a divulgação da nossa literatura na Venezuela, onde permaneceu até 1985. Nesse ano, voltou à Suíça e é o principal preletor em nossas conferências na Europa. É autor de vários livros publicados em alemão, português e espanhol.

Veja artigos do autor

Fale ConoscoQuem SomosTermos de usoPrivacidade e Segurança