O Significado do Israel Moderno

Thomas Ice

Trarei de volta Israel, o meu povo exilado, eles reconstruirão as cidades em ruínas e nelas viverão. Plantarão vinhas e beberão do seu vinho; cultivarão pomares e comerão do seu fruto. Plantarei Israel em sua própria terra, para nunca mais ser desarraigado da terra que lhe dei, diz o Senhor, o seu Deus” (Amós 9.14-15, NVI).

O Estado de Israel moderno está sob ataque, não apenas por parte dos muçulmanos, mas também, e cada vez mais, dos chamados evangélicos, especialmente dentre aqueles que têm 35 anos ou menos. Uma geração atrás, era praticamente sinônimo ser pró-Israel e evangélico. Contudo, com a chegada do chamado “cristianismo pós-moderno”, tornou-se mais importante ser relevante para a cultura pagã do que ser bíblico em determinadas questões. E o mundo está cada vez mais encontrando motivos para se opor a Israel enquanto, ao mesmo tempo, esse mesmo mundo está se tornando cada vez mais anticristão.

O Que Diz a Bíblia?

Por todo o Antigo Testamento, Deus diz que a terra que conhecemos como Israel é para os descendentes físicos de Abraão, Isaque e Jacó – ou seja, os judeus. Todos os profetas do Antigo Testamento, exceto Jonas, falam de um permanente retorno dos judeus à terra de Israel.[1] Em nenhum lugar no Novo Testamento essas promessas do Antigo Testamento são mudadas ou negadas.[2] Na verdade, elas são reforçadas por algumas passagens do Novo Testamento. Walter Kaiser observa que “o autor de Hebreus [afirma] (Hb 6.13,17-18) (...) [Deus] jurou por Si mesmo quando fez a promessa: para mostrar quão imutável era Seu propósito”.[3] Paulo diz sobre as promessas a Israel: “Pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis” (Rm 11.29, NVI).

A única base legítima para os judeus reivindicarem o direito à terra de Israel vem da Bíblia. Na verdade, se não fosse pela história bíblica de Israel, quem sequer saberia associar o povo judeu com a terra de Israel? É precisamente porque Deus associa o povo judeu à terra que a deu a ele – localizada no Oriente Médio de hoje – e podemos ter atualmente um movimento conhecido como Sionismo, seja por motivos religiosos ou políticos. Os detratores do Sionismo têm de tentar mostrar que a promessa da terra de Israel que Deus fez aos judeus foi, de certa forma, invalidada. Quantos, durante anos, têm tentado provar exatamente isso! Mas a Palavra de Deus fala mais alto do que as estridentes vozes de todos eles combinadas. Isso não pode ser provado através de uma interpretação indutiva da Bíblia, Antigo ou Novo Testamento. O argumento mais comum em nossos dias é dizer que de alguma forma Jesus deserdou os judeus de sua terra porque Ele trouxe salvação para os gentios e para a Igreja.[4] Que ridículo!

A causa do Sionismo se mantém ou cai com base naquilo que a Bíblia ensina sobre Israel e sobre a terra de Israel. É verdade que uma causa justa em favor de Israel pode ser apresentada em diferentes bases, mas, em última instância, ela se reduz àquilo que Deus pensa sobre esse assunto, da forma que foi comunicado através de Sua Palavra infalível e de autoridade – a Bíblia.

A Moderna Nação de Israel

O Antigo Testamento fala sobre dois reajuntamentos de Israel nos tempos do fim. O primeiro está ocorrendo agora, antes da Tribulação, à medida que os judeus retornam para sua terra, essencialmente em incredulidade. Por que estão voltando em incredulidade? Estão voltando em incredulidade porque o propósito da Tribulação (a 70ª semana de Daniel) é levar à conversão da nação para que creia em Jesus como seu Messias. Desta forma, a pessoa deve ser incrédula para se tornar crente, como é o propósito bíblico da Tribulação para a nação de Israel. O outro reajuntamento dos tempos do fim ocorrerá depois que a nação tiver se convertido a crer em Jesus como seu Messias, na Segunda Vinda.

Antes que os eventos da Tribulação possam acontecer, os judeus de todas as partes do mundo deverão retornar à terra, exatamente como vemos que está acontecendo agora com o Estado de Israel moderno. Isto logicamente não significa que todos os judeus do mundo têm que voltar para Israel. Mas significa claramente que muitos do povo judeu devem retornar à sua antiga terra natal para que haja uma nação para cumprir esses eventos pré-ordenados. As profecias sobre o final dos tempos nas Escrituras são construídas sobre o pressuposto de que Israel tanto estará reunido em sua terra como estará funcionando como nação, exatamente como vemos que está acontecendo no Estado de Israel moderno. Também parece que Israel deve ter algum grau de controle sobre Jerusalém, uma vez que seu Templo será reconstruído até a época da metade da Tribulação. Também, as duas testemunhas que aparecerão na primeira metade da Tribulação parece que realizarão algumas de suas atividades dentro da circunvizinhança desse Templo reconstruído.

As implicações de Daniel 9.24-27 são inequívocas. “Com muitos ele [o Anticristo] fará uma aliança que durará uma semana [uma semana de anos, ou seja, sete anos]”. Em outras palavras, o período de sete anos da Tribulação começará com a assinatura de uma aliança entre o Anticristo e os líderes de Israel. Obviamente que a assinatura desse tratado pressupõe a presença de uma liderança judaica em uma nação judaica. Esse Estado judeu deve existir antes que o tratado seja assinado.[5]

Então, para resumir, a lógica segue o seguinte caminho: a Tribulação não pode começar até que a aliança de sete anos seja feita. A aliança não pode ser realizada até que haja um Estado judeu. Portanto, um Estado judeu deve existir antes da Tribulação e o Estado de Israel moderno foi trazido de volta à existência a fim de cumprir com esse papel.

Em vista de tudo isso, creio que o propósito principal para o reajuntamento de Israel se relaciona diretamente com o pacto de paz com o Anticristo, como descrito em Daniel 9.24-27.

Para que tal tratado seja viável, os judeus têm que estar presentes na terra e ser organizados em um Estado político. E desde 1948, eles estão presentes na terra e são organizados em um estado político. É este milagre moderno – algo inusitado na história – que nós, nossos pais e nossos avós têm testemunhado, e que vai se desdobrando diante dos nossos olhos. Um povo da Antigüidade e espalhado pelo mundo retornou à sua terra natal depois de quase dois milênios, tornando possível a aliança de Daniel 9.24-27 pela primeira vez desde o ano 135 d.C.[6]

Como resultado, o palco está montado para o acontecimento que detonará a Tribulação e introduzirá os dias finais do mundo da forma que o conhecemos. E para o desapontamento daqueles que são opostos à teologia sionista, o Estado moderno de Israel está exatamente nessa posição. Isso indica verdadeiramente que estamos próximos do fim dos dias.

Duvidando

Israel: o Supersinal de Deus Para o Fim dos Tempos

Quando pensamos sobre o reajuntamento mundial inusitado e o também inusitado restabelecimento da nação de Israel, somos estimulados a olhar mais de perto para todas as manchetes internacionais. Agora que Israel está equilibrado no exato ambiente exigido para a revelação do Anticristo e para o início da Tribulação, começamos a perceber que eventos profeticamente significativos estão acontecendo em todo o mundo. O globalismo, a União Européia como precursora do Império Romano Reavivado, a Rússia e o Irã em aliança contra Israel, e muitos outros indicadores, estão crescendo a cada dia. Diz-se até mesmo que o renomado teólogo liberal Karl Barth afirmou, quando Israel recapturou Jerusalém, em 1967: “o cristão moderno deve ler com a Bíblia em uma das mãos e o jornal na outra”.[7]

John F. Walwoord disse: “Dos muitos fenômenos peculiares que caracterizam a presente geração, poucos eventos podem reivindicar significado igual, no que se refere à profecia bíblica, ao do retorno de Israel à sua terra. Esse fato constitui uma preparação para o fim dos tempos, o estabelecimento da futura vinda do Senhor para Sua Igreja, e o cumprimento do destino profético de Israel”.[8]

Conclusão

O Estado de Israel moderno é profeticamente significativo e é claramente parte do plano profético de Deus. Rejeitamos direta e biblicamente a falsa noção de que o Estado de Israel moderno não seja profeticamente significativo. Como cristãos bíblicos, alinhemo-nos ao lado de Deus para apoiar Sua nação e Seu povo escolhido, Israel. Maranata! (Thomas Ice — Pre-Trib Perspectives — Chamada.com.br)

Notas:

  1. Algumas das passagens mais óbvias incluem: Gn 12.7, 13.14-15; 15.18; 17.8; Lv 26.33,43; Dt 26.9; 30.1-11; Js 24.20-28; 2Sm 7.11-16; Ed 4.1-3; Sl 102.13-20; Is 11.11-12; 18.7; 27.12-13; 29.1,8; 44; 60.8-21; 66.18-22; Jr 3.17-18; 7.7; 11.10-11; 23.3-6; 25.5; 29.14; 30.7,10; 31.2,10,23,31-34; 33.4-16; 50.19; Ez 11.17; 20.33-37; 22.19-22; 28.25; 36.23-24,38; 37.21-22; 39.28; Dn 12:1; Os 3.4-5; Jl 3.20-21; Am 9.9,14-15; Mq 2.12; 3.9-10; 4.7,11-12; Sf 2.1-3; Zc 7.7-8; 8.1-8; 10.6-12; 12.2-10; 13.8-9; 14.1,5,9; Ml 3.6.
  2. As passagens incluem: Mt 19.28; 23.37; Lc 21.24, 29-33; At 15.14-17; Rm 11; Ap 11.1-2; 12.
  3. Walter C. Kaiser, Jr. “The Land of Israel and The Future Return [A Terra de Israel e o Futuro Retorno] (Zacarias 10.6-12)”, in H. Wayne House, editor, Israel: The Land and the People: An Evangelical Affirmation of God’s Promises [A Terra e o Povo: Uma Afirmação Evangélica das Promessas de Deus] (Grand Rapids, Kregel, 1998), p. 211.
  4. Gary M. Burge, Jesus and the Land: The New Testament Challenge to “Holy Land” Theology [Jesus e a Terra: O Desafio do Novo Testamento à Teologia da “Terra Santa”] (Grand Rapids: Baker Academic, 2010).
  5. Arnold Fruchtenbaum, Footsteps of the Messiah: A Study of the Sequence of Prophetic Events [As Pegadas do Messias: Um Estudo da Seqüência dos Eventos Proféticos] (Tustin, CA: Ariel Press, [1982] 2003), p. 105.
  6. John F. Walvoord, Prophecy in the New Millennium: A Fresh Look at Future Events [Profecias no Novo Milênio: Um Olhar Renovado Sobre Acontecimentos Futuros] (Grand Rapids, MI: Kregel, 2001), pp. 61-62.
  7. Citado por R. C. Sproul, The Last Days According to Jesus: When Did Jesus Say He Would Return? [Os Últimos Dias de Acordo com Jesus: Quando Jesus Disse que Iria Voltar?] (Grand Rapids: Baker, 1998), p. 26.
  8. John F. Walvoord, Israel in Prophecy [Israel na Profecia] (Grand Rapids: Zondervan Publishing House, 1962), p. 26.

Thomas Ice é diretor-executivo do Pre-Trib Research Center (Centro de Pesquisas Pré-Tribulacionistas) e professor de Teologia na Liberty University. Ele é Th.M. pelo Seminário Teológico de Dallas e Ph.D. pelo Seminário Teológico Tyndale. Editor da Bíblia de Estudo Profética e autor de aproximadamente 30 livros, Thomas Ice é também um renomado conferencista. Ele e sua esposa Janice vivem com os três filhos em Lynchburg, Virginia (EUA).

Veja artigos do autor

Fale ConoscoQuem SomosTermos de usoPrivacidade e Segurança