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Foto: O avião monomotor anfíbio de
“Asas de Socorro” ao lado do barco da
“Pró-Amazonas”, no Rio Tiquié. |
O índio kumu me contou que Jesus era um curandeiro palestino
“Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos as suas maravilhas. Porque grande é o Senhor e mui digno de ser louvado, temível mais que todos os deuses” (Sl 96.3-4).
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pôr-do-sol na selva amazônica com o Rio Negro e suas Anavilhanas (o maior arquipélago fluvial do mundo). |
Lembro que estava me deleitando com a vista da selva lá embaixo, as várias tonalidades de verde da Amazônia intocada, dourada por um sol matinal escaldante, quando iniciamos o processo de pouso no povoado de Pari-Cachoeira, no extremo noroeste do Estado do Amazonas, a vinte quilômetros da fronteira com a Colômbia.
Quando o valente monomotor da missão Asas de Socorro, um Cessna Caravan anfíbio, de prefixo PR-ADS, aterrissou naquela pista de barro, sabia que me encontrava num mundo muito diferente daquele em que estava acostumado a viver. Chegar até ali demandou muita disposição e uma certa dose de coragem por parte de todos os tripulantes (dos pilotos Paulo Bachmann e César, dos cardiologistas Nelson Araújo e Eunice, do odontólogo Carlos Gonzalez, do biólogo Iraquitam, da coordenadora Ester e de mim). Todos profissionais voluntários, membros de igrejas evangélicas e que estavam ali sem qualquer fim lucrativo.
As comunidades indígenas ao longo do Rio Tiquié
Em Pari-Cachoeira embarcamos no barco da ONG Pró-Amazonas, descemos o sinuoso Rio Tiquié com seu leito arenoso e suas águas negras. O Tiquié deságua no Rio Uaupés que é um afluente do
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O cardiologista Nelson embarcando no barco “Pró-Amazonas”, no Rio Tiquié, em Pari-Cachoeira. |
Abrimos as portas do nosso barco aos odontólogos do DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) e juntos visitamos quatro comunidades indígenas na região do Rio Tiquié: São José II, Barreira Alta, Iraíti e Taracuá-Igarapé. Em uma delas, um missionário evangélico está construindo com os nativos uma barragem para desenvolver a piscicultura. Nossa missão na área era puramente social (médico-odontológica) e, em cinco dias, tivemos a oportunidade de atender mais de 300 pacientes indígenas com diversas patologias.
Essa viagem significou uma experiência profissional e humanitária sensacional. Conhecemos um naco preservado da natureza criada por Deus (vi insetos muito bem nutridos que me impediam de esquecer de usar repelente, vi tucanos nos topos de algumas árvores, nossos pilotos viram uma onça pintada atravessando o rio e se embrenhando na floresta...). Essa rica experiência serviu também para desmistificarmos alguns conceitos,
O benzedor me contou: “Jesus era um curandeiro palestino”
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Uma parte da nossa equipe na comunidade indígena de Taracuá-Igarapé. |
Foi na comunidade de São José II que conheci José Vilasboas Azevedo, “o benzedor e curandeiro” local (na língua deles, “kumu”). José é um dos quatro filhos do idoso kumu Feliciano e aprendeu com seu genitor o ofício de benzer e curar. Pedi permissão a ambos para os fotografar e fazer algumas perguntas. Fui prontamente atendido.
Primeiro perguntei qual a diferença entre “kumu” e “pajé”. José me explicou: “o kumu só benze e cura. O pajé, além de benzer e curar, pode matar, fazer previsões e é auxiliado por espíritos que vivem na floresta”.
Indaguei a José de onde vinha o seu poder de curar. Então, Vilasboas Azevedo me contou uma história fascinante: “Muito tempo atrás só existia o dia e não havia a noite. Os moradores estavam exaustos de tanto trabalhar. Então, meu pai e dois outros senhores da comunidade viajaram até uma outra localidade, onde um velho lhes entregou a noite para que todos pudessem descansar. Meu pai voltou para a comunidade com poder de curar. Aprendi com ele as rezas e o preparo da água para benzer”. Muito curioso, questionei se sempre conseguia efetuar a cura. José me respondeu: “Às vezes cura e às vezes não cura”.
Fiz outras perguntas triviais e o kumu sempre me respondeu de bom grado. Já tinha observado que alguns indígenas usavam camisas onde estava escrito: “Nossa Senhora Aparecida”, “Círio de Nazaré”, “Jesus é Rei”... (herança dos padres salesianos que até hoje atuam nessa região).
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O odontólogo Carlos e o cardiologista Nelson consultando os indígenas no barco do “Pró-Amazonas”. |
José usava uma camisa com alguns dizeres sobre “Jesus”. Perguntei-lhe quem era Jesus. Prontamente me respondeu: “Jesus era um curandeiro palestino”. Indaguei o que mais sabia sobre Jesus. José me respondeu sorrindo: “Jesus era um homem bom e conseguia até expulsar espíritos maus. Certa ocasião um homem estava endemoninhado e Jesus expulsou os demônios, que entraram em porcos e esses afundaram no rio”.
Para não abusar do meu recém-conhecido kumu, agradeci pela conversa e pelas fotos tiradas, me despedi com um abraço, e lhe contei três coisas que sabia sobre o Jesus estampado na sua camisa: 1º) Jesus não era palestino, era israelita, foi descendente do rei Davi e Ele próprio disse à mulher samaritana que era judeu (Jo 4.22). O kumu me olhou surpreso. 2º) Jesus é diferente do meu amigo kumu: ao contrário do kumu, Ele curava sempre (nunca houve uma cura pela metade). As rezas do kumu ora funcionam, ora não. As curas de Jesus sempre funcionaram, Ele nunca falhou. O kumu meneou a cabeça afirmativamente, concordando comigo. 3º) Disse ao kumu que procurasse conhecer mais sobre esse Jesus da sua camisa. Finalizei incentivando-o a perguntar mais sobre Jesus ao missionário, pois não iria se arrepender.
A desconstrução das origens de Jesus Cristo
Este século apresenta-se, no tocante a valores espirituais, tão sombrio quanto o século que o antecedeu. E não é somente por causa da nova espiritualidade da Era de Aquário, mas também pela desconstrução das origens de Jesus Cristo.
Não é culpa do kumu ter dito que “Jesus era um curandeiro palestino”, pois lhe ensinaram errado. Os culpados talvez sejam os salesianos que catequizaram os indígenas no Noroeste do Amazonas. Um indígena, que tinha sido doutrinado pelos católicos, disse a um dos missionários evangélicos daquela área que não podia aceitar o que os evangélicos diziam para não “virar sapo”. Que não gostem dos evangélicos, tudo bem. No entanto, ensinar inverdades acerca de Jesus Cristo é estupidez, irracionalidade e desconhecimento histórico ou é querer ser politicamente correto e espiritualmente pífio.
É preciso combater o mal pela raiz, pois as massas, através da mistificação exercida pela propaganda televisiva contrária a Israel (especialmente a veiculada nos noticiários noturnos), são estimuladas a acreditar que a faixa de terra entre o Mar Mediterrâneo e o Mar Morto é a Palestina e não Israel.
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O autor carregando uma indígena, com suspeita de malária, em direção ao barco, na comunidade indígena de Barreira Alta. |
A Bíblia é muito clara quanto aos limites da terra da nação de
E quanto a Jesus ser “palestino”? Nossa! Que loucura! Jesus era judeu da gema mesmo (basta dar uma olhada na Sua descendência para confirmar isso – Mt.1.1-17) e Ele próprio não negou a Sua raça (Jo 4.22).
Ensinar ao indígena que Jesus “era palestino” é tolerar uma contracultura que se opõe aos valores judaico-cristãos e que desconstrói o principal personagem das nossas vidas – Jesus Cristo! Fazer de Jesus um “palestino” é uma constrangedora vacuidade!
E aí vai um alerta às editoras que publicaram Bíblias nas duas últimas décadas e colocaram o seguinte título em alguns daqueles mapas que encontramos nas últimas páginas: “A Palestina nos Tempos de Jesus”. Nas versões antigas, esses mesmos mapas eram intitulados “
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O autor na cozinha do kumu José: “Jesus era um curandeiro palestino”. |
Conclusão: saudades da selva amazônica
Às 09h45 da manhã da sexta-feira, dia 4 de novembro de
Eu estava sentado atrás do co-piloto e via através da janelinha à esquerda uma barreira nas margens do rio com alguns indígenas observando o nosso avião anfíbio lançar-se ao ar. Vi também na margem do rio o barco que foi o nosso lar nos últimos cinco dias. Jaimesson Nascimento (um tipo de almirante do barco e cozinheiro), Mauro (o comandante do barco), Silvério, com sua esposa e filha, estavam na proa com seus olhares fixos na nossa partida. Todos descendentes de indígenas e crentes no Senhor Jesus.
Uma retrospectiva veio à minha memória, revivendo esses últimos dias: repelentes, óculos escuros, boné, prancheta, banho de rio, floresta, onça pintada, tucanos, deslumbrantes borboletas, canoas, barcos, rede, roncos, malária, etnias, curandeiro, palhoças, beijú, mandioca, peixe surubim... enfim, ah! Que saudade dessa selva! “Que variedade, Senhor, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das tuas riquezas” (Sl 104.24). Percebi que meus olhos estavam ficando marejados enquanto o pequeno avião ultrapassava o topo das árvores e alcançava as nuvens.
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Jaimesson preparando pães na cozinha do nosso barco. Na despedida, ele nos disse: “A viagem terminou, mas a missão continua!”. |
Lembrei-me dos nossos heróicos e abnegados missionários. Que Deus os fortifique, proteja e guie. Recordei-me do kumu (“estou orando por ti, meu amigo”). Veio-me à memória o quanto a igreja cristã já fez pela obra missionária e o muito que ainda tem a fazer. Que Deus tenha misericórdia de nós.
Revivi o abraço forte de despedida do Jaimesson (aquele tipo de almirante da nossa embarcação), homem simples e animado, que nunca saiu da selva amazônica, um especialista nos mistérios desses rios e da floresta e, acima de tudo, um servo do Senhor. Ao se despedir de mim, me marcou com suas palavras tão iluminadas: “A viagem terminou, mas a missão continua!” Que seja assim. “Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda terra é o teu nome!” (Sl 8.9). (Dr. Samuel Fernandes Magalhães Costa - http://www.chamada.com.br)
Publicado anteriormente na revista Chamada da Meia-Noite, janeiro de 2006.- Leia também
- Jerusalém, Jerusalém!
- Corrida Para a Vitória
- Veneração ao “Galo” e à “Santa” no Sertão Nordestino
- O Fim da Solidão
- Como chegar ao céu?
- Aflição por causa do pecado
- Uma Viagem ao Caldeirão da Idolatria
- Material recomendado
- Folheto Auto-Defesa (pacote com 100)
- Folheto O Que Devo Fazer? (pacote com 100)
- DVD Prontos Para o Encontro Com o Juiz - Salmo 2
- DVD Assegurando Comunhão Com o Rei da Glória
- Folheto Corrida Para a Vitória (pacote com 100)
- Folheto Uma Coroa de Flores
- CDs (mp3) do Congresso Profético 2006
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