O que é batalha espiritual? Estamos realmente em uma guerra?

Mark Hitchcock

John F. Kennedy foi um oficial naval comissionado durante a Segunda Guerra Mundial. Em agosto de 1943, seu barco de patrulha, o PT 109, foi atacado por um destróier inimigo e afundou perto das Ilhas Salomão, que eram mantidas pelo Japão. Kennedy e um companheiro oficial nadaram de uma ilha ocupada pelo inimigo à outra até que encontraram alguns habitantes amigáveis que os ajudaram a entrar em contato com as forças americanas. Anos mais tarde, Kennedy foi proclamado herói de guerra, mas sua resposta sincera foi: “Foi involuntário. Eles afundaram meu barco”.[1]

Assim é com todos os crentes. Não precisamos nos voluntariar para nos acharmos envolvidos em uma guerra. É involuntário – a guerra chegou até nós. Satanás e o mundo lutam violentamente contra nós externamente, e nossa carne se opõe a nós internamente. Alguns parecem acreditar que vir a Cristo os remove da batalha, mas o oposto é verdadeiro. A batalha de fato começa quando a pessoa se torna cristã. Todo crente em Cristo está no meio de uma guerra invisível. As Escrituras nos lembram: “Suporte comigo os meus sofrimentos, como bom soldado de Cristo Jesus” (2Tm 2.3). Como Erwin Lutzer diz: “Estamos em uma guerra. Não podemos pleitear o pacifismo. Não podemos fugir das balas. Não podemos nos esconder das bombas. Não podemos solicitar licença médica”.[2] Há dois lados nesta batalha cósmica das eras. “O inimigo é Satanás, o campo de batalha é a nossa mente, e a questão é a nossa caminhada cristã. Nós não vivemos em um mundo neutro. Existem forças hostis em operação nele, um ser maligno com uma hoste de serviçais que se opõem a Deus e ao homem.”[3]

Winston Churchill certa vez disse que o imperador Guilherme II queria ser Napoleão sem lutar as batalhas de Napoleão. O kaiser queria vitórias sem guerras. Não queremos todos? Especialmente na vida cristã. Mas simplesmente não é possível. Não existem vitórias sem batalhas. Nós não vivemos em um mundo neutro.[4]

A expressão “batalha espiritual” nunca aparece na Bíblia. É um termo teológico prático para descrever o conflito da vida cristã. A batalha espiritual que estamos enfrentando é uma luta épica contra Satanás e seus anjos, contra os principados e as potestades. Ela está sendo travada diariamente onde nós vivemos – em nossos lares, nossos escritórios, nossos casamentos, nossa igreja e no íntimo do nosso coração. Billy Graham descreve a batalha espiritual que é travada.

Vivemos em um perpétuo campo de batalha – a grande Guerra das Eras continua a ser travada. As linhas de combate pressionam cada vez mais fortemente contra o próprio povo de Deus. As guerras entre as nações são meramente brincadeiras com armas de plástico em comparação com a ferocidade da batalha no mundo espiritual invisível. Este conflito espiritual invisível é travado ao nosso redor incessante e persistentemente. Onde o Senhor age, as forças de Satanás atrapalham; onde os anjos realizam as ordens divinas, os diabos se enfurecem. Tudo isso acontece porque os poderes das trevas pressionam seu contra-ataque para retomar o terreno que é mantido para a glória de Deus.[5]

John MacArthur define batalha espiritual como

uma guerra de proporções universais contrapondo Deus e sua verdade contra Satanás e suas mentiras. É uma batalha de vontades entre Deus e Satanás. É um conflito cósmico que envolve Deus e a mais alta criatura que ele fez, e o conflito atinge cada ser humano. Satanás e seu exército de demônios estão lutando contra Cristo, seus santos anjos, a nação de Israel e os crentes. As linhas de batalha estão claramente desenhadas.[6]

A batalha espiritual é uma guerra invisível travada no domínio espiritual, mas alimentada no domínio visível, físico.[7]

Dispensações

Efésios 6.10-20 é o texto clássico do Novo Testamento sobre batalha espiritual. Poderíamos chamá-lo de manual de campo do cristão para a batalha espiritual. A antiga metrópole de Éfeso estava repleta de atividades ocultas. A visita inicial de Paulo ali incitou um encontro com poderes demoníacos no qual o nome de Cristo provou ser supremo (At 19.11-20). Muitos dos crentes em Éfeso estiveram impregnados no ocultismo antes de virem a Cristo.

Em Efésios 5.22–6.9, Paulo se dirige a diversos grupos específicos dentro da igreja (esposas, maridos, filhos, pais e escravos). Em 6.10 ele se dirige a toda a congregação novamente, advertindo-os e a nós sobre a batalha espiritual que todos enfrentamos. É instrutivo que a seção sobre a batalha espiritual siga a seção sobre a família em Efésios. Isso não é um acidente. O ataque de Satanás aos casamentos e à família é real e implacável. Como alguém disse: “Quando você se casar, aí é que a guerra começa”.

Efésios 6 nos conta que o mundo invisível ao nosso redor é tão real quanto o mundo visível, e está cheio de terroristas demoníacos que querem enfraquecer a nossa fé e impedir nosso progresso espiritual. Efésios 6.12 identifica a intensidade e o escopo do conflito: “Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (RA). A palavra grega traduzida por “luta” era originalmente usada para os combates que faziam parte dos jogos gregos. A figura desse combate ressalta o imediatismo e a proximidade do conflito, e o esforço e energia exigidos.

A palavra “contra” ocorre cinco vezes em Efésios 6.10-18, iluminando o embate cósmico de forças e a intensidade da luta. O Senhor quer que saibamos contra o que estamos contra. As linhas de batalha estão claramente desenhadas. Deus e seu povo estão de um lado, e Satanás e seus demônios estão no outro.

“Sangue e carne” se referem a pessoas. Isso não está dizendo que não temos lutas contra outras pessoas (no nível humano), mas que nossa luta não é apenas nesse nível. O conflito final na batalha espiritual é travado contra as forças espirituais das trevas que estão operando por trás do que é visto. — Mark Hitchcock

Notes

  1. Citado em Ray C. Stedman, Spiritual Warfare (Grand Rapids, MI: Discovery House, 1999), p. 71.
  2. Erwin W. Lutzer, The Serpent of Paradise (Chicago: Moody Press, 1996), p. 119.
  3. Paul W. Powell, The Great Deceiver: Seeing Satan for What He Is (Nashville, TN: Broadman Press, 1988), p. 9.
  4. Powell, The Great Deceiver, p. 1.
  5. Billy Graham, Angels: God’s Secret Agents, ed. rev. (Dallas: Word Publishing, 1986), p. 59.
  6. John MacArthur, Standing Strong: How to Resist the Enemy of Your Soul, 2ª ed. (Colorado Springs, CO: David C. Cook, 2006), p. 21.
  7. Tony Evans, Victory in Spiritual Warfare (Eugene, OR: Harvest House, 2011), p. 14.
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