Congresso Profético

Um cristão pode perder a salvação?

Norbert Lieth

Pergunta: “Alguém que se arrependeu de seus pecados, converteu-se a Jesus e experimentou o novo nascimento pode perder sua salvação?

Resposta: Não, é impossível perder a salvação! No contexto geral, e em muitas passagens individuais, a Bíblia fala tão claramente sobre a eterna bem-aventurança de um filho de Deus, que não é possível que em outras passagens anule a garantia de salvação eterna. Se alguns versículos deixam dúvidas, devem significar algo diferente. Lendo atentamente essas passagens críticas, e observando o contexto geral das Escrituras, teremos o entendimento correto de seu sentido.

Somos salvos única e exclusivamente pela pessoa de Jesus Cristo. Lemos em João 17.19, na conhecida oração sacerdotal de Jesus: “E a favor deles eu me santifico a mim mesmo, para que eles também sejam santificados na verdade”. Isso significa que todo aquele que crê em Jesus é santificado em Sua santificação – pela sua posição “em Cristo”. Portanto, uma pessoa que se tornou crente assumiu sua posição em Cristo. Ela passa a ser vista por Deus, o Pai, na posição de Seu Filho. Jesus deu Sua vida perfeita pelos pecadores, para que a vida deles pertencesse ao Pai. Ele é a base e o fundamento. Se alguém se torna crente, nascendo de novo, sua vida é transferida para a vida de Cristo, e esta jamais pode ser perdida. Por isso, Jesus ora na oração sacerdotal de forma muito concreta: “Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste...” (Jo 17.24). Todos os que nasceram de novo são dados ao Filho pelo Pai. Estarão com o Filho e ficarão para sempre com Ele e verão a Sua glória. Esse grupo de pessoas é a Sua Igreja, um só corpo, inseparável e indivisível.

A declaração de João 6.37-39 aponta nessa mesma direção: “Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora. Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou. E a vontade daquele que me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia”. Se um nascido de novo pudesse perder sua salvação, entendo que isso seria uma afronta ao sacrifício de Jesus na cruz. A doutrina que ensina que o crente pode perder a salvação tira a honra de Jesus e faz com que a graça deixe de ser graça. Em relação à obra completa de Jesus, é da vontade do Pai que não se perca ninguém que veio a Cristo e pertence a Ele. Jesus consumou uma vitória plena, e Seu triunfo consiste em termos sido resgatados do inimigo de uma vez por todas e agora pertencermos ao Seu reino.

O apóstolo Paulo escreve em Romanos 8.38-39: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Esse é o amor experimentado pelos salvos. Não é o amor de Deus por todos os homens em geral, mas o Seu amor por aqueles que encontraram a Cristo. Não existe argumento mais evidente e mais abrangente! A expressão “nem a morte, nem a vida”, inclui tudo o que possa ter alguma influência na nossa vida. Uma pessoa realmente renascida não pode se separar de Deus; isso só é possível para alguém que não nasceu de novo, mesmo que aparente ser cristão. Na vida ou na morte nada poderá nos acontecer que esteja fora da esfera da vontade de Deus. Mesmo no mundo dos espíritos não há poder ou potestade que exerça alguma influência que nos separe de Jesus. Não há acontecimento, presente ou futuro, que possa nos separar do Senhor. Nem mesmo o poder do pecado, nada que seja elevado ou profundo, nem qualquer criatura tem esse poder de nos separar do amor de Deus. Por que não? Porque a obra do Gólgota transcende a tudo. Lemos em Romanos 8.34: “Quem os condenará? É Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós”.

A salvação eterna não está baseada em nossas obras, mas somente na graça. Tomemos como exemplo o direito civil: você nasceu num país e é cidadão desse país. Você não fez nem poderia ter feito qualquer coisa para receber sua nacionalidade. Se não obedecer às leis do país, poderá ser punido, mas sua cidadania não poderá ser questionada. Você pode perder muitas coisas: sua liberdade, dinheiro, trabalho, casa e bens, mas não sua cidadania. Portanto, a graça deixaria de ser graça se um filho de Deus pudesse perder sua salvação. Se colocamos em dúvida a segurança da salvação eterna, estamos outra vez dentro do círculo vicioso da justificação pelas obras, e aí ninguém poderia ter certeza de sua salvação.

Em Efésios 2.8-9 está escrito: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”. A graça de Deus é o único fundamento para sermos e estarmos salvos. Sempre que se tratar do pacote do presente da salvação eterna, é a graça que o torna possível. Se pudéssemos nos perder depois de termos sido salvos, teríamos de ganhar nossa certeza de salvação pelas nossas obras.

William MacDonald escreve: “O único caminho em que Deus podia dar uma firme salvação ao homem era pela graça, por meio da fé. Salvação pela graça significa que tudo reside em Deus e nada depende do homem. Mas se tudo repousa unicamente em Deus, não há falha”. No que diz respeito à graça e à salvação, Jesus Cristo é o Autor e Consumador da nossa fé. Lemos em Hebreus 12.2: “olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está assentado à destra do trono de Deus”, e em Filipenses 1.6: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus”. (Norbert Lieth)

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