Simon Wiesenthal – justiça, não vingança

Sempre que Simon Wiesenthal conseguia levar a julgamento algum dos ajudantes de Hitler, a mídia mundial chamava-o de "caçador de nazistas" ou "vingador dos judeus". Na verdade, seu interesse maior era manter viva a lembrança das barbáries do império de terror nazista. Seu desejo não era fomentar o ódio ou praticar vingança, mas obter justiça pelas vítimas. Ele foi o único membro de sua numerosa família que sobreviveu à máquina de extermínio dos nazistas. Assim, Wiesenthal considerou que sua sobrevivência o incumbia da missão de ajudar a assimilar e superar o terrível passado.

Simon Wiesenthal, nascido em 31 de dezembro de 1908 na Galícia, na época pertencente ao Império Austro-Húngaro, estudou Arquitetura em Praga. Em 1932 ele concluiu seus estudos e trabalhou como arquiteto na Polônia até 1939. Durante a Segunda Guerra Mundial, sua vida esteve em perigo por muitas vezes. Com o fim do nazismo e sua libertação do campo de concentração de Mauthausen em 5 de maio de 1945 pelas tropas americanas, começou seu singular empenho contra o esquecimento, uma nova etapa de sua vida.

Ainda no mesmo ano (1945) Simon Wiesenthal abriu na cidade austríaca de Linz um centro de documentação sobre a perseguição aos judeus. Um de seus principais anseios era descobrir o paradeiro dos responsáveis pelo aniquilamento de judeus para levá-los a julgamento. Foi assim que ele contribuiu consideravelmente para a localização de Adolf Eichmann, preso na Argentina em 1960. Outra de suas ações espetaculares resultou na captura de Franz Stangl, comandante do campo de extermínio de Treblinka. Com base nas informações coletadas nas pesquisas de Wiesenthal, em 1970 Stangl foi condenado na Alemanha por participação no genocídio de 400.000 pessoas. Ele morreu na prisão. Em Nova Iorque, Wiesenthal descobriu Hermine Ryan-Braunsteiner, a infanticida de Maidanek. Ela foi extraditada para a Alemanha em 1973 e condenada à prisão perpétua.

A descoberta dos co-autores do aniquilamento em massa dos judeus foi o que chamou mais a atenção dos meios de comunicação, mas essa foi apenas uma parcela do que ele realizou em décadas de empenho em áreas correlatas, pelo que Wiesenthal recebeu diversas condecorações. Ele dedicou-se ao estudo de temas como o anti-semitismo e o neonazismo, mas também a assuntos muito atuais como a devolução de obras de arte roubadas pelos nazistas. Seu ininterrupto esforço para evitar o esquecimento, a negação e a repressão do passado alcançou ressonância mundial, que encontrou sua expressão visível na fundação dos Centros Wiesenthal em Los Angeles (1977) e, mais tarde, em Paris e Jerusalém. (Dr. Mark Zonis - http://www.beth-shalom.com.br)

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